Ester 8 estudo: como Deus transforma o luto em alegria?

Depois da queda de Hamã, um problema imenso permanecia: o decreto de morte contra os judeus ainda estava em vigor, e as leis dos medos e persas não podiam ser revogadas. Como salvar um povo de uma sentença que, por lei, era irrevogável? Ester 8 traz a solução e a virada completa: não pela anulação da lei antiga, mas por um decreto superior de livramento. É um capítulo sobre a passagem da angústia para a alegria.

Neste estudo de Ester 8, veremos a elevação de Mardoqueu, que recebe o anel do rei e a casa de Hamã, o novo apelo de Ester diante do trono, o segundo decreto que autoriza os judeus a se defenderem, e a explosão de alegria e luz para o povo, que leva muitos gentios a se aliarem aos judeus. É um capítulo sobre reversão, livramento e o testemunho que atrai.

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A elevação de Mardoqueu (Ester 8.1-2)

Naquele mesmo dia, o rei entregou a Ester a casa de Hamã, o inimigo dos judeus, pois os bens dos condenados eram confiscados pela coroa persa. Ester revelou ao rei o parentesco de Mardoqueu com ela, e Mardoqueu foi trazido à presença do rei. Então o rei tirou o seu anel-selo, que havia retomado de Hamã, e o entregou a Mardoqueu, dando-lhe a autoridade real. E Ester encarregou Mardoqueu de administrar a casa de Hamã.

A ironia da reviravolta é completa. O anel que Hamã usara para decretar a morte dos judeus estava agora nas mãos de Mardoqueu. A propriedade que Hamã planejara tomar dos judeus foi tirada dele e entregue a Ester e Mardoqueu. A posição que Hamã ocupava passou ao homem que ele odiava. Deus havia invertido completamente a situação, exaltando o humilde e derrubando o soberbo.

O novo apelo de Ester (Ester 8.3-8)

A crise, porém, não estava resolvida. O decreto de extermínio ainda vigorava. Por isso Ester voltou a se prostrar diante do rei, chorando e suplicando que ele revogasse o plano maligno de Hamã contra os judeus. Arriscando-se novamente, ela expressou o seu coração: como poderia suportar ver a calamidade que sobreviria ao seu povo e a destruição da sua parentela? Mais uma vez, ela se identificava plenamente com o sofrimento dos seus.

O rei estendeu o cetro de ouro a Ester, sinal do seu favor, e explicou o impasse jurídico: um decreto escrito em nome do rei e selado com o seu anel não podia ser revogado. A solução seria escrever um novo decreto. Assim, o rei concedeu a Ester e a Mardoqueu autoridade para redigir, em nome dele e com o selo real, aquilo que julgassem melhor em favor dos judeus. A lei antiga não seria anulada, mas seria sobreposta por uma nova.

O segundo decreto (Ester 8.9-14)

Mardoqueu ditou o novo decreto, expedido no mês de Sivã, cerca de setenta dias depois do decreto de Hamã. Ele foi escrito para todas as províncias, da Índia à Etiópia, em suas diversas línguas, e enviado a toda pressa por mensageiros montados em cavalos velozes, corcéis das cavalariças reais. O novo edito concedia aos judeus, em todas as cidades, o direito de se reunirem e defenderem as suas vidas, destruindo qualquer força que os atacasse, e de tomar os bens dos seus inimigos.

A engenhosidade da solução está em que o primeiro decreto retirava dos judeus a proteção do império; o segundo devolvia a eles o direito de se defender e retirava a proteção real de quem os atacasse. Assim, agir contra os judeus deixava de ser cumprir uma ordem do rei e passava a ser um ato sem respaldo, sujeito à resistência armada. Os judeus, antes condenados, agora tinham o poder e o tempo, cerca de nove meses, para se preparar para o dia marcado.

A alegria e a luz para os judeus (Ester 8.15-17)

Mardoqueu saiu da presença do rei vestido de trajes reais azul e branco, as cores da realeza persa, com uma grande coroa de ouro e um manto de linho fino e púrpura. A cidade de Susã exultou de alegria. Que contraste: antes, sob o decreto de Hamã, Susã ficara perplexa e consternada; agora, sob o decreto de Mardoqueu, a cidade celebrava. Para os judeus, houve luz, alegria, regozijo e honra.

Em cada província e cidade aonde chegava a palavra do rei, os judeus tinham festa e dias de banquete. E o texto acrescenta um detalhe notável: muitos dentre os povos da terra se tornaram judeus, aliando-se a eles, porque o temor dos judeus havia caído sobre eles. O livramento visível do povo de Deus tornou-se um testemunho que atraiu outros, e a mão protetora de Deus começou a se tornar evidente até para as nações.

Como Ester 8 aponta para Cristo

A solução do impasse em Ester 8, em que a lei irrevogável de morte não é anulada, mas superada por um decreto superior de livramento, aponta poderosamente para o evangelho. A justa lei de Deus condenava o pecador à morte, e essa sentença não podia ser simplesmente ignorada. Mas, em Cristo, um decreto maior de graça se sobrepôs: Jesus cumpriu a lei e satisfez a sua justiça, trazendo vida onde havia condenação, sem violar a justiça de Deus.

A elevação de Mardoqueu, que recebe o anel e a autoridade para trazer livramento ao povo, aponta para Cristo exaltado, a quem foi dado todo o poder no céu e na terra. Assim como Mardoqueu, revestido de glória, atuou para salvar o seu povo, Jesus, exaltado à direita do Pai, intercede e age em favor dos seus. Nele, a autoridade suprema está a serviço da salvação e do bem do povo de Deus.

E a passagem da angústia para a luz e a alegria aponta para a alegria da salvação em Cristo. Assim como o luto dos judeus se transformou em festa, Jesus transforma o nosso pranto em dança e nos veste de alegria. E, como o livramento atraiu muitos para o povo de Deus, também a salvação em Cristo é um testemunho que atrai as nações, reunindo pessoas de todos os povos ao redor do Salvador.

Três lições de Ester 8 para hoje

Deus transforma o luto em alegria

A mesma cidade que estava consternada sob o decreto de morte passou a celebrar sob o decreto de livramento. Deus é capaz de transformar completamente as nossas situações, trocando a tristeza pela alegria. Quando passamos por tempos de angústia, somos chamados a manter a esperança, lembrando que a nossa história está nas mãos de um Deus que pode virar o luto em festa e trazer luz onde havia trevas.

Persista na intercessão pelos outros

Mesmo depois da queda de Hamã, Ester não descansou enquanto o seu povo estava em perigo; voltou a arriscar-se, chorando e suplicando pela vida de todos. O verdadeiro amor não se contenta com a própria segurança, mas intercede pelos que ainda estão em risco. Somos chamados a essa persistência, orando e agindo em favor dos outros, sem desistir enquanto houver quem precise de livramento e cuidado.

O livramento de Deus é um testemunho que atrai

Ao verem o livramento e a bênção sobre os judeus, muitos gentios se aliaram a eles, reconhecendo a ação de Deus. A forma como Deus cuida do seu povo é um testemunho poderoso para os que estão ao redor. Somos chamados a viver de tal modo que a nossa vida revele a bondade e o cuidado de Deus, atraindo outros a ele, pois o livramento e a alegria dos que confiam no Senhor despertam nos demais o desejo de conhecê-lo.

Perguntas frequentes sobre Ester 8

O que aconteceu em Ester 8?

Em Ester 8, o rei entregou a casa de Hamã a Ester e deu o seu anel-selo a Mardoqueu. Como o decreto de morte contra os judeus não podia ser revogado, Ester suplicou e o rei autorizou um novo decreto, permitindo que os judeus se defendessem. Mardoqueu foi exaltado, e houve grande alegria entre os judeus.

Por que o decreto contra os judeus não pôde ser revogado?

Porque, segundo a lei dos medos e persas, um decreto escrito em nome do rei e selado com o seu anel era irrevogável. Por isso, em vez de anular o decreto de Hamã, o rei autorizou Mardoqueu a escrever um segundo decreto que se sobrepunha ao primeiro, permitindo que os judeus se defendessem dos seus inimigos.

O que o segundo decreto permitia aos judeus?

O segundo decreto concedia aos judeus, em todas as cidades, o direito de se reunirem e defenderem as suas vidas, destruindo qualquer força armada que os atacasse, e de tomar os bens dos seus inimigos. Isso retirava a proteção real de quem os atacasse, invertendo a situação e dando ao povo tempo e meios para se preparar.

Por que muitos se tornaram judeus em Ester 8?

O texto diz que muitos dos povos da terra se tornaram judeus porque o temor dos judeus havia caído sobre eles. Ao verem o livramento e a bênção sobre o povo de Deus, muitos se aliaram a eles. O livramento visível tornou-se um testemunho da proteção de Deus, atraindo outros para junto do seu povo.

Como Ester 8 aponta para Jesus?

A lei irrevogável de morte superada por um decreto de livramento aponta para o evangelho, em que Cristo satisfaz a justiça de Deus e traz vida onde havia condenação. A exaltação de Mardoqueu aponta para Cristo, a quem foi dado todo o poder, e a passagem do luto para a alegria aponta para a alegria da salvação em Jesus.

Referências

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