Como reacender o amor que esfriou? Todo relacionamento, por mais bonito que seja, enfrenta momentos de indiferença e distância. Cantares 5 retrata com realismo essa crise: a esposa hesita em atender ao marido, o perde por um momento e, ao buscá-lo, redescobre o quanto ele é precioso. É um capítulo sobre a ameaça da apatia e o caminho da reconciliação.
Neste estudo de Cantares 5, veremos a alegria da união aprovada por Deus, o problema da indiferença que ameaça o casamento, e o modo como a esposa reacende o seu amor ao relembrar e louvar a beleza do amado. É um retrato que nos ensina a valorizar o cônjuge e que aponta para o nosso relacionamento com Cristo.
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A alegria aprovada por Deus (Cantares 5.1)
O versículo abre com a declaração do noivo de que a união se consumou plenamente: já entrei no meu jardim, minha irmã, minha esposa; colhi a minha mirra, comi o meu favo de mel, bebi o meu vinho. As imagens do banquete expressam a alegria e o deleite do amor conjugal. E então soa uma voz: comei, amigos, bebei e embriagai-vos de amor, ó amados.
Muitos entendem essa voz como a do próprio Deus, o único convidado apropriado naquele momento. Se o amor do casal procede dele, é apropriado que ele o aprove e convide os dois a desfrutarem plenamente do amor dentro do casamento. Aqui está uma verdade importante: o amor conjugal e a intimidade, no contexto da aliança, têm a bênção e a aprovação de Deus, que os instituiu desde o princípio.
A indiferença que ameaça o amor (Cantares 5.2-8)
A cena muda e retrata um problema. A esposa descreve o que parece um sonho: o amado bate à porta durante a noite, pedindo para entrar, com a cabeça coberta de orvalho. Mas ela hesita, apresentando desculpas triviais: já tirei a minha roupa, já lavei os meus pés, como tornarei a vesti-los? É o retrato da indiferença e da apatia que, mesmo num bom casamento, podem esfriar o coração diante do outro.
Quando ela finalmente se compadece e vai abrir, o amado já se fora. Ela sai a procurá-lo pela cidade, mas desta vez os guardas a ferem e tomam o seu manto. A dor da separação, causada pela sua própria negligência, desperta nela o desejo pelo amado. E ela pede às filhas de Jerusalém: se achardes o meu amado, dizei-lhe que estou enferma de amor. A que antes foi indiferente agora anseia por ele. É um alerta: não devemos negligenciar quem amamos, mas responder prontamente ao amor que nos é oferecido.
Redescobrindo a beleza do amado (Cantares 5.9-16)
As filhas de Jerusalém perguntam: que é o teu amado mais do que outro amado, para que assim nos conjures? Essa pergunta dá à esposa a oportunidade de louvar o marido, e esse próprio ato de descrevê-lo reacende nela os sentimentos de amor. É um passo decisivo rumo à reconciliação: relembrar por que amamos alguém ajuda a reavivar o afeto que havia esfriado.
Ela então o descreve com admiração. A sua cabeça é como o ouro mais fino, os seus cabelos são crespos e pretos como o corvo, os seus olhos são como pombas junto às correntes das águas, as suas faces como um canteiro de bálsamo, os seus lábios como lírios, as suas mãos preciosas como o ouro, o seu corpo como o marfim, as suas pernas como colunas de mármore. Cada imagem exalta o valor e o encanto dele. E ela conclui: tudo nele é desejável. Este é o meu amado, e este é o meu amigo, ó filhas de Jerusalém. O amor esfriado se reacende quando voltamos a contemplar o valor de quem amamos.
Como Cantares 5 aponta para Cristo
O amado que bate à porta e a esposa que hesita em abrir apontam para o modo como muitas vezes tratamos a Cristo. No Apocalipse, Jesus se apresenta à porta e diz: eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei. Assim como a esposa esfriou diante do amado, também o nosso coração pode esfriar diante de Cristo. E, como ela, somos chamados a não deixá-lo do lado de fora, mas a abrir-lhe a porta.
A redescoberta da beleza do amado, que reacende o amor da esposa, aponta para o caminho de reavivar o nosso amor por Cristo. Quando o afeto esfria, o remédio é voltar a contemplar quem ele é e tudo o que fez por nós. Ao relembrar a sua beleza, a sua graça e o seu amor, o coração se aquece de novo, e a comunhão que havia esfriado é restaurada.
E a declaração este é o meu amado, e este é o meu amigo aponta para o que Cristo é para os que creem. Jesus não é apenas Senhor, mas amado e amigo, que disse aos seus discípulos: já não vos chamo servos, mas amigos. Em Cristo, temos o amado que se entregou por nós e o amigo mais chegado que um irmão, e a alegria da vida cristã é poder chamá-lo, com todo o coração, de meu amado e meu amigo.
Três lições de Cantares 5 para hoje
Não deixe o amor esfriar pela indiferença
A esposa esfriou diante do marido por motivos triviais, e isso trouxe a dor da separação. A indiferença e a apatia ameaçam até os bons relacionamentos. Somos chamados a cuidar do amor com atenção, a não negligenciar quem amamos e a responder prontamente ao afeto que nos é oferecido, sabendo que pequenos descuidos, repetidos, podem esfriar o coração.
Reacenda o amor relembrando o valor do outro
A esposa reaviva o seu amor ao descrever e louvar a beleza do amado. Relembrar por que amamos alguém ajuda a restaurar o afeto que havia esfriado. Somos chamados a cultivar a gratidão e a admiração por aqueles que amamos, valorizando as suas qualidades em vez de focar apenas nas falhas, pois a admiração reaviva o amor.
Abra a porta para Cristo
O amado que bate à porta aponta para Jesus, que está à porta do nosso coração e bate. Muitas vezes o deixamos do lado de fora por indiferença ou distração. Somos chamados a ouvir a sua voz e a abrir-lhe a porta, cultivando com ele uma comunhão viva, e a não deixar que a apatia nos afaste daquele que é o nosso amado e amigo.
Perguntas frequentes sobre Cantares 5
Cantares 5 começa com a alegria da união consumada, aprovada por Deus. Em seguida, retrata um problema: a esposa hesita em atender ao marido que bate à porta, o perde por um momento e, ao buscá-lo, é ferida pelos guardas. Por fim, ao ser perguntada sobre ele, ela redescobre e louva a beleza do amado, reacendendo o seu amor e caminhando para a reconciliação.
Representa a indiferença e a apatia que podem esfriar o coração mesmo num bom casamento. A esposa apresenta desculpas triviais para não atender ao marido, e a consequência é a dor da separação. O episódio é um alerta para não negligenciar quem amamos, e aponta para o modo como muitas vezes tratamos a Cristo, que bate à porta do nosso coração.
Porque, ao ser perguntada pelas filhas de Jerusalém sobre o que torna o seu amado tão especial, ela tem a oportunidade de louvá-lo. E esse próprio ato de descrevê-lo reacende nela os sentimentos de amor. Relembrar o valor de quem amamos é um passo decisivo para restaurar o afeto que havia esfriado, tanto no casamento quanto na fé.
Muitos entendem que essa voz é a do próprio Deus, o único convidado apropriado no momento da consumação do casamento. Se o amor do casal procede dele, é apropriado que ele o aprove e os convide a desfrutarem plenamente do amor dentro do casamento. O versículo expressa a bênção e a aprovação de Deus sobre o amor conjugal.
O amado que bate à porta aponta para Cristo, que diz no Apocalipse que está à porta e bate. A esposa que redescobre a beleza do amado aponta para o caminho de reavivar o nosso amor por Jesus, contemplando quem ele é. E a frase este é o meu amado e este é o meu amigo aponta para Cristo, que é o nosso amado e amigo.
Referências
- BÍBLIA. Almeida Revista e Corrigida (ARC). Sociedade Bíblica do Brasil.
- WALTON, John H. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento.
- DEERE, Jack S. Comentário do conhecimento bíblico: Antigo Testamento (seção de Cânticos).