Por onde começar quando é preciso reconstruir tudo do zero? O povo que voltou do exílio deu uma resposta reveladora em Esdras 3: antes de tocar em qualquer pedra do templo, eles reergueram o altar para retomar a adoração a Deus. A ordem das prioridades ensina uma lição poderosa: a comunhão com Deus vem primeiro, mesmo quando a estrutura ainda não existe. É a história de um recomeço marcado por esperança e por profunda emoção.
Neste estudo de Esdras 3, vemos a reconstrução do altar e a retomada da adoração apesar do medo, os preparativos para a obra do templo e o lançamento dos alicerces, quando o louvor de alegria se misturou ao choro dos que se lembravam do templo anterior. É um capítulo sobre priorizar a adoração, recomeçar segundo a Palavra e celebrar a bondade de Deus.
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A reconstrução do altar (Esdras 3.1-6)
A primeira tarefa da comunidade que retornou não foi levantar paredes, mas restaurar o altar e o sistema de sacrifícios que os identificava como povo de Deus. No sétimo mês, o povo se reuniu como um só homem, revelando unanimidade quanto à urgência de começar. Sob a liderança de Jesua, o sacerdote, e de Zorobabel, o líder civil, ergueram o altar exatamente segundo o que estava escrito na Lei de Moisés.
Um detalhe importante é que eles construíram e ofereceram holocaustos apesar do medo dos povos ao redor. O temor era real, mas não paralisou a adoração. O povo também celebrou a Festa dos Tabernáculos e retomou as ofertas contínuas da manhã e da tarde. A ordem das prioridades é reveladora: a adoração e a comunhão com Deus vinham antes mesmo da estrutura física do templo. Voltar a Deus significou colocar o altar e a Palavra no centro da vida.
Os preparativos e o início da obra (Esdras 3.7-9)
Antes de erguer o templo, houve um período de preparação. Deram dinheiro aos pedreiros e carpinteiros e forneceram alimento, bebida e azeite aos sidônios e tírios para que trouxessem cedros do Líbano, transportados por mar até Jope e daí levados a Jerusalém, tudo dentro da autorização concedida pelo rei Ciro. A logística lembrava deliberadamente a de Salomão, séculos antes.
A obra começou no segundo ano após a chegada, e Zorobabel designou os levitas como supervisores do projeto, função coerente com o papel histórico deles no cuidado da casa de Deus. Cada passo era dado com organização e cuidado. O povo não avançava de qualquer maneira, mas com dedicação e planejamento, mostrando que recomeçar com Deus envolve tanto fé quanto diligência na obra que ele confia.
O alicerce e o louvor misturado ao choro (Esdras 3.10-13)
Quando os construtores lançaram o fundamento do templo, montou-se uma cerimônia solene moldada segundo as instruções de Davi. Os sacerdotes tocaram trombetas e os levitas fizeram soar os címbalos, louvando ao Senhor com o refrão: Ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre sobre Israel. Por meio desse louvor, o povo reconhecia publicamente que Deus, mais uma vez, estabelecera o seu amor leal e fiel sobre a nação, e todos levantaram um grande brado de alegria.
Mas houve um contraste comovente. Muitos dos sacerdotes, levitas e anciãos que tinham visto o primeiro templo choraram em alta voz, comparando a modéstia do projeto atual com o esplendor da obra de Salomão. Os dois sons, a alegria e o pranto, se fundiram de tal modo que ninguém conseguia distingui-los. Essa cena encapsula a tensão de todo recomeço: a esperança dos que olham para o que Deus fará convive com a saudade dos que lamentam o que se perdeu.
Como Esdras 3 aponta para Cristo
A prioridade do altar, restaurado antes mesmo do templo, aponta para Cristo, o centro da nossa adoração e o meio da nossa reconciliação com Deus. Assim como o povo não podia se aproximar de Deus sem o altar e os sacrifícios, nós só nos aproximamos do Pai por meio de Jesus, o sacrifício perfeito. Ele é o verdadeiro altar e a verdadeira oferta, por quem temos acesso a Deus e comunhão restaurada.
O louvor que proclamava que Deus é bom e que a sua misericórdia dura para sempre aponta para o amor de aliança que se revela plenamente em Cristo. Foi na cruz que a bondade e o amor leal de Deus se manifestaram de forma definitiva, quando Jesus se entregou por nós. A misericórdia eterna cantada pelo povo tem o seu fundamento e o seu cumprimento na obra de Cristo, que nos garante o favor de Deus para sempre.
E o segundo templo, mais modesto que o primeiro, mas ainda assim casa da presença de Deus, aponta para uma glória maior que estava por vir. As Escrituras dizem que a glória desta última casa seria maior que a da primeira, pois nela entraria o próprio Cristo. Aquilo que parecia pequeno aos olhos dos que choravam seria honrado pela presença do Messias, lembrando que Deus faz grandes coisas mesmo através de começos humildes.
Três lições de Esdras 3 para hoje
Priorize a adoração
O povo restaurou primeiro o altar, antes mesmo de lançar o alicerce do templo, colocando a comunhão com Deus acima da estrutura. Somos chamados a fazer o mesmo, priorizando a adoração e o relacionamento com Deus antes de qualquer projeto, carreira ou construção. Quando colocamos Deus em primeiro lugar, tudo o mais encontra o seu devido lugar, e a nossa vida se edifica sobre o fundamento correto.
Adore apesar do medo
Mesmo temendo os povos vizinhos, o povo ergueu o altar e ofereceu holocaustos ao Senhor. O medo era real, mas não teve a palavra final sobre a obediência. Somos chamados a não permitir que a hostilidade ou o temor do ambiente interrompam a nossa adoração e a nossa fidelidade a Deus. A verdadeira devoção avança mesmo diante da oposição, confiando naquele que é maior do que todos os nossos temores.
Não deixe a saudade sufocar a alegria do novo
Enquanto muitos se alegravam, os mais velhos choravam, comparando o novo templo com a glória do passado. A nostalgia do que era melhor antes pode roubar o gozo daquilo que Deus está fazendo agora. Somos chamados a não deixar a saudade do passado sufocar a alegria do presente, reconhecendo que pequenos começos também são obra de Deus e que ele está sempre fazendo coisas novas.
Perguntas frequentes sobre Esdras 3
Em Esdras 3, o povo que voltou do exílio reconstruiu primeiro o altar para retomar os sacrifícios, mesmo temendo os povos vizinhos. Depois celebraram a Festa dos Tabernáculos e iniciaram a reconstrução do templo. Quando lançaram os alicerces, houve louvor e alegria, misturados ao choro dos que lembravam o primeiro templo.
Porque a prioridade era restaurar a adoração e o sistema de sacrifícios que os identificava como povo de Deus e pelo qual havia expiação. A comunhão com Deus vinha antes da estrutura física. Mesmo sem o templo, o povo quis colocar Deus no centro, retomando o culto conforme a Lei de Moisés.
Muitos sacerdotes, levitas e anciãos que tinham visto o primeiro templo, o de Salomão, choraram ao ver o novo alicerce, comparando a modéstia do projeto atual com o esplendor da obra anterior. A saudade do passado glorioso se misturou à alegria do novo começo, a ponto de os dois sons se confundirem.
Ao lançarem o alicerce do templo, os sacerdotes e levitas louvaram ao Senhor com o refrão de que Ele é bom e que a sua misericórdia dura para sempre sobre Israel. Esse louvor, quase idêntico ao da dedicação do templo de Salomão, reconhecia o amor leal e eterno de Deus para com o seu povo.
A prioridade do altar aponta para Cristo, o sacrifício perfeito por quem nos aproximamos de Deus. O louvor à misericórdia eterna aponta para o amor de aliança revelado na cruz. E o segundo templo, mais modesto, aponta para a glória maior que viria, pois nele entraria o próprio Cristo, o Messias.
Referências
- BÍBLIA. Almeida Revista e Corrigida (ARC). Sociedade Bíblica do Brasil.
- WALTON, John H. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento.
- MARTIN, John A. Comentário do conhecimento bíblico: Antigo Testamento (seção de Esdras).