Amargura: o que a Bíblia diz e como vencer esse veneno da alma?

Muitas pessoas sofrem com a amargura e nem percebem. Em geral, alguém se torna amargurado como um protesto contra aquilo que o feriu, guardando a mágoa por anos. Há também quem viva amargurado sem motivo aparente: tem uma vida agradável, mas reclama de tudo, evita se relacionar e não consegue firmar amizades profundas.

O problema é que a amargura age em silêncio, envenenando por dentro antes que a pessoa se dê conta. Por isso, entender o que ela é e como tratá-la é um cuidado que todo cristão precisa ter.

Neste estudo você vai ver o que a Bíblia ensina sobre a amargura, de onde ela vem, os males que causa e como vencer esse veneno da alma.

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O que é amargura segundo a Bíblia?

No sentido comum, amargura é um sabor amargo. No sentido figurado, é um padecimento moral: aflição, angústia e tristeza. A Bíblia usa a palavra num sentido ainda mais profundo. O termo grego traduzido por amargura em Efésios 4.31 é pikria, que descreve um espírito azedo e ressentido, uma alma que se fechou e destila mágoa.

É por isso que Paulo manda: “Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia” (Efésios 4.31). A amargura não é apenas uma tristeza passageira, mas uma disposição do coração que precisa ser tratada. Veja o contexto no estudo de Efésios 4.

A raiz de amargura e por que ela é perigosa

O autor de Hebreus faz um alerta forte: “atentando… para que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos sejam contaminados” (Hebreus 12.15). A imagem é agrícola: uma raiz escondida que cresce por baixo e, quando brota, envenena tudo ao redor.

Comentando essa passagem, o pastor Hernandes Dias Lopes observa que deixar-se amargurar é privar-se da graça de Deus, permitindo que um pecado escondido contamine a própria vida e a comunhão da igreja. A amargura nunca fica sozinha: ela se espalha e atinge quem está por perto. Aprofunde no estudo de Hebreus 12.

De onde vem a amargura?

O escritor J. I. Packer observa que a amargura costuma nascer do orgulho ferido, de um senso de injustiça, de maus-tratos ou traição, e muitas vezes da inveja diante dos dons, da posição ou do sucesso do outro. Em outras palavras, ela quase sempre começa numa ferida real ou imaginária que não foi entregue a Deus.

Tiago aponta na mesma direção ao falar da “amarga inveja” que domina o coração e gera confusão (Tiago 3.14). Quando não vigiamos, o ressentimento fecha o coração e passa a governar a forma como enxergamos as pessoas. Esse cuidado com o coração e com as palavras aparece no estudo de Tiago 3.

Os males que a amargura causa

A amargura fere primeiro quem a carrega. Ela rouba a alegria, azeda o relacionamento com as pessoas e mina a intimidade com Deus. A pessoa amargurada tende a reclamar de tudo, a desconfiar de todos e a se isolar, transformando a própria vida num sepulcro de queixas, como descreve Paulo ao falar de bocas “cheias de maldição e amargura” (Romanos 3.14).

O mais triste é que muitos sofrem esse mal sem perceber, atribuindo aos outros a culpa por uma dor que cresce dentro de si mesmos. Reconhecer a amargura é o primeiro passo para se libertar dela.

Como Cristo cura a raiz da amargura?

A cura da amargura não é apenas força de vontade, é evangelho. Logo depois de mandar remover a amargura, Paulo mostra o caminho: “sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Efésios 4.32). O padrão do perdão é a cruz.

Quando você contempla o quanto foi perdoado por Deus, encontra força para soltar a dívida do outro. Jesus contou a parábola do servo impiedoso justamente para mostrar que quem recebeu perdão infinito não pode guardar rancor (Mateus 18.21 a 35). Perdoar não é fingir que a ferida não existe, e sim entregá-la a Cristo, que já levou toda a nossa amargura na cruz. Veja o estudo de Mateus 18.

Como vencer a amargura na prática?

Vencer a amargura é um trabalho diário de guardar o coração, porque “dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4.23). Alguns passos ajudam nessa caminhada:

  • Reconhecer a amargura diante de Deus, sem se justificar nem culpar apenas os outros.
  • Perdoar de coração, lembrando do perdão que você mesmo recebeu em Cristo.
  • Substituir o ressentimento por benignidade e gratidão, ocupando o coração com o bem.
  • Buscar a graça de Deus na oração e na comunhão da igreja, que ajudam a manter a raiz longe.

Esse cuidado constante com o coração é aprofundado no estudo de Provérbios 4.

Perguntas frequentes sobre a amargura

O que é amargura segundo a Bíblia?

É um espírito azedo e ressentido que se instala no coração, descrito pelo termo grego pikria em Efésios 4.31. Vai além da tristeza passageira e se torna uma disposição interior que precisa ser tratada.

O que é a raiz de amargura de Hebreus 12?

É a imagem de um pecado escondido que, como uma raiz, cresce por baixo e depois brota, perturbando a pessoa e contaminando muitos ao redor (Hebreus 12.15). Ela priva o coração da graça de Deus.

Quais são as causas da amargura?

Em geral, ela nasce de feridas não curadas: orgulho ferido, injustiça, maus-tratos, traição ou inveja. Quando essas dores não são entregues a Deus, viram ressentimento.

Como a amargura afeta a vida?

Ela rouba a alegria, azeda os relacionamentos, gera isolamento e prejudica a comunhão com Deus. Fere primeiro quem a carrega e se espalha para quem está por perto.

Como vencer a amargura?

Reconhecendo-a diante de Deus, perdoando como fomos perdoados em Cristo, substituindo o rancor por benignidade e buscando a graça de Deus na oração e na igreja.

Referências

  • BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada: Almeida Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
  • LOPES, Hernandes Dias. Hebreus: a superioridade de Cristo. São Paulo: Hagnos.
  • PACKER, James I. Vocábulos de Deus. São Paulo: Cultura Cristã.
  • CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado: versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.
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