A arca da aliança: o que era e por que ela aponta para Cristo?

A arca da aliança era o móvel mais sagrado do tabernáculo de Israel e o grande símbolo da presença de Deus no meio do seu povo. Ela era uma caixa de madeira de acácia coberta de ouro, sobre a qual estava o propiciatório com dois querubins. Ali, de forma visível, Deus prometia se encontrar e falar com o seu povo.

A arca da aliança também guardava o testemunho da aliança e apontava para algo maior do que ela mesma. O propiciatório, lugar onde o sangue era aspergido, prefigurava a obra de Cristo, nossa propiciação. Nele vemos que a presença de Deus e a aliança eterna se cumprem plenamente em Jesus.

Por muito tempo, olhei para a arca da aliança apenas como um objeto curioso do Antigo Testamento, quase como um tesouro perdido de filme de aventura. Quando estudei o que ela realmente representava, percebi que ela conta a história de um Deus santo que deseja habitar com o seu povo.

Por isso, quero mostrar a você o que era a arca, o que havia dentro dela, o significado do propiciatório e como tudo isso encontra o seu cumprimento em Cristo.

O que a Bíblia diz sobre a arca da aliança?

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Neste estudo você vai ver:

  • O que era a arca da aliança e para que ela servia.
  • O que havia dentro dela e o significado do propiciatório.
  • Como a arca representava a presença e a glória de Deus.
  • Como a arca aponta para Cristo, a nossa propiciação.

A arca da aliança aparece pela primeira vez nas instruções que Deus deu a Moisés no monte Sinai, quando o Senhor ensinou como construir o tabernáculo. Ela era o coração do santuário, o ponto de encontro entre o Deus santo e o seu povo pecador.

É impossível compreender a religião do Antigo Testamento sem a arca. De certo modo, aquilo que a arca representava para a antiga aliança, a cruz representa para a nova aliança. Ela era o símbolo mais sagrado daquele tempo e sempre apontou para uma realidade maior.

O que era a arca da aliança e o que havia dentro dela?

Antes de falar do seu significado espiritual, vale conhecer como era a arca e o que ela guardava. Esses detalhes não são acidentais, pois cada um deles ensina algo sobre o Deus que ali se revelava.

A arca, o móvel mais sagrado do tabernáculo (Êxodo 25:10-16)

Deus ordenou que a arca fosse feita de madeira de acácia e coberta de ouro puro, com uma moldura de ouro ao redor. Ela era, na prática, uma caixa sagrada, com pés que a mantinham acima do chão e argolas por onde passavam varas para o transporte, varas que nunca deveriam ser retiradas (Êxodo 25:10-16).

Esses cuidados mostravam que a arca não era um objeto comum. Ela era a mais sagrada de todas as peças do tabernáculo, tratada com temor e reverência, porque estava ligada de forma direta à presença do Deus santo.

O conteúdo da arca (Hebreus 9:4-5)

Dentro da arca estava guardado o testemunho da aliança. O autor de Hebreus resume o que havia ali ao falar da “arca do concerto… em que estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha florescido, e as tábuas do concerto” (Hebreus 9:4).

Cada item contava parte da história de Deus com o seu povo. As tábuas lembravam a aliança e a lei; o maná recordava o sustento no deserto; a vara de Arão confirmava o sacerdócio escolhido por Deus. Tudo isso ficava guardado sob os olhos do Senhor.

O propiciatório e a presença de Deus

Se a arca era o móvel mais sagrado, o propiciatório era o seu ponto mais importante. Era ali, sobre a tampa de ouro, que a presença de Deus se manifestava de modo especial.

O propiciatório, lugar do encontro com Deus (Êxodo 25:17-22)

Sobre a arca havia uma cobertura de ouro puro, o propiciatório, com dois querubins nas extremidades, cujas asas cobriam esse lugar. Foi ali que Deus prometeu: “ali me encontrarei contigo e falarei contigo de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins” (Êxodo 25:22).

O autor de Hebreus descreve esses querubins como “os querubins da glória, que faziam sombra no propiciatório” (Hebreus 9:5). Assim, a arca era como o trono terreno do Deus invisível, o lugar onde a sua glória habitava no meio de Israel.

O sangue no Dia da Expiação (Levítico 16:14-15)

Uma vez por ano, no Dia da Expiação, o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos e aspergia sangue sobre o propiciatório e diante dele (Levítico 16:14-15). Esse sangue cobria os pecados do povo e mostrava que a comunhão com o Deus santo só era possível por meio de um sacrifício.

O próprio nome propiciatório traz a ideia de propiciação, ou seja, o ato de aplacar a justa ira de Deus contra o pecado. Aquele ritual anual apontava para uma expiação definitiva que ainda estava por vir.

O destino da arca (1 Samuel 4:3-11)

A história da arca também traz advertências. Certa vez, Israel a levou para a batalha como se fosse um amuleto, imaginando que a simples presença da caixa garantiria a vitória sobre os filisteus. O resultado foi trágico, pois a arca foi capturada e muitos morreram (1 Samuel 4:3-11).

Aquele episódio ensina que a presença de Deus não pode ser tratada como algo mágico ou manipulável. Com o passar dos séculos, a arca ficou no templo e depois se perdeu da história, mas o seu significado nunca desapareceu, pois ela sempre apontou para Cristo.

Como a arca da aliança aponta para Cristo?

Todo o simbolismo da arca encontra o seu alvo em Jesus. O propiciatório, onde o sangue era aspergido, prefigurava a obra do Senhor em favor do seu povo.

Paulo afirma que Deus apresentou Cristo “para propiciação, pela fé no seu sangue” (Romanos 3:25). A mesma ideia que estava no propiciatório se cumpre em Jesus, que satisfaz a justiça de Deus e nos reconcilia com ele. Cristo é a nossa verdadeira propiciação.

O autor de Hebreus completa esse quadro ao dizer que Cristo, como sumo sacerdote, “nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (Hebreus 9:12). Ele entrou no verdadeiro Santo dos Santos e, nele, a presença de Deus habita e a aliança se cumpre para sempre.

Como viver na presença de Deus hoje

A arca já cumpriu o seu papel, mas as verdades que ela ensina continuam vivas. Elas moldam a forma como nos aproximamos de Deus.

Aproxime-se de Deus com reverência e confiança. A arca lembra que ele é santo, mas o sangue de Cristo abriu um caminho novo e vivo, para que você venha ao Pai sem medo, sabendo que foi aceito em Jesus.

Valorize a presença de Deus na sua vida. Hoje, pela fé, o Espírito Santo habita em cada crente e na igreja. Cultive essa comunhão pela oração, pela Palavra e pela vida em comunidade, vivendo como quem pertence ao Deus vivo.

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Perguntas frequentes sobre a arca da aliança

O que era a arca da aliança?

Era o móvel mais sagrado do tabernáculo, uma caixa de madeira de acácia coberta de ouro, com o propiciatório e dois querubins sobre ela. A arca simbolizava a presença de Deus no meio do seu povo e guardava o testemunho da aliança.

O que havia dentro da arca da aliança?

Segundo Hebreus 9:4, dentro dela estavam o vaso de ouro com o maná, a vara de Arão que floresceu e as tábuas da aliança. Cada item recordava uma parte da história de Deus com Israel.

O que era o propiciatório?

Era a cobertura de ouro sobre a arca, ladeada por dois querubins. Ali Deus prometia se encontrar com o seu povo (Êxodo 25:22) e, no Dia da Expiação, o sumo sacerdote aspergia o sangue para cobrir os pecados (Levítico 16:14-15).

Onde está a arca da aliança hoje?

A Bíblia não informa o paradeiro final da arca. Depois de ser capturada pelos filisteus e mais tarde levada ao templo, ela se perdeu da história. O importante não é encontrá-la, mas compreender aquilo que ela sempre representou.

Como a arca da aliança se relaciona com Cristo?

O propiciatório aponta para Jesus, que Deus apresentou como propiciação pelo seu sangue (Romanos 3:25). Como sumo sacerdote, Cristo entrou no verdadeiro santuário com o próprio sangue e obteve eterna redenção (Hebreus 9:11-12). Nele, a presença de Deus habita e a aliança se cumpre.

Referências

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada: Almeida Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

HAMILTON, Victor P. Comentário do Antigo Testamento: Êxodo. São Paulo: Cultura Cristã.

KISTEMAKER, Simon J. Comentário do Novo Testamento: Hebreus. São Paulo: Cultura Cristã.

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