Como amar o próximo como a si mesmo: o que fazer quando amar quem está perto parece impossível?

Amar o próximo como a si mesmo é o segundo maior mandamento da Bíblia, inseparável do primeiro, que é amar a Deus de todo o coração. Amar assim significa querer e fazer ao outro o mesmo bem que desejamos para nós, sem excluir ninguém, e a parábola do bom samaritano mostra que o próximo é qualquer pessoa necessitada que Deus coloca em nosso caminho.

Esse amor não é um sentimento vago, mas uma decisão que se traduz em misericórdia concreta. Ele nasce do amor que primeiro recebemos de Deus e cumpre toda a lei, porque, como Jesus ensinou, de dois mandamentos, amar a Deus e amar o próximo, dependem toda a lei e os profetas.

Eu confesso que já achei esse mandamento simples na teoria e quase impossível na prática, sobretudo diante de pessoas difíceis ou de quem me feriu. Amar quem está perto às vezes custa mais do que amar a humanidade em geral.

Por isso quero abrir a Bíblia com você e mostrar, a partir de Lucas 10 e de Mateus 22, o que Jesus realmente quis dizer e como esse amor pode se tornar real no seu dia a dia.

O que a Bíblia diz sobre amar o próximo como a si mesmo?

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Neste estudo você vai ver:

  • O que significa amar o próximo como a si mesmo segundo Jesus.
  • Quem é o meu próximo, à luz da parábola do bom samaritano.
  • Por que o amor cumpre toda a lei e não pode ser separado do amor a Deus.
  • Como esse mandamento aponta para Cristo e transforma a sua vida.

Certo dia um mestre da lei quis saber qual era o maior mandamento. Jesus respondeu unindo dois textos do Antigo Testamento e mostrou que amar a Deus e amar o próximo formam o coração de toda a Escritura.

O mandamento de amar o próximo não é uma novidade do Novo Testamento. Ele já estava em Levítico: “amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor”. Jesus recupera essa palavra e a coloca lado a lado com o amor a Deus.

O que significa amar o próximo como a si mesmo?

Levítico 19:18 e Mateus 22:37-40: o segundo maior mandamento

Ao ser questionado, Jesus declarou: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

Amar a Deus envolve todas as nossas faculdades: o coração, que é o centro da vida; a alma, sede das emoções; e a mente, que abrange o pensamento e a atitude. É um amor total, que não admite uma resposta pela metade a quem nos amou por inteiro.

O segundo mandamento se parece com o primeiro porque também é amor. Amar o próximo, que traz em si a imagem de Deus, nasce do amor que temos por Deus. Por isso Jesus conclui: “Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”. Retire essa base, e tudo desaba.

Romanos 13:8-10 e Gálatas 5:14: o amor cumpre toda a lei

Paulo resume a vida cristã na mesma direção: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei”. O amor verdadeiro não rouba, não mente e não fere, pois “o cumprimento da lei é o amor”.

Aos Gálatas ele escreve: “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Toda a moral e a espiritualidade podem ser resumidas numa palavra: amor. Quem ama de verdade já está cumprindo a vontade de Deus.

Quem é o meu próximo? A parábola do bom samaritano (Lucas 10:25-37)

Para não amar de fato, o intérprete da lei quis limitar quem seria o seu próximo. Jesus responde com uma história inesquecível. Um homem descia de Jerusalém para Jericó por uma estrada íngreme e perigosa, foi assaltado, despojado de tudo, espancado e deixado quase morto à beira do caminho.

O sacerdote e o levita: quando a religião não gera misericórdia

Primeiro passou um sacerdote e, ao ver o ferido, seguiu pelo lado oposto da estrada. Depois veio um levita e fez exatamente o mesmo. Eram homens ligados ao serviço do templo, mas não pararam para socorrer o próprio compatriota que agonizava.

Não há justificativa para tamanha negligência. Demonstrar misericórdia com os necessitados é uma das exigências mais fundamentais da lei de Deus. A Escritura pedia que o israelita fosse misericordioso até com o estrangeiro e com o inimigo, quanto mais com um irmão caído. Aqueles homens simplesmente não quiseram se envolver.

O samaritano: a compaixão que cruza barreiras

Então surge um samaritano, alguém que os judeus desprezavam e com quem havia profunda inimizade. Era dele que menos se esperava ajuda. No entanto, ao ver o ferido, o seu coração se compadeceu. Ele cuidou das feridas, colocou o homem em seu animal, levou-o a uma hospedaria e pagou pelo seu cuidado.

No fim, Jesus pergunta quem foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores. A resposta é clara: “O que usou de misericórdia para com ele”. E o Senhor conclui: “Vai, e faze da mesma maneira”. O próximo não é uma categoria a definir, mas qualquer pessoa necessitada diante de você.

1 João 4:20-21: não se pode amar a Deus e odiar o irmão

O apóstolo João é direto: “Se alguém diz: Eu amo a Deus e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?”. O amor ao próximo é a prova visível do amor a Deus.

Ele acrescenta o mandamento: “que quem ama a Deus ame também a seu irmão”. Não existe espiritualidade verdadeira que conviva com o desprezo pelas pessoas. Amar a Deus e amar o próximo caminham sempre juntos.

Como amar o próximo aponta para Cristo?

Esse mandamento só encontra plenitude em Jesus, porque foi ele quem primeiro nos amou. Antes de nos pedir amor, Cristo nos amou quando ainda éramos pecadores e inimigos, entregando-se por nós. O nosso amor ao próximo é sempre resposta a esse amor recebido.

Jesus definiu a medida desse amor: “O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos”. A cruz é o ponto mais alto do amor.

Por isso João escreve: “Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós; e nós devemos dar a vida pelos irmãos”. O bom samaritano nos lembra a compaixão de Cristo, que se aproximou de nós quando estávamos feridos e sem esperança, e nos socorreu ao preço de si mesmo.

Como amar o próximo como a si mesmo na prática

Comece enxergando as pessoas ao seu redor. Muitas vezes passamos pelo lado oposto da estrada porque estamos ocupados demais para notar quem sofre. Amar o próximo começa por parar e olhar com atenção.

Transforme o sentimento em ação concreta. O samaritano não apenas se comoveu, ele agiu, gastou tempo e recursos. Pergunte-se o que você desejaria que fizessem por você naquela situação e faça exatamente isso pelo outro.

Não escolha o próximo pela simpatia. Ame também o difícil, o diferente e até quem o feriu. Peça a Deus que encha o seu coração do amor dele, porque é impossível amar assim apenas com as nossas próprias forças.

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Perguntas frequentes sobre amar o próximo como a si mesmo

O que significa amar o próximo como a si mesmo?

Significa desejar e buscar para o outro o mesmo bem que buscamos para nós mesmos, traduzindo esse amor em ações concretas de misericórdia, cuidado e justiça, sem excluir ninguém.

Quem é o meu próximo segundo a Bíblia?

A parábola do bom samaritano ensina que o próximo é qualquer pessoa necessitada que Deus coloca em nosso caminho, independentemente de raça, origem ou religião. Próximo é aquele de quem você pode se aproximar para ajudar.

Por que amar o próximo é tão importante para Deus?

Porque, junto com o amor a Deus, esse mandamento resume toda a lei e os profetas. O amor ao próximo é a prova visível de que o amor a Deus é real, e sem ele a fé se torna vazia.

Como amar quem é difícil ou quem me feriu?

O amor cristão é uma decisão sustentada pela graça, e não apenas um sentimento. Ele se aprende na dependência de Deus, no perdão e na oração por aqueles que nos ferem, à medida que somos transformados pelo amor que recebemos de Cristo.

Como o mandamento de amar o próximo aponta para Cristo?

Cristo é quem cumpriu esse amor de forma perfeita e nos amou primeiro, dando a sua vida por nós na cruz. Ele é a medida do amor, e é do amor recebido dele que nasce a nossa capacidade de amar o próximo.

Referências

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada: Almeida Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: Mateus. São Paulo: Cultura Cristã.

HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: Lucas. São Paulo: Cultura Cristã.

KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Novo Testamento. Edição ampliada. São Paulo: Vida Nova.

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