A abnegação é o chamado de Jesus para negar-se a si mesmo, tomar a cruz cada dia e segui-lo. Não é um acessório opcional da fé, mas a marca de todo verdadeiro discípulo: dizer não ao velho eu para viver inteiramente para Cristo.
Negar-se a si mesmo significa renunciar à confiança nas próprias forças e depender apenas de Deus para a salvação. É uma decisão diária, não um esforço de um único momento.
Confesso que, por muito tempo, ouvi pregações que só falavam das bênçãos que Deus tem para nos dar, e quase nada dos deveres que fazem parte de segui-lo. Isso enfraquece a fé.
Neste estudo, quero conversar com você sobre o poder da abnegação e por que ela precisa ser uma marca da nossa vida com Cristo.
O que significa a abnegação na vida cristã?
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Neste estudo você vai ver:
- O que Jesus quis dizer ao mandar o discípulo negar-se a si mesmo;
- Por que tomar a cruz é uma decisão diária, e não pontual;
- A diferença entre salvar a vida para si e perdê-la por amor a Cristo;
- Como a abnegação de Cristo é o fundamento da nossa.
A abnegação nasce de uma escolha: seguir a Cristo. Uma vez tomada essa decisão, Ele passa a ocupar todos os espaços da nossa vida, sem reservas nem áreas protegidas.
Por isso, o convite de Jesus não é para uma multidão de admiradores distantes, mas para quem realmente deseja caminhar atrás do Mestre, custe o que custar.
O que a Bíblia ensina sobre negar-se a si mesmo?
O adeus ao velho eu, Lucas 9:23
“E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.” (Lucas 9:23, ARC).
Negar-se a si mesmo é dizer, de uma vez por todas, “não” ao velho eu, aquele que se acha separado da graça que regenera. Quem se nega renuncia a toda confiança na própria natureza e passa a depender somente de Deus para a salvação.
A expressão “vir após mim” era comum para descrever o discipulado, pois os discípulos literalmente andavam atrás de seus mestres. Aqui, porém, seguir a Jesus significa unir-se a Ele e caminhar em seus passos como sinal de verdadeira conversão.
Tomar a cruz cada dia, a marca do discípulo
No tempo de Jesus, a cruz era um instrumento de execução violenta e dolorosa. Tomar a cruz significava carregar a viga horizontal até o lugar da morte, muitas vezes diante de uma multidão que escarnecia pelo caminho.
O que o condenado fazia sob coação, o discípulo de Cristo faz de forma voluntária: aceita, com decisão, a dor, a vergonha e a perseguição por amor a Cristo e à sua causa. E faz isso cada dia, lembrando que a sua vida já não é sua.
Vale um alerta: negar-se, tomar a cruz e seguir a Jesus não são etapas em sequência cronológica, como se acontecessem em momentos separados. A ordem é lógica: os três atos, juntos, descrevem a verdadeira conversão, seguida por uma vida inteira de santificação.
Perder a vida para de fato achá-la, Mateus 16:24-25
“Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á.” (Mateus 16:24-25, ARC).
Existe um paradoxo no centro do evangelho. Quem se agarra à própria vida, aos seus planos e à sua vontade acima de tudo, acaba por perdê-la. Quem a entrega por amor a Cristo é justamente quem a encontra de verdade.
A abnegação, portanto, não empobrece a vida do cristão. Ela a coloca nas mãos de Quem sabe guardá-la para a eternidade.
Não pela força própria, mas pela graça, Gálatas 2:20
“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim.” (Gálatas 2:20, ARC).
Ninguém consegue negar-se a si mesmo pelas próprias forças. Embora a conversão e a santificação sejam responsabilidade nossa, elas são impossíveis sem a regeneração, que é obra do Espírito Santo no coração.
E o Espírito não abandona o crente depois que ele nasce de novo. Ele permanece para sempre, capacitando o cristão a viver o que, de outro modo, jamais conseguiria por si mesmo.
Como a abnegação aponta para Cristo?
“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz.” (Filipenses 2:5-8, ARC).
Antes de pedir que nos neguemos, Cristo negou-se a si mesmo por nós. Ele deixou a glória, tomou a forma de servo e foi obediente até à morte de cruz. A nossa abnegação é sempre resposta à dele.
Por isso, tomar a cruz não é buscar sofrimento por sofrimento, mas seguir os passos daquele que primeiro nos amou e se entregou por nós. A graça que nos salva é a mesma que nos preserva no caminho.
Como viver a abnegação no dia a dia?
- Reconheça que seguir a Cristo envolve deveres, e não apenas bênçãos a receber;
- Entregue a Deus, todos os dias, os seus planos e a sua vontade, e não só nos grandes momentos;
- Quando o amor a Cristo custar a aprovação de pessoas próximas, escolha obedecer a Deus;
- Não confie nas próprias forças: peça ao Espírito Santo que o capacite a negar-se;
- Lembre-se de que quem entrega a vida por amor a Cristo é quem de fato a encontra.
Leia também:
- Estudo bíblico sobre santificação
- Aprendendo com Paulo e Silas na prisão
- Estudo bíblico sobre a Palavra de Deus
Perguntas frequentes sobre a abnegação
O que é abnegação na Bíblia?
Abnegação é o ato de negar-se a si mesmo para seguir a Cristo, conforme Lucas 9:23. Envolve renunciar à confiança nas próprias forças e à vontade do velho eu, colocando a Cristo acima de tudo.
Qual a diferença entre abnegação e sacrifício sem sentido?
A abnegação cristã não busca sofrimento por si mesmo. Ela é a entrega voluntária dos próprios interesses por amor a Cristo, seguindo os passos dele, e não um esforço de autopunição.
A abnegação é obrigatória para todo cristão?
Seguir a Cristo é uma decisão livre, mas uma vez tomada, a abnegação passa a fazer parte da vida do discípulo. Jesus deixou claro que negar-se a si mesmo é marca de quem o segue de verdade.
Consigo negar-me a mim mesmo pelas minhas próprias forças?
Não. A abnegação verdadeira só é possível pela obra do Espírito Santo, que regenera o coração e capacita o crente. É responsabilidade nossa, mas depende inteiramente da graça de Deus.
Como a abnegação se relaciona com Jesus Cristo?
Cristo se negou a si mesmo primeiro, aniquilando-se e humilhando-se até à morte de cruz por nós (Filipenses 2:5-8). A nossa abnegação é resposta ao amor dele e caminho de comunhão com ele.
Referências
BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada: Almeida Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: Lucas. São Paulo: Cultura Cristã.
KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova.
aleluia ,Deus seja louvado para todo o sempre
amem…