Os mansos e os que têm fome e sede de justiça são chamados de bem-aventurados porque colocaram a vida inteira nas mãos de Deus. O manso não guarda rancor nem luta para se impor, e o que tem fome de justiça anseia acima de tudo por estar em paz com Deus. A promessa para eles é firme: herdarão a terra e serão plenamente saciados.
Num mundo onde todos querem ter razão e dificilmente cedem, essas duas bem-aventuranças parecem ir na contramão. Mas mansidão não é fraqueza, e sim a disposição de confiar em Deus mesmo diante da injustiça. E a fome de justiça não se satisfaz com vitórias pessoais, mas com a retidão que só o Senhor concede.
Confesso que vivo esse conflito de perto. No contexto brasileiro, marcado por tanta desigualdade e injustiça, é fácil endurecer o coração e exigir os nossos direitos a qualquer custo. Aprender com Jesus sobre a mansidão e a fome de justiça tem me ajudado a esperar em Deus sem me tornar amargo diante daquilo que ainda está errado no mundo.
Por isso, quero mostrar a você o que o Sermão do Monte ensina sobre os mansos e os que têm fome de justiça, e como essas palavras trazem esperança justamente para quem sofre com as injustiças da vida.
O que a Bíblia diz sobre os mansos e os que têm fome de justiça?
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Neste estudo você vai ver:
- O que significa ser manso segundo Mateus 5:5.
- Por que os mansos herdarão a terra.
- O que é ter fome e sede de justiça em Mateus 5:6.
- Como essas bem-aventuranças se cumprem em Cristo e se aplicam à sua vida.
As bem-aventuranças abrem o Sermão do Monte e descrevem o caráter do cidadão do reino dos céus. A terceira e a quarta caminham juntas, pois o coração manso, que se entrega a Deus, é também o coração que tem fome da justiça do Senhor.
Vivemos dias difíceis, em que todos querem ter direito e razão, e raramente estão dispostos a ceder. Diante de tanta desigualdade e necessidade, é natural perguntar como o cristão deve se comportar. As palavras de Jesus respondem a essa dúvida de um jeito surpreendente.
Quem são os mansos e por que herdarão a terra? (Mateus 5:5)
Jesus declara: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”. Há pouca diferença entre ser pobre de espírito e ser manso. A distinção é que a primeira expressão descreve a pessoa como ela é em si mesma, de coração quebrantado, enquanto a segunda a retrata na sua relação com Deus e com o próximo.
A mansidão é confiança em Deus, e não fraqueza
O que se diz aqui sobre o manso é um eco do Salmo 37. O manso não guarda rancor e não fica remoendo as ofensas recebidas. Em vez disso, encontra o seu refúgio no Senhor e entrega a ele inteiramente o seu caminho, porque já morreu para toda pretensão de ser justo por si mesmo.
É importante entender que mansidão não é sinônimo de fraqueza. O manso não é alguém de coluna elástica, pronto a se curvar ao sabor de qualquer vento. Mansidão é submissão diante de qualquer provação e a disposição de sofrer o dano em vez de causá-lo. A pessoa mansa deixa tudo nas mãos daquele que a ama e cuida dela.
Os mansos herdarão a terra
Ao prometer que os mansos herdarão a terra, Jesus cita as Escrituras, como está escrito: “Mas os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz”. Não são os que tentam implantar o reino pela política ou pela força militar, mas os que esperam humildemente a ação de Deus.
De certo modo, os mansos já herdam a terra desde agora. Como buscam em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, recebem como dom aquilo de que precisam, segundo a promessa: “Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. Ainda que possuam pouco, esse pouco vem acompanhado da bênção do Senhor.
Por que os que têm fome e sede de justiça serão fartos? (Mateus 5:6)
Em seguida, Jesus afirma: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos”. Essa justiça consiste em perfeita conformidade com a santa lei de Deus, ou seja, com a sua vontade.
A justiça que sacia é um dom de Deus
Antes de tudo, essa é uma justiça por imputação, como aconteceu com Abraão, de quem está escrito: “E creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça”. O ser humano é incapaz de merecer esse direito diante de Deus, pois nenhuma soma de boas obras pode expiar o pecado.
A Bíblia é clara ao dizer que “todas as nossas justiças são como trapo da imundícia”. Nenhum sacrifício ou esforço humano é capaz de remover a culpa. Diante da pergunta antiga sobre como o homem pode ser justo para com Deus, a resposta não está em nós, mas na justiça que o próprio Deus concede a quem crê.
A fome de justiça num mundo desigual
Ter fome e sede de justiça é fazer de Deus o maior objeto do nosso anelo, desejando a sua vontade acima de tudo. Num mundo marcado pela desigualdade e pela injustiça, o cristão não se acomoda, mas também não deposita a sua esperança na força. Ele confia que o Senhor satisfará plenamente os que anseiam pela retidão.
Essa promessa lembra o cuidado de Deus, que sacia as necessidades do seu povo, assim como fez ao longo da história da salvação. A verdadeira fartura, porém, não é apenas material: é a comunhão com Deus e a justiça que só ele pode dar.
Como a mansidão e a fome de justiça apontam para Cristo?
Jesus é o manso por excelência. Ele mesmo disse: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para a vossa alma”. Diante da maior das injustiças, ele não revidou, mas entregou-se àquele que julga com retidão.
Ele também é a nossa justiça. Aquilo que não podemos alcançar por mérito próprio, Cristo conquistou e nos oferece de graça, cumprindo a justiça por imputação anunciada nas Escrituras. Ele sacia a fome do coração faminto e, tendo herdado todas as coisas, partilha a herança com os mansos que confiam nele.
Como viver a mansidão e a fome de justiça no dia a dia
Essas bem-aventuranças moldam a forma como reagimos às ofensas e às injustiças ao nosso redor. Colocá-las em prática é um sinal de que o reino de Deus já governa o nosso coração.
- Entregue as ofensas e os direitos que você acha que tem nas mãos do Senhor, sem guardar rancor.
- Escolha suportar o dano em vez de causar mal, confiando que Deus faz justiça.
- Busque em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e não o acúmulo de bens.
- Anseie pela justiça de Deus na sua vida e no mundo, sem depositar a sua esperança na força.
Se este estudo edificou você, continue a caminhada pelas bem-aventuranças. Leia também o estudo sobre os pobres de espírito e os que choram e o estudo sobre os misericordiosos e os puros de coração, que completam esse retrato do cidadão do reino.
Perguntas frequentes sobre os mansos e os que têm fome de justiça
O que significa ser manso segundo a Bíblia?
Ser manso é confiar em Deus e entregar a ele o próprio caminho, sem guardar rancor nem lutar para se impor. É a disposição de sofrer o dano em vez de causá-lo, deixando que o Senhor faça justiça.
Mansidão é o mesmo que fraqueza?
Não. Mansidão não é falta de firmeza nem covardia. É submissão diante das provações e domínio próprio nas mãos de Deus. O manso é forte, mas coloca a sua força a serviço da vontade do Senhor.
O que significa a promessa de que os mansos herdarão a terra?
Significa que os mansos recebem, como dom de Deus, tudo aquilo de que realmente precisam. Ao buscar primeiro o reino de Deus, eles desfrutam da bênção do Senhor já nesta vida e da plenitude da herança na vida futura.
O que é ter fome e sede de justiça?
É desejar acima de tudo estar em conformidade com a vontade de Deus e anelar pela sua retidão. Essa justiça é, antes de tudo, um dom que Deus imputa a quem crê, e não uma conquista dos nossos méritos.
Como aplicar Mateus 5:5 e 6 num mundo tão injusto?
Entregando as ofensas a Deus, escolhendo a mansidão em vez da vingança e ansiando pela justiça do Senhor sem depositar a esperança na força. É confiar que Deus saciará os que têm fome da sua justiça.
Referências
BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada: Almeida Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: Mateus. São Paulo: Cultura Cristã.
KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Novo Testamento. Edição ampliada. São Paulo: Vida Nova.