É possível Deus ser injusto? No auge da sua dor, Jó chegou a insinuar que Deus o tratava sem justiça. Em Jó 34, Eliú se levanta para defender o caráter de Deus com uma afirmação categórica: o Todo-Poderoso jamais pratica o mal nem perverte o direito. Ele retribui a cada um segundo as suas obras e governa a todos com perfeita equidade.
Neste estudo de Jó 34, veremos Eliú convocar os sábios a examinar a questão, defender que Deus nunca comete injustiça porque dele depende toda a vida, mostrar que Deus governa reis e pobres sem acepção de pessoas, e repreender Jó por acusar o Justo. É um capítulo que nos ajuda a firmar o coração na certeza de que Deus é sempre justo, mesmo quando não entendemos.
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Provai as palavras, como o paladar prova a comida (Jó 34.1-9)
Eliú convoca os sábios e os que têm conhecimento a ouvi-lo. Ele usa uma imagem tirada das próprias palavras de Jó: assim como o paladar prova e discerne o sabor da comida, os que debatem devem examinar as palavras e decidir juntos o que é reto. É um convite a pesar com cuidado o que está em jogo, e não apenas a reagir.
Em seguida, Eliú cita as queixas de Jó: que ele era justo e que Deus lhe negava o direito, e que de nada aproveita ao homem agradar a Deus. Eliú vai longe demais ao colocar Jó no meio dos ímpios, mas acerta ao condenar a ideia de que servir a Deus não traz proveito e o tom rebelde com que Jó falava. A pergunta que ele levanta é séria: será que a piedade é inútil? Ele a responderá mais adiante.
Deus jamais comete injustiça (Jó 34.10-15)
Aqui está o coração do capítulo. Eliú declara: longe de Deus o praticar a impiedade, e do Todo-Poderoso, o cometer injustiça. Pois ele paga ao homem segundo a sua obra e faz cada um achar segundo o seu caminho. É impensável que Deus, sendo Deus, aja com maldade ou torça o que é justo. A sua própria natureza torna a injustiça impossível.
Eliú acrescenta um argumento poderoso: como Soberano do mundo, ninguém o colocou sobre a terra nem lhe deu autoridade, e por isso ninguém pode influenciá-lo a ser injusto. E, como Sustentador da vida, se ele resolvesse recolher para si o seu espírito e o seu fôlego, toda a carne pereceria juntamente, e o homem voltaria ao pó. Se toda a vida depende da bondade de Deus a cada instante, como poderíamos acusá-lo de injustiça?
O Governante justo e imparcial de todos (Jó 34.16-37)
Eliú pergunta como aquele que odeia o direito poderia governar o mundo, e conclui que é absurdo condenar o Justo e poderoso. Deus não faz acepção de pessoas: ele diz a reis que são inúteis e a nobres que são perversos, não dá preferência aos príncipes nem trata o rico acima do pobre, pois todos são obra das suas mãos. Ele vê todos os caminhos dos homens, e não há trevas em que os malfeitores possam se esconder do seu juízo.
Diferente dos juízes humanos, Deus não precisa investigar longamente os casos, pois em sua onisciência já conhece todos os fatos. Ele pode derrubar os poderosos num instante e pôr outros em seu lugar. E mesmo quando escolhe se calar por um tempo, deixando o clamor por justiça sem resposta imediata, ele não deixa o ímpio triunfar para sempre. O silêncio de Deus não é ausência de justiça, mas paciência dentro do seu governo soberano.
No fim, Eliú repreende Jó por acrescentar rebeldia ao seu erro, exigindo que Deus lhe respondesse e lhe mostrasse onde havia pecado, como se pudesse ditar a Deus os termos. Ele fica atônito com a ousadia de Jó de falar assim ao Todo-Poderoso. Aqui, porém, Eliú também exagera, desejando que Jó fosse provado até o extremo e presumindo, por causa das muitas palavras, que ele estava totalmente contra Deus. Mesmo com verdades importantes, ainda faltava a Eliú a compreensão plena da situação.
Como Jó 34 aponta para Cristo
A defesa da justiça de Deus, que jamais pratica o mal nem perverte o direito, encontra a sua maior demonstração na cruz de Cristo. Ali, Deus mostrou como podia ser ao mesmo tempo justo e o que justifica o pecador: não passando por cima do pecado, mas fazendo-o cair sobre o seu Filho. A justiça que Eliú defendia em palavras foi plenamente satisfeita em Jesus, onde o direito e a graça se encontraram.
Eliú disse que Deus não faz acepção de pessoas, tratando reis e pobres com a mesma justiça. Cristo revela esse Deus de modo pleno: o evangelho é oferecido igualmente a todos, sem distinção de posição ou riqueza. Diante de Jesus, ninguém tem vantagem por ser poderoso, e ninguém é descartado por ser fraco. A imparcialidade de Deus, celebrada por Eliú, torna-se em Cristo a porta aberta a todo o que crê.
E onde Eliú, mesmo com boas intenções, foi duro e presumiu contra Jó, Cristo é o juiz perfeito que conhece o coração e julga com verdade e misericórdia. Ele não condena além da conta nem se equivoca sobre ninguém. Nele encontramos não apenas a certeza de que Deus é justo, mas também a garantia de que esse Deus justo é, para os que estão em Cristo, também o nosso Salvador e defensor.
Três lições de Jó 34 para hoje
Firme o coração na justiça de Deus
Eliú afirmou que é impensável Deus cometer injustiça, porque isso contraria a sua própria natureza. Quando a vida parece injusta e não entendemos o que Deus permite, podemos ser tentados a duvidar do seu caráter. Somos chamados a firmar o coração na certeza de que Deus é sempre justo, ainda que os seus caminhos ultrapassem a nossa compreensão, confiando nele mesmo sem todas as respostas.
Lembre que tudo depende de Deus
Eliú lembrou que, se Deus recolhesse o seu fôlego, toda a vida cessaria e voltaria ao pó. A nossa existência depende, a cada instante, da bondade de Deus que nos sustenta. Reconhecer isso nos guarda do orgulho e nos leva à gratidão. Somos chamados a viver na consciência de que tudo o que temos e somos é dom dele, e a depender dele com humildade e confiança.
Cuidado ao julgar as intenções dos outros
Eliú tinha verdades importantes, mas errou ao presumir que as muitas palavras de Jó significavam que ele estava totalmente contra Deus, desejando que fosse provado até o extremo. É fácil, mesmo com boa intenção, julgar duramente o coração de quem sofre. Somos chamados a falar a verdade com misericórdia, sem presumir o pior das pessoas nem endurecer o nosso julgamento sobre elas.
Perguntas frequentes sobre Jó 34
Em Jó 34, Eliú faz uma defesa da justiça de Deus. Ele afirma que o Todo-Poderoso jamais pratica o mal nem perverte o direito, que retribui a cada um segundo as suas obras e que governa reis e pobres sem acepção de pessoas. Ao final, repreende Jó por acusar o Justo e por falar com rebeldia, exigindo que Deus lhe respondesse.
Não. O argumento central de Jó 34 é que a injustiça é impensável em Deus, porque contraria a sua própria natureza. Além disso, como Soberano do mundo, ninguém pode influenciá-lo a ser injusto, e, como Sustentador da vida, toda a existência depende dele. Um Deus de quem tudo depende e que governa o mundo não pode ser injusto.
Eliú afirma que, se Deus resolvesse recolher para si o seu espírito e o seu fôlego, toda a carne pereceria de uma vez e o homem voltaria ao pó. É uma imagem da total dependência da criação em relação a Deus. A vida se mantém apenas porque Deus, na sua bondade, a sustenta a cada instante.
Eliú acertou ao defender a justiça de Deus e ao repreender o tom rebelde de Jó. Mas também exagerou: colocou Jó entre os ímpios, desejou que ele fosse provado até o extremo e presumiu, por causa das muitas palavras, que Jó estava totalmente contra Deus. Mesmo com verdades importantes, faltava-lhe a compreensão plena da situação de Jó.
A defesa da justiça de Deus encontra a sua maior demonstração na cruz, onde Deus é justo e ao mesmo tempo justifica o pecador em Cristo. A imparcialidade de Deus, que não faz acepção de pessoas, revela-se no evangelho oferecido igualmente a todos. E onde Eliú julgou com dureza, Cristo é o juiz perfeito que conhece o coração e julga com verdade e misericórdia.
Referências
- BÍBLIA. Almeida Revista e Corrigida (ARC). Sociedade Bíblica do Brasil.
- WALTON, John H. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento.
- ZUCK, Roy B. Comentário do conhecimento bíblico: Antigo Testamento (seção de Jó).