Jeremias 43 Estudo: por que rejeitamos a verdade difícil?

Jeremias 43 mostra o que acontece quando alguém rejeita a verdade que não quer ouvir. Depois de pedir a orientação de Deus, o remanescente a despreza: Azarias, Joanã e os homens soberbos acusam Jeremias de mentir, dizendo que Baruque o incitava contra eles, e levam todo o povo, inclusive o profeta e o seu escriba, para o Egito, até Tafnes. Ali Deus manda Jeremias esconder pedras grandes no barro diante do palácio do faraó, como sinal de que Nabucodonosor viria, poria o seu trono sobre aquelas pedras e feriria o Egito, queimando os templos e os obeliscos de Heliópolis. O capítulo revela que não há refúgio contra a soberania de Deus, nem mesmo no Egito.

Quando leio este capítulo, o que me impressiona é a rapidez com que a promessa de obediência virou acusação. Ontem prometiam obedecer, hoje chamam o profeta de mentiroso. E me lembro de como é fácil o coração rejeitar a verdade quando ela contraria aquilo que já decidimos.

Qual é o contexto histórico e teológico de Jeremias 43?

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Neste estudo você vai ver:

  • Como o povo acusou Jeremias de mentir.
  • A ida forçada do profeta ao Egito, a Tafnes.
  • O sinal das pedras escondidas no barro.
  • Como o capítulo mostra a soberania de Deus sobre as nações.

O capítulo é o desfecho do pedido de orientação feito no capítulo anterior. A resposta de Deus foi clara: ficar na terra. Mas o povo já tinha decidido o contrário e reagiu com rejeição (MACKAY, 2018).

Ao descerem ao Egito, encerra-se qualquer esperança de restauração da comunidade deixada em Judá. Este estudo dá sequência ao capítulo 42 e prepara o capítulo 44.

O Comentário Histórico-Cultural situa Tafnes como uma fortaleza egípcia no leste do delta do Nilo, onde já havia comunidade judaica, e lembra que enterrar pedras diante do palácio simbolizava a mudança de governantes, anunciando o domínio babilônico sobre o Egito (WALTON; MATTHEWS; CHAVALAS, 2018).

Como se desenvolve a análise do texto bíblico em Jeremias 43?

A orientação desprezada (43.1-7)

Assim que Jeremias termina de anunciar toda a palavra do Senhor, Azarias, Joanã e todos os homens soberbos reagem. O termo usado descreve pessoas que se colocam acima da lei de Deus, arrogando-se direitos que não lhes pertencem (MACKAY, 2018).

Eles acusam Jeremias diretamente: “Tu dizes mentira; o Senhor não te enviou”. E, para justificar a rejeição, culpam Baruque, afirmando que o escriba incitava o profeta contra eles, para entregá-los aos caldeus.

Sem obedecer à voz do Senhor, Joanã e os comandantes tomam todo o remanescente e descem ao Egito, chegando a Tafnes. É impressionante que levem consigo Jeremias e Baruque, cuja palavra acabaram de rejeitar, quase como um amuleto de segurança (MACKAY, 2018).

O sinal contra o Egito (43.8-13)

Mesmo no Egito, a palavra de Deus alcança o profeta. O Senhor manda Jeremias tomar pedras grandes e escondê-las no barro do pavimento, à entrada do palácio do faraó em Tafnes, diante dos judeus. A ação simbólica precede a mensagem (MACKAY, 2018).

A explicação vem em seguida: Deus traria Nabucodonosor, chamado aqui de “meu servo”, que poria o seu trono sobre aquelas pedras. O rei que o povo temia e de quem fugia iria alcançá-los até o Egito, por determinação do próprio Senhor.

Nabucodonosor feriria a terra do Egito, levando à morte, ao cativeiro e à espada, e queimaria os templos dos deuses egípcios, quebrando os obeliscos de Heliópolis, a cidade do sol. O Comentário Histórico-Cultural lembra que esses obeliscos ladeavam o templo de Amom-Rá, e que uma invasão babilônica do Egito de fato ocorreu no tempo de Nabucodonosor. O refúgio escolhido pelo povo não os protegeria do juízo (MACKAY, 2018; WALTON; MATTHEWS; CHAVALAS, 2018).

Como Jeremias 43 se conecta com Cristo e o evangelho?

A soberania de Deus sobre as nações e a rejeição da sua palavra apontam para o evangelho. Jeremias 43 se conecta com Cristo de várias maneiras.

  • A verdade rejeitada: como o povo chamou Jeremias de mentiroso, Cristo, a própria Verdade, foi rejeitado pelos seus (João 8.45).
  • Deus governa as nações: o Senhor comanda até Nabucodonosor e o Egito, pois todo joelho se dobrará diante de Cristo (Filipenses 2.10).
  • Não há refúgio fora de Deus: o Egito não protegeu do juízo, mas em Cristo há verdadeiro refúgio para a alma (Hebreus 6.18).
  • A palavra que alcança em toda parte: Deus falou mesmo no Egito, pois a sua palavra não se prende e alcança os confins da terra (Atos 1.8).
  • O perigo do coração soberbo: os homens soberbos rejeitaram Deus, mas Cristo exalta os humildes e resiste aos soberbos (Tiago 4.6).

Quais são as lições espirituais e aplicações práticas de Jeremias 43?

Quando medito neste capítulo, três realidades me confrontam. A primeira é a facilidade de rejeitar a verdade difícil. Quando a palavra de Deus contraria o que queremos, a tentação é desacreditá-la ou culpar quem a anuncia, como fizeram com Jeremias e Baruque.

A segunda é que não há refúgio contra a soberania de Deus. O povo fugiu para o Egito buscando segurança, mas o Senhor governava também aquela terra. Nenhum plano humano nos coloca fora do alcance da vontade divina.

A terceira é o perigo da soberba. Os homens soberbos se colocaram acima da palavra de Deus e arrastaram todo o povo consigo. O orgulho que despreza a correção divina sempre cobra um preço alto.

Fica aqui uma palavra: a verdadeira segurança não está em fugir para onde a razão aponta, mas em obedecer àquele que governa todas as nações. Que possamos receber a palavra de Deus mesmo quando ela nos confronta, em vez de buscar refúgios que não podem nos salvar.

Perguntas frequentes sobre Jeremias 43

O que acontece em Jeremias 43?

O remanescente rejeita a ordem de Deus para ficar na terra. Azarias, Joanã e os homens soberbos acusam Jeremias de mentir e levam todo o povo, inclusive o profeta e Baruque, para o Egito. Em Tafnes, Deus anuncia por um sinal que Nabucodonosor viria ferir o Egito (MACKAY, 2018).

Por que o povo acusou Jeremias de mentir?

Porque a mensagem de Deus contrariava o que já tinham decidido. Para justificar a desobediência, os homens soberbos alegaram que Jeremias falava falsamente e que Baruque o incitava contra eles, a fim de entregá-los aos caldeus. Era uma forma de racionalizar a rejeição da palavra (MACKAY, 2018).

O que significavam as pedras escondidas em Tafnes?

Era um sinal profético. Deus mandou Jeremias esconder pedras grandes no barro diante do palácio do faraó para anunciar que Nabucodonosor viria ao Egito e poria o seu trono sobre aquelas pedras. Enterrar pedras simbolizava a mudança de governantes e o domínio babilônico (MACKAY, 2018; WALTON; MATTHEWS; CHAVALAS, 2018).

Por que Deus chama Nabucodonosor de seu servo?

Porque, mesmo sem reconhecer o Senhor, Nabucodonosor executava os propósitos de Deus como instrumento do seu juízo. O título mostra que o rei da Babilônia agia dentro do plano divino, e que Deus governa até as nações pagãs para cumprir a sua palavra (MACKAY, 2018).

Como Jeremias 43 se aplica hoje?

O capítulo alerta contra rejeitar a verdade difícil e culpar quem a anuncia, mostra que não há refúgio contra a soberania de Deus e adverte sobre o perigo da soberba. Ele nos chama a receber a palavra de Deus mesmo quando ela nos confronta (MACKAY, 2018).

Referências

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

MACKAY, John L. Jeremias. São Paulo: Cultura Cristã, 2018. Disponível em: https://amzn.to/3NemwXf.

WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2018. Disponível em: https://amzn.to/4w5iBxP.

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