O profeta Elias foi um dos maiores profetas de Israel, conhecido pelo poder de Deus que se manifestava por meio dele: anunciou a seca, foi sustentado por corvos e pela viúva de Sarepta, ressuscitou um menino e viu descer fogo do céu no monte Carmelo. Mas a sua história tem duas faces: logo depois da maior vitória, ele fugiu com medo de Jezabel, entrou em profunda depressão e chegou a pedir a morte. Elias mostra que o poder está em Deus, não no homem, e que o Senhor cuida com ternura do servo esgotado. No fim, o profeta aponta para Cristo, o Profeta maior que jamais recuaria.
Escrevo este estudo para quem já se sentiu forte num dia e destruído no seguinte. Elias viveu esse contraste na pele, e a forma como Deus o tratou no fundo do poço tem muito a dizer a você, que talvez esteja cansado demais para continuar.
Quem foi o profeta Elias?
Convido você a ler o estudo até o fim e a assistir ao vídeo abaixo. Ele ajuda muito na compreensão do tema.
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Neste estudo você vai ver:
- Quem foi Elias e o contexto do reinado de Acabe e Jezabel
- Os grandes milagres que revelaram o poder do Deus vivo
- A humanidade de Elias: medo, cansaço e o desejo de morrer
- Como Deus se revelou na voz mansa e como Elias aponta para Cristo
Elias, o tisbita, era de Gileade e profetizou nos dias de Acabe, um dos piores reis de Israel. Casado com Jezabel, princesa fenícia, Acabe oficializou no país o culto a Baal, o deus que os cananeus tinham como senhor da chuva e da fertilidade. É contra esse pano de fundo que Elias entra em cena, anunciando uma seca que atingiria Baal exatamente naquilo que ele supostamente controlava.
“Então Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade, disse a Acabe: Vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra.” (1 Reis 17.1, ARC)
O poder de Deus na vida de Elias
Os milagres de Elias não eram exibição pessoal; eram provas de que o Senhor, e não Baal, é o Deus vivo. Durante a seca, Deus o sustentou junto ao ribeiro de Querite, alimentado por corvos, e depois na casa de uma viúva em Sarepta, onde a farinha e o azeite não se acabaram, tudo isso dentro do próprio território de Jezabel. O ponto mais alto foi a ressurreição do filho da viúva, mostrando que o Senhor é o dono da vida. Você vê esses episódios no estudo de 1 Reis 17.
O confronto decisivo veio no monte Carmelo. Diante de todo o povo dividido, Elias lançou o desafio: o Deus que respondesse por fogo, esse seria o verdadeiro. Os profetas de Baal clamaram o dia inteiro, em vão. Então Elias encharcou o altar de água e orou, e o fogo do Senhor caiu e consumiu tudo. O relato completo está no estudo de 1 Reis 18.
“Então Elias se chegou a todo o povo e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o, e, se Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu.” (1 Reis 18.21, ARC)
“O que vendo todo o povo, caíram sobre os seus rostos e disseram: Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!” (1 Reis 18.39, ARC)
A humanidade de Elias: medo, cansaço e desânimo
Aqui está o lado mais consolador da história. Logo após a vitória esmagadora no Carmelo, Jezabel ameaçou matá-lo, e o mesmo homem corajoso fugiu apavorado, atravessou o reino e, exausto, sentou-se no deserto e pediu para morrer. Vários fatores se juntaram: o cansaço físico depois de dias de tensão, a solidão, o medo e aquele vazio que costuma vir logo após um grande pico de emoção. Foi uma verdadeira depressão espiritual, e você entende melhor essa fuga conhecendo a rainha Jezabel.
“…e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais.” (1 Reis 19.4, ARC)
A reação de Deus é surpreendente: ele não repreende o profeta quebrado. Primeiro deixa Elias dormir, depois manda um anjo alimentá-lo e lhe dá de beber, e só então cuida do seu coração. Deus tratou o servo esgotado com misericórdia, e não com cobrança, ensinando que às vezes a coisa mais espiritual a fazer é descansar e comer. Acompanhe esse cuidado no estudo de 1 Reis 19.
A voz mansa e delicada em Horebe
No monte Horebe, Deus se revelou a Elias de um jeito inesperado. Passou um vento forte, depois um terremoto e depois um fogo, mas o Senhor não estava em nenhuma dessas manifestações estrondosas. Ele veio numa voz mansa e delicada. Elias, quebrado, não precisava de mais uma demonstração de poder; precisava saber que Deus estava perto, como um amigo.
“…um grande e forte vento… porém o Senhor não estava no vento; e depois do vento um terremoto… e depois do terremoto um fogo… e depois do fogo uma voz mansa e delicada.” (1 Reis 19.11-12, ARC)
Deus também corrigiu a autopiedade do profeta. Elias repetia que só ele havia sobrado, mas o Senhor revelou que havia guardado sete mil que não se dobraram a Baal. Elias não estava sozinho, e a obra de Deus não dependia apenas dele.
“Também deixei ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que se não dobraram a Baal…” (1 Reis 19.18, ARC)
Como o profeta Elias aponta para Cristo?
- O poder da oração fervorosa. Elias é o exemplo de que a oração de um justo pode muito, como ensina o estudo de Tiago 5 (Tiago 5.17-18).
- Elias e Moisés com Jesus. No monte da transfiguração, Elias conversa com Cristo, o maior de todos, como mostra o estudo de Mateus 17 (Mateus 17.1-4).
- João Batista veio no espírito de Elias. O precursor preparou o caminho no espírito e no poder de Elias, apontando para o Senhor (Lucas 1.17).
- Elias não era o Salvador. Ao dizer “não sou melhor que meus pais”, ele reconhece que era preciso um Profeta que não pecasse nem recuasse: Cristo (Hebreus 1.1-2).
- Os sete mil e o remanescente da graça. Aqueles fiéis anunciam o povo que Deus preserva pela sua eleição em Cristo (Romanos 11.4-5).
Quais são as lições do profeta Elias para hoje?
A primeira lição é que o poder pertence a Deus, não a nós. Com a força do Senhor, Elias enfrentou reis e falsos profetas; sem ela, tremia diante de uma ameaça. Somos vasos de barro, e é justamente na nossa fraqueza que o poder de Deus se mostra.
A segunda lição é sobre o cuidado de Deus com quem está esgotado. Depois dos grandes momentos, muitas vezes vêm as quedas, e Deus não nos abandona nelas. Ele conhece o nosso limite, cuida do corpo cansado e fala ao coração ferido com uma voz mansa. Se você está no fundo do poço, saiba que o mesmo Deus que cuidou de Elias cuida de você.
A terceira lição é que você não está sozinho. Como Elias, é fácil achar que só nós restamos fiéis, mas Deus sempre preserva o seu povo. Nenhum servo é indispensável, e nenhum servo fiel está realmente só.
Perguntas frequentes sobre o profeta Elias
Quem foi o profeta Elias?
Elias, o tisbita de Gileade, foi um dos maiores profetas de Israel, que atuou no reinado de Acabe e Jezabel. Ficou conhecido por confrontar o culto a Baal e por milagres poderosos, como o fogo que desceu do céu no monte Carmelo.
Quais milagres o profeta Elias realizou?
Elias anunciou uma longa seca, foi sustentado por corvos e pela viúva de Sarepta, multiplicou a farinha e o azeite, ressuscitou o filho da viúva, fez descer fogo do céu no Carmelo e orou até que a chuva voltasse.
Por que Elias quis morrer?
Depois da vitória no Carmelo, Jezabel ameaçou matá-lo, e Elias fugiu esgotado e com medo. O cansaço físico, a solidão e o vazio que veio após o grande momento o levaram a uma profunda depressão, em que pediu a Deus para morrer.
O que significa a voz mansa e delicada em 1 Reis 19?
Significa que Deus quis revelar a Elias a sua proximidade e cuidado, e não apenas o seu poder. Depois do vento, do terremoto e do fogo, a voz mansa mostrou que o Senhor estava perto como amigo do profeta ferido.
O profeta Elias aparece no Novo Testamento?
Sim. Elias é citado como modelo de oração em Tiago 5, aparece com Moisés e Jesus na transfiguração e é lembrado quando João Batista vem no espírito e no poder de Elias para preparar o caminho do Senhor.
Referências
- BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada: Almeida Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
- RYKEN, Philip Graham. Estudos bíblicos expositivos em 1 Reis. São Paulo: Editora Cultura Cristã.
- WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova.