Jeremias 34 Estudo: por que voltar atrás com Deus custa caro?

Jeremias 34 mostra o preço de voltar atrás com Deus. Durante o cerco babilônico, o rei Zedequias faz um pacto solene para libertar os escravos hebreus, conforme a Lei. O povo obedece por um momento, mas logo muda de ideia e escraviza de novo os que havia soltado. Deus reage com dureza: como não proclamaram verdadeira liberdade ao próximo, ele proclamaria contra eles a liberdade para a espada, a peste e a fome. É um capítulo severo sobre a fidelidade à palavra dada e a santidade do nome de Deus.

Quando leio este capítulo, o que me pesa é a facilidade com que o povo voltou atrás. Fizeram uma aliança diante de Deus, no templo, e pouco depois desfizeram tudo. E me pergunto quantas decisões tomo diante do Senhor que depois abandono quando a pressão passa.

Qual é o contexto histórico e teológico de Jeremias 34?

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Neste estudo você vai ver:

  • A palavra de Deus a Zedequias durante o cerco.
  • O pacto para libertar os escravos e a traição que veio depois.
  • O que significa a liberdade proclamada para a espada.
  • Como o capítulo aponta para a verdadeira liberdade em Cristo.

O capítulo se passa nos últimos dias de Judá, quando Nabucodonosor e os seus exércitos cercavam Jerusalém. O texto observa que apenas Jerusalém, Laquis e Azeca ainda resistiam, as últimas cidades fortificadas que não haviam caído. O cenário é de derrota iminente (MACKAY, 2018).

Continuando os capítulos anteriores sobre a queda de Judá, este capítulo tem dois blocos: uma palavra pessoal ao rei Zedequias e a denúncia da aliança quebrada em relação aos escravos. Este estudo dá sequência ao capítulo 33 e prepara o capítulo 35.

O Comentário Histórico-Cultural lembra que a libertação dos escravos hebreus estava prevista na Lei, que mandava soltar o escravo israelita no sétimo ano. O rito de cortar um animal ao meio e passar entre as partes selava a aliança, invocando sobre quem a quebrasse o mesmo destino do animal (WALTON; MATTHEWS; CHAVALAS, 2018).

Como se desenvolve a análise do texto bíblico em Jeremias 34?

A palavra a Zedequias (34.1-7)

Enquanto Nabucodonosor e todos os reinos sob o seu domínio combatiam contra Jerusalém, Deus envia Jeremias a Zedequias com uma palavra dura, mas com um traço de misericórdia. A cidade seria entregue ao rei da Babilônia e queimada, e o próprio Zedequias não escaparia (MACKAY, 2018).

O rei seria capturado, veria Nabucodonosor face a face e seria levado para a Babilônia. Ainda assim, Deus promete que ele não morreria à espada, mas em paz, e que haveria queima de especiarias em sua honra, como se fazia com os reis. Mesmo no juízo, havia certa dignidade preservada.

O texto reforça o quadro histórico ao dizer que o exército da Babilônia pelejava contra Jerusalém e contra as cidades que restavam, Laquis e Azeca, as únicas cidades fortificadas de Judá que ainda não tinham caído (MACKAY, 2018).

O pacto para libertar os escravos (34.8-11)

Zedequias faz um pacto com todo o povo em Jerusalém para proclamar liberdade aos escravos. Cada um deveria libertar o seu servo e a sua serva hebreus, para que ninguém mais se servisse de um irmão judeu como escravo, conforme mandava a Lei (MACKAY, 2018).

A princípio, houve obediência. Todos os príncipes e todo o povo que participaram do pacto concordaram em libertar os seus escravos, e assim o fizeram. Foi um momento de aparente arrependimento e retorno à vontade de Deus.

Mas a mudança durou pouco. Logo depois, eles se arrependeram do bem que haviam feito e fizeram voltar os que tinham soltado, sujeitando-os de novo à escravidão. O provável motivo foi o recuo temporário dos babilônios, que fez o povo achar que o perigo tinha passado.

A denúncia da aliança quebrada (34.12-16)

Deus confronta o povo lembrando a aliança que fez com os seus pais quando os tirou do Egito, a casa da servidão. Ali ordenou que, no sétimo ano, cada um libertasse o irmão hebreu que lhe tivesse sido vendido. Os pais, porém, não obedeceram (MACKAY, 2018).

Naquele dia, o povo havia se convertido e feito o que era reto aos olhos de Deus, proclamando a liberdade cada um ao seu próximo, e selaram o pacto na casa que leva o nome do Senhor. O ato foi solene e público, feito diante da própria presença divina.

Por isso a reviravolta é tão grave. Ao voltarem atrás e reescravizarem os que haviam libertado, eles profanaram o nome de Deus. Uma aliança feita em nome do Senhor e depois desprezada não era apenas uma injustiça social, mas uma afronta direta a ele.

A liberdade proclamada para a espada (34.17-22)

A sentença vem com uma ironia cortante. Como não deram ouvidos para proclamar liberdade cada um ao seu irmão, Deus proclamaria contra eles a liberdade para a espada, a peste e a fome, e os tornaria motivo de espanto entre todos os reinos da terra (MACKAY, 2018).

Deus se refere então ao rito da aliança. Os homens haviam cortado um bezerro ao meio e passado entre as suas partes. Aqueles que transgrediram o pacto teriam o mesmo fim do animal: seriam entregues nas mãos dos inimigos, e os seus cadáveres serviriam de alimento às aves e aos animais.

A palavra final anuncia que Deus daria ordem para que os babilônios, que haviam se afastado por um tempo, voltassem a Jerusalém, a tomassem e a queimassem. As cidades de Judá se tornariam uma desolação sem habitantes. O recuo do inimigo não era livramento, mas apenas uma pausa (MACKAY, 2018).

Como Jeremias 34 se conecta com Cristo e o evangelho?

O tema da liberdade percorre todo o capítulo e encontra o seu cumprimento pleno em Cristo. Jeremias 34 se conecta com o evangelho de várias maneiras.

  • A verdadeira liberdade: o que o povo negou ao próximo, Jesus veio proclamar de verdade, anunciando liberdade aos cativos (Lucas 4.18).
  • Livres do pecado: a escravidão mais profunda é a do pecado, e só o Filho pode libertar de forma definitiva (João 8.36).
  • A aliança selada em sangue: o rito de passar entre as partes do animal aponta para a aliança que Cristo selou com o próprio sangue (Hebreus 9.15).
  • Fidelidade à palavra: onde o povo quebrou o pacto, Cristo é o fiel, aquele que permanece fiel mesmo quando somos infiéis (2 Timóteo 2.13).
  • O irmão que não se escraviza: em Cristo, não há mais escravo nem livre, pois todos são um só (Gálatas 3.28).

Quais são as lições espirituais e aplicações práticas de Jeremias 34?

Quando medito neste capítulo, três realidades me confrontam. A primeira é o peso de uma promessa feita diante de Deus. O povo selou o pacto no templo e depois o desprezou, e isso profanou o nome do Senhor. As decisões que tomamos diante dele não são leves.

A segunda é a tentação de voltar atrás quando a pressão passa. Enquanto o cerco apertava, o povo libertou os escravos; quando o inimigo recuou, mudou de ideia. Muitas vezes a nossa obediência dura só enquanto o aperto continua.

A terceira é que Deus se importa com a forma como tratamos o próximo. A justiça para com o irmão oprimido não era um detalhe, mas parte central da aliança. A fé verdadeira se prova também no modo como tratamos quem está sob o nosso poder.

Fica aqui uma palavra: aquilo que prometemos a Deus deve ser cumprido, e a liberdade que recebemos em Cristo nos chama a também libertar, perdoar e tratar o próximo com justiça, sem voltar atrás quando isso nos custa.

Perguntas frequentes sobre Jeremias 34

Qual é a mensagem principal de Jeremias 34?

O capítulo mostra o preço de voltar atrás com Deus. O povo fez um pacto para libertar os escravos hebreus, mas mudou de ideia e os escravizou de novo, profanando o nome do Senhor. Como resposta, Deus proclamou contra eles a liberdade para a espada, a peste e a fome (MACKAY, 2018).

O que Deus prometeu a Zedequias em Jeremias 34?

Deus disse que Jerusalém seria entregue e queimada e que Zedequias seria capturado e levado à Babilônia. Ainda assim, prometeu que ele não morreria à espada, mas em paz, com queima de especiarias em sua honra, como se fazia com os reis (MACKAY, 2018).

Por que libertar os escravos era tão importante?

Porque estava na Lei. Deus ordenara que, no sétimo ano, cada um libertasse o irmão hebreu vendido como escravo, lembrando que o próprio povo fora libertado da servidão no Egito. Manter o irmão escravizado violava a aliança (MACKAY, 2018; WALTON; MATTHEWS; CHAVALAS, 2018).

O que significa passar entre as partes do bezerro?

Era um rito de aliança em que se cortava um animal ao meio e as partes se passavam entre elas, invocando sobre quem quebrasse o pacto o mesmo destino do animal. Como o povo rompeu o acordo, Deus disse que teriam o fim do bezerro (WALTON; MATTHEWS; CHAVALAS, 2018).

Como Jeremias 34 se aplica hoje?

O capítulo ensina o peso das promessas feitas diante de Deus, alerta contra voltar atrás quando a pressão passa e mostra que Deus se importa com o modo como tratamos o próximo. A liberdade que temos em Cristo nos chama a também libertar e tratar os outros com justiça (MACKAY, 2018).

Referências

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

MACKAY, John L. Jeremias. São Paulo: Cultura Cristã, 2018. Disponível em: https://amzn.to/3NemwXf.

WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2018. Disponível em: https://amzn.to/4w5iBxP.

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