Jeremias 43 mostra o que acontece quando alguém rejeita a verdade que não quer ouvir. Depois de pedir a orientação de Deus, o remanescente a despreza: Azarias, Joanã e os homens soberbos acusam Jeremias de mentir, dizendo que Baruque o incitava contra eles, e levam todo o povo, inclusive o profeta e o seu escriba, para o Egito, até Tafnes. Ali Deus manda Jeremias esconder pedras grandes no barro diante do palácio do faraó, como sinal de que Nabucodonosor viria, poria o seu trono sobre aquelas pedras e feriria o Egito, queimando os templos e os obeliscos de Heliópolis. O capítulo revela que não há refúgio contra a soberania de Deus, nem mesmo no Egito.
Quando leio este capítulo, o que me impressiona é a rapidez com que a promessa de obediência virou acusação. Ontem prometiam obedecer, hoje chamam o profeta de mentiroso. E me lembro de como é fácil o coração rejeitar a verdade quando ela contraria aquilo que já decidimos.
Qual é o contexto histórico e teológico de Jeremias 43?
>>> Inscreva-se em nosso Canal no YouTube
Neste estudo você vai ver:
- Como o povo acusou Jeremias de mentir.
- A ida forçada do profeta ao Egito, a Tafnes.
- O sinal das pedras escondidas no barro.
- Como o capítulo mostra a soberania de Deus sobre as nações.
O capítulo é o desfecho do pedido de orientação feito no capítulo anterior. A resposta de Deus foi clara: ficar na terra. Mas o povo já tinha decidido o contrário e reagiu com rejeição (MACKAY, 2018).
Ao descerem ao Egito, encerra-se qualquer esperança de restauração da comunidade deixada em Judá. Este estudo dá sequência ao capítulo 42 e prepara o capítulo 44.
O Comentário Histórico-Cultural situa Tafnes como uma fortaleza egípcia no leste do delta do Nilo, onde já havia comunidade judaica, e lembra que enterrar pedras diante do palácio simbolizava a mudança de governantes, anunciando o domínio babilônico sobre o Egito (WALTON; MATTHEWS; CHAVALAS, 2018).
Como se desenvolve a análise do texto bíblico em Jeremias 43?
A orientação desprezada (43.1-7)
Assim que Jeremias termina de anunciar toda a palavra do Senhor, Azarias, Joanã e todos os homens soberbos reagem. O termo usado descreve pessoas que se colocam acima da lei de Deus, arrogando-se direitos que não lhes pertencem (MACKAY, 2018).
Eles acusam Jeremias diretamente: “Tu dizes mentira; o Senhor não te enviou”. E, para justificar a rejeição, culpam Baruque, afirmando que o escriba incitava o profeta contra eles, para entregá-los aos caldeus.
Sem obedecer à voz do Senhor, Joanã e os comandantes tomam todo o remanescente e descem ao Egito, chegando a Tafnes. É impressionante que levem consigo Jeremias e Baruque, cuja palavra acabaram de rejeitar, quase como um amuleto de segurança (MACKAY, 2018).
O sinal contra o Egito (43.8-13)
Mesmo no Egito, a palavra de Deus alcança o profeta. O Senhor manda Jeremias tomar pedras grandes e escondê-las no barro do pavimento, à entrada do palácio do faraó em Tafnes, diante dos judeus. A ação simbólica precede a mensagem (MACKAY, 2018).
A explicação vem em seguida: Deus traria Nabucodonosor, chamado aqui de “meu servo”, que poria o seu trono sobre aquelas pedras. O rei que o povo temia e de quem fugia iria alcançá-los até o Egito, por determinação do próprio Senhor.
Nabucodonosor feriria a terra do Egito, levando à morte, ao cativeiro e à espada, e queimaria os templos dos deuses egípcios, quebrando os obeliscos de Heliópolis, a cidade do sol. O Comentário Histórico-Cultural lembra que esses obeliscos ladeavam o templo de Amom-Rá, e que uma invasão babilônica do Egito de fato ocorreu no tempo de Nabucodonosor. O refúgio escolhido pelo povo não os protegeria do juízo (MACKAY, 2018; WALTON; MATTHEWS; CHAVALAS, 2018).
Como Jeremias 43 se conecta com Cristo e o evangelho?
A soberania de Deus sobre as nações e a rejeição da sua palavra apontam para o evangelho. Jeremias 43 se conecta com Cristo de várias maneiras.
- A verdade rejeitada: como o povo chamou Jeremias de mentiroso, Cristo, a própria Verdade, foi rejeitado pelos seus (João 8.45).
- Deus governa as nações: o Senhor comanda até Nabucodonosor e o Egito, pois todo joelho se dobrará diante de Cristo (Filipenses 2.10).
- Não há refúgio fora de Deus: o Egito não protegeu do juízo, mas em Cristo há verdadeiro refúgio para a alma (Hebreus 6.18).
- A palavra que alcança em toda parte: Deus falou mesmo no Egito, pois a sua palavra não se prende e alcança os confins da terra (Atos 1.8).
- O perigo do coração soberbo: os homens soberbos rejeitaram Deus, mas Cristo exalta os humildes e resiste aos soberbos (Tiago 4.6).
Quais são as lições espirituais e aplicações práticas de Jeremias 43?
Quando medito neste capítulo, três realidades me confrontam. A primeira é a facilidade de rejeitar a verdade difícil. Quando a palavra de Deus contraria o que queremos, a tentação é desacreditá-la ou culpar quem a anuncia, como fizeram com Jeremias e Baruque.
A segunda é que não há refúgio contra a soberania de Deus. O povo fugiu para o Egito buscando segurança, mas o Senhor governava também aquela terra. Nenhum plano humano nos coloca fora do alcance da vontade divina.
A terceira é o perigo da soberba. Os homens soberbos se colocaram acima da palavra de Deus e arrastaram todo o povo consigo. O orgulho que despreza a correção divina sempre cobra um preço alto.
Fica aqui uma palavra: a verdadeira segurança não está em fugir para onde a razão aponta, mas em obedecer àquele que governa todas as nações. Que possamos receber a palavra de Deus mesmo quando ela nos confronta, em vez de buscar refúgios que não podem nos salvar.
Perguntas frequentes sobre Jeremias 43
O remanescente rejeita a ordem de Deus para ficar na terra. Azarias, Joanã e os homens soberbos acusam Jeremias de mentir e levam todo o povo, inclusive o profeta e Baruque, para o Egito. Em Tafnes, Deus anuncia por um sinal que Nabucodonosor viria ferir o Egito (MACKAY, 2018).
Porque a mensagem de Deus contrariava o que já tinham decidido. Para justificar a desobediência, os homens soberbos alegaram que Jeremias falava falsamente e que Baruque o incitava contra eles, a fim de entregá-los aos caldeus. Era uma forma de racionalizar a rejeição da palavra (MACKAY, 2018).
Era um sinal profético. Deus mandou Jeremias esconder pedras grandes no barro diante do palácio do faraó para anunciar que Nabucodonosor viria ao Egito e poria o seu trono sobre aquelas pedras. Enterrar pedras simbolizava a mudança de governantes e o domínio babilônico (MACKAY, 2018; WALTON; MATTHEWS; CHAVALAS, 2018).
Porque, mesmo sem reconhecer o Senhor, Nabucodonosor executava os propósitos de Deus como instrumento do seu juízo. O título mostra que o rei da Babilônia agia dentro do plano divino, e que Deus governa até as nações pagãs para cumprir a sua palavra (MACKAY, 2018).
O capítulo alerta contra rejeitar a verdade difícil e culpar quem a anuncia, mostra que não há refúgio contra a soberania de Deus e adverte sobre o perigo da soberba. Ele nos chama a receber a palavra de Deus mesmo quando ela nos confronta (MACKAY, 2018).
Referências
BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
MACKAY, John L. Jeremias. São Paulo: Cultura Cristã, 2018. Disponível em: https://amzn.to/3NemwXf.
WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2018. Disponível em: https://amzn.to/4w5iBxP.