A sabedoria vem mesmo com a idade? No mundo antigo, presumia-se que sim, e por isso os mais jovens deviam se calar diante dos mais velhos. Em Jó 32, porém, surge um personagem novo: Eliú, um jovem que ouviu todo o debate em silêncio e, no fim, não aguenta mais. Cheio de indignação, ele questiona a ideia de que só os idosos têm sabedoria.
Neste estudo de Jó 32, veremos a entrada de Eliú e a sua dupla frustração, tanto com Jó, que se justificava a si mesmo em vez de a Deus, quanto com os três amigos, que condenavam Jó sem conseguir responder. Veremos também o seu argumento de que a verdadeira sabedoria não vem da idade, mas do Espírito de Deus, e a sua decisão de falar sem bajular ninguém.
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A entrada de Eliú e a sua indignação (Jó 32.1-5)
Os três amigos param de responder a Jó, porque não conseguiram fazê-lo negar a sua integridade. É então que se apresenta Eliú, filho de Baraquel, o buzita, provavelmente descendente de Buz, sobrinho de Abraão. Ele estivera presente o tempo todo, ouvindo, e agora se acende de indignação diante do impasse.
A sua irritação tem dois alvos. Ele se ira contra Jó porque este defendia a si mesmo diante de toda acusação, mas atribuía injustiça a Deus, mais disposto a manchar o caráter divino do que a admitir qualquer pecado. E se ira contra os três amigos porque eles condenaram Jó sem apresentar argumentos convincentes. Eliú havia se calado até então por respeito à idade dos outros, mas ao ver que já não tinham o que dizer, sentiu-se livre para falar.
A sabedoria não vem só da idade (Jó 32.6-14)
Eliú começa com humildade, reconhecendo que era mais jovem e que por isso hesitara em falar, pois se supunha que a sabedoria residia nos idosos, nos muitos anos de experiência. Mas ele contesta essa ideia: há um espírito no homem, e o sopro do Todo-Poderoso é que lhe dá entendimento. A sabedoria, portanto, vem de Deus, e não simplesmente da idade. Não são só os velhos que são sábios, nem só os anciãos entendem o que é justo.
Ele pede que o escutem, já que ouviu por tanto tempo os argumentos deles. E conclui, decepcionado, que os três amigos não conseguiram provar que Jó estava errado; por isso não deveriam se gabar de sábios nem imaginar que só Deus poderia derrotá-lo. Eliú anuncia que a sua abordagem será diferente: ele não responderá com os mesmos argumentos gastos dos amigos, mas trará algo novo ao debate.
A necessidade de falar, sem bajular (Jó 32.15-22)
Como os três ficaram sem palavras, Eliú sente que chegou a sua vez. Ele diz estar cheio de palavras, pressionado por dentro pelo espírito que o move. Usa uma imagem vívida: é como o vinho novo fechado em odres sem respiro, que incha e ameaça arrebentar. Ele se sente prestes a explodir, tomado de ideias que ainda não teve oportunidade de expressar, e precisa falar para encontrar alívio.
Mas Eliú faz questão de deixar claro o seu compromisso com a verdade. Ele não fará acepção de pessoas nem lisonjeará ninguém para ganhar favor. Considera a bajulação uma tática desonesta e afirma que, se recorresse a ela, o seu próprio Criador o removeria. A sua intenção é falar com franqueza tanto a Jó quanto aos amigos, sem tomar partido de nenhum dos lados e sem adular quem quer que seja.
Como Jó 32 aponta para Cristo
A afirmação de Eliú de que a sabedoria vem do sopro do Todo-Poderoso, e não da idade, aponta para a verdade cumprida em Cristo. Jesus, ainda jovem, deixou os mestres do templo maravilhados com o seu entendimento, mostrando que a verdadeira sabedoria não depende dos anos, mas de Deus. Nele habita corporalmente toda a plenitude da sabedoria, que é dada não pela experiência humana, mas pelo Espírito.
A recusa de Eliú em bajular e fazer acepção de pessoas aponta para Cristo, que falava a verdade sem se deixar influenciar pela aparência dos homens. Os próprios adversários reconheciam que Jesus ensinava o caminho de Deus com sinceridade, sem se importar com quem fosse a pessoa diante dele. A franqueza que Eliú prometia encontra em Cristo a sua forma perfeita: uma verdade dita sempre em amor, sem lisonja e sem covardia.
Ainda assim, Eliú, por mais sincero que fosse, era apenas um homem com respostas limitadas. Ele desejava mediar o debate entre Jó e Deus, mas não podia ser o verdadeiro mediador. Essa lacuna aponta para Cristo, o único Mediador entre Deus e os homens, que não apenas fala a verdade sobre a nossa condição, mas nos reconcilia com Deus. Onde Eliú só podia argumentar, Jesus efetivamente salva.
Três lições de Jó 32 para hoje
A sabedoria vem de Deus, não da idade
Eliú lembrou que o entendimento vem do sopro do Todo-Poderoso, e não simplesmente dos anos vividos. Nem sempre quem tem mais idade tem mais discernimento espiritual, e nem sempre os mais jovens estão errados. Somos chamados a buscar a sabedoria na sua verdadeira fonte, que é Deus, e a valorizar a verdade venha de quem vier, sem desprezar ninguém por ser jovem ou por ser velho.
Fale a verdade sem bajular
Eliú se recusou a lisonjear qualquer um dos lados para ganhar favor, comprometendo-se a falar com franqueza. A bajulação distorce a verdade e busca agradar em vez de ajudar. Somos chamados a falar com sinceridade e amor, sem adular as pessoas nem esconder o que precisa ser dito, sabendo que a verdade dita com respeito vale mais do que elogios convenientes.
Saiba a hora de falar e a hora de ouvir
Eliú ouviu pacientemente todo o debate antes de tomar a palavra, esperando o momento certo. Há sabedoria tanto em saber ouvir quanto em saber falar na hora certa. Somos chamados a não nos precipitarmos com respostas, mas a escutar com atenção, e, quando falarmos, fazê-lo com ponderação, no tempo devido e com o coração disposto a contribuir, e não apenas a vencer.
Perguntas frequentes sobre Jó 32
Eliú é um personagem novo que surge em Jó 32, filho de Baraquel, o buzita, provavelmente descendente de Buz, sobrinho de Abraão. Ele estivera presente ouvindo todo o debate em silêncio, por respeito à idade dos outros. No capítulo 32, cheio de indignação, ele finalmente toma a palavra para dar a sua contribuição ao debate entre Jó e os três amigos.
Eliú tinha duas razões para a sua indignação. Estava irritado com Jó, que defendia a própria inocência atribuindo injustiça a Deus, mais disposto a manchar o caráter divino do que a admitir pecado. E estava irritado com os três amigos, que condenavam Jó sem conseguir apresentar argumentos convincentes para provar que ele estava errado.
Eliú havia permanecido em silêncio porque era mais jovem e respeitava o costume da época, que associava a sabedoria à idade avançada. Ele cedeu lugar aos mais velhos durante todo o longo debate. Só quando viu que os três amigos não tinham mais o que dizer, repetindo sempre os mesmos argumentos, é que se sentiu autorizado a falar.
Eliú contesta a ideia de que a sabedoria vem apenas da idade. Ele afirma que há um espírito no homem e que o sopro do Todo-Poderoso é que dá entendimento. Ou seja, a verdadeira sabedoria vem de Deus, e não simplesmente dos anos de experiência. Por isso, os mais jovens não estão necessariamente sem discernimento.
A afirmação de que a sabedoria vem de Deus aponta para Cristo, que ainda jovem maravilhou os mestres e em quem está toda a plenitude da sabedoria. A recusa de Eliú em bajular aponta para Jesus, que ensinava a verdade sem fazer acepção de pessoas. E o desejo de Eliú de mediar aponta para Cristo, o único e verdadeiro Mediador entre Deus e os homens.
Referências
- BÍBLIA. Almeida Revista e Corrigida (ARC). Sociedade Bíblica do Brasil.
- WALTON, John H. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento.
- ZUCK, Roy B. Comentário do conhecimento bíblico: Antigo Testamento (seção de Jó).