Toda grande obra para Deus começa muito antes de a primeira pedra ser assentada. Ela nasce nos bastidores, no planejamento cuidadoso, nas parcerias e no esforço silencioso de preparação. 1Reis 5 nos leva justamente a essa fase, quando Salomão reúne materiais, mão de obra e alianças para construir o templo, a casa da presença de Deus no meio do seu povo.
Neste estudo de 1Reis 5, acompanhamos o acordo de Salomão com Hirão, rei de Tiro, o fornecimento do cedro do Líbano e o recrutamento dos trabalhadores para a obra. É um capítulo sobre dedicação, preparo e o alto custo de edificar algo que honre a Deus.
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Hirão procura Salomão e o pedido do rei (1Reis 5.1-6)
Ao saber que Salomão havia sucedido a Davi no trono, Hirão, rei de Tiro, envia embaixadores para cumprimentar o novo rei, filho do seu antigo amigo e aliado. Tiro era uma próspera cidade portuária fenícia, cuja riqueza vinha do comércio naval, mas que dependia de parcerias com povos vizinhos para obter alimentos, já que tinha pouca terra cultivável. Um Israel forte e unido sob Salomão era o parceiro ideal.
Salomão então explica a Hirão um ponto importante. O seu pai Davi desejara construir uma casa ao nome do Senhor, mas não pôde por causa das muitas guerras que o cercaram. Agora, porém, Deus lhe dera paz por todos os lados, sem adversários nem calamidades, e por isso ele mesmo edificaria o templo, cumprindo a promessa que Deus fizera a Davi. Aqui está o ponto central do capítulo: a paz é apresentada como a condição que tornou possível a construção da casa de Deus.
Em seguida, Salomão faz o seu pedido de forma amistosa. Ele solicita que Hirão mande cortar os cedros do Líbano, oferece trabalhadores de Israel para ajudar e se compromete a pagar os salários que Hirão determinasse, reconhecendo que os sidônios eram insuperáveis no corte da madeira.
O acordo comercial e a aliança de paz (1Reis 5.7-12)
Hirão recebe a proposta com grande alegria e chega a louvar o Deus de Israel por ter dado a Davi um filho tão sábio para governar aquele povo numeroso. Ele concorda em fornecer a madeira de cedro e de cipreste, sugerindo transportá-la por jangadas ao longo da costa do mar até o lugar que Salomão indicasse, e pede em troca alimento para sustentar a sua casa real.
Salomão fecha o acordo, entregando anualmente grandes quantidades de trigo e de azeite puro para a casa de Hirão. O narrador atribui o êxito de todo esse arranjo à sabedoria que Deus havia concedido a Salomão. Firma-se então um tratado formal de paz entre os dois reis, uma aliança que uniu interesses econômicos e políticos e se manteve por muitos anos. É um exemplo de como Deus usa parcerias, inclusive com quem está de fora do seu povo, para realizar os seus propósitos.
O recrutamento dos trabalhadores (1Reis 5.13-18)
Para uma obra dessa magnitude, Salomão levanta uma grande leva de trabalhadores em todo o Israel. Milhares de homens são enviados ao Líbano em turnos alternados, passando um mês fora e dois meses em casa, sob a supervisão de Adonirão. Somam-se a eles dezenas de milhares de carregadores e cortadores de pedra nas montanhas, com milhares de capatazes coordenando o serviço.
Os operários de Salomão trabalhavam junto com os mestres de Hirão e com os homens de Gebal, a antiga Biblos, que eram peritos em preparar a madeira e talhar as grandes pedras. Nas pedreiras da região montanhosa, artesãos qualificados extraíam e cortavam enormes blocos de pedra que serviriam de alicerce para o templo. É a mobilização massiva de recursos e de pessoas que antecede o início da construção.
Vale uma observação. Esse sistema de trabalho compulsório, embora eficiente, acabou se tornando impopular com o tempo e é lembrado como uma das causas do descontentamento que mais tarde levaria à divisão do reino. É um lembrete de que nem toda estratégia bem-sucedida é isenta de custo humano.
Como 1Reis 5 aponta para Cristo
O templo era o lugar da presença de Deus no meio do seu povo, e a sua construção só foi possível quando houve paz. O evangelho aponta para muito além dessa casa de pedra. Jesus se apresentou como o verdadeiro templo, o lugar definitivo do encontro entre Deus e os homens, e conquistou uma paz que não é apenas ausência de guerra, mas reconciliação plena com Deus por meio da cruz.
Assim como a construção do templo exigiu preparo, esforço e um custo altíssimo, a edificação do povo de Deus foi custeada pelo próprio Cristo, que se entregou por nós. A paz que Salomão desfrutava para construir a casa terrena é uma sombra da paz definitiva que Jesus nos garante.
E a igreja é hoje descrita como o edifício de Deus, formado por pedras vivas assentadas sobre Cristo, a pedra angular. Assim como Salomão reuniu materiais e trabalhadores de vários povos, inclusive estrangeiros, para a obra, Deus reúne pessoas de todas as nações para formar a morada do seu Espírito. Somos, todos os que cremos, parte dessa construção viva.
Três lições de 1Reis 5 para hoje
A obra de Deus começa com preparação silenciosa
Antes de qualquer parede erguida, houve negociação, planejamento, transporte e corte de pedra. Grandes propósitos espirituais costumam exigir uma etapa longa e pouco visível de preparo. Vale a pena investir nela com fidelidade, mesmo quando não há aplausos nem resultados imediatos à vista.
Deus usa parcerias, inclusive com quem está de fora
Salomão contou com Hirão e com artesãos fenícios para realizar a obra. Reconhecer que precisamos uns dos outros e saber cooperar com honestidade e generosidade, como Salomão fez ao pagar salários justos, é parte de construir algo que verdadeiramente honre a Deus.
Nem toda estratégia é isenta de custo humano
A leva de trabalho, embora eficiente, plantou ressentimentos que amadureceram numa crise futura. Ao liderar ou organizar qualquer projeto, é preciso pesar não apenas o resultado, mas também o modo como as pessoas são tratadas ao longo do processo.
Perguntas frequentes sobre 1Reis 5
Hirão era o rei da próspera cidade portuária fenícia de Tiro e havia sido amigo e aliado de Davi. Ao saber que Salomão assumira o trono, enviou embaixadores e firmou com ele um acordo, fornecendo madeira e artesãos para a construção do templo.
Salomão explica que Davi desejou construir a casa do Senhor, mas não pôde por causa das muitas guerras que o cercaram. Coube a Salomão, sob cujo reinado havia paz por todos os lados, iniciar a construção do templo, cumprindo a promessa de Deus.
Hirão fornecia cedro e cipreste do Líbano, transportados por jangadas pela costa, e mestres para preparar a madeira. Em troca, Salomão pagava anualmente com grandes quantidades de trigo e azeite, sustentando a casa real de Hirão. Era um tratado de paz.
Salomão levantou uma grande leva de trabalhadores, enviando milhares ao Líbano em turnos de um mês fora e dois em casa, além de dezenas de milhares de carregadores e cortadores de pedra, com muitos capatazes supervisionando a obra.
O templo era o lugar da presença de Deus e só foi construído em tempo de paz. Jesus é o verdadeiro templo e nos deu a paz com Deus pela cruz. A igreja é o edifício de Deus, pedras vivas de todos os povos assentadas sobre Cristo, a pedra angular.
Referências
- BÍBLIA. Almeida Revista e Corrigida (ARC). Sociedade Bíblica do Brasil.
- WALTON, John H. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento.
- CONSTABLE, Thomas L. Comentário do conhecimento bíblico: Antigo Testamento (seção de 1Reis).