Jó 35 estudo: por que Deus às vezes não responde às orações?

Por que Deus às vezes parece não responder às nossas orações? E adianta alguma coisa ser justo, se o sofrimento vem do mesmo jeito? Essas perguntas estavam no coração de Jó, e em Jó 35 Eliú se propõe a respondê-las. A sua resposta toca num ponto delicado: a maneira como oramos, e o coração de onde brota o nosso clamor, fazem diferença diante de Deus.

Neste estudo de Jó 35, veremos Eliú responder à queixa de que ser justo não traz vantagem, mostrando que a nossa conduta não afeta a Deus, que é transcendente, mas afeta a nós mesmos e aos outros. Veremos também por que Deus não atende ao clamor vazio e orgulhoso, e a beleza da promessa de que Deus dá cânticos na noite a quem o busca de verdade.

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A nossa conduta não afeta a Deus (Jó 35.1-8)

Eliú aponta uma contradição em Jó: como ele podia, ao mesmo tempo, esperar ser declarado inocente por Deus e afirmar que de nada aproveita ser justo? Ele retoma a queixa de que servir a Deus não traria proveito e a confronta olhando para o alto: olha para os céus e vê, contempla as nuvens que estão mais altas do que tu.

O argumento é este: assim como os céus estão acima do homem, muito mais elevado está Deus. Por isso, se pecas, o que fazes contra ele? E se és justo, que lhe dás? Deus é soberano e transcendente, e não é prejudicado pelos nossos pecados nem enriquecido pela nossa justiça. A nossa conduta, boa ou má, afeta outros seres humanos e a nós mesmos, mas não muda a Deus, que não pode ser subornado nem manipulado.

Deus dá cânticos na noite (Jó 35.9-13)

Eliú observa que, sob a opressão, muitos gritam e clamam, mas apenas por causa do peso do sofrimento. Poucos dizem: onde está Deus, o meu Criador, que dá cânticos na noite, que nos ensina mais do que aos animais da terra e nos faz mais sábios do que as aves do céu? As pessoas buscam alívio, mas não buscam a Deus como seu Autor, aquele capaz de dar alegria e força no meio da própria escuridão.

Por isso, diz Eliú, Deus não responde ao clamor vazio: eles clamam, mas ninguém responde, por causa da soberba dos maus. Não é que Deus seja indiferente, mas ele não atende a uma oração que brota do orgulho e da insinceridade, um grito que quer apenas escapar da dor, sem buscar o Senhor. A imagem dos cânticos na noite é linda: Deus oferece consolo, confiança e proteção justamente no tempo mais escuro, a quem o procura de verdade.

A crítica às palavras vãs de Jó (Jó 35.14-16)

Eliú aplica isso a Jó, que dizia não conseguir ver a Deus, embora tivesse entregue a sua causa nas mãos dele. Segundo Eliú, Jó precisava esperar por Deus com paciência, em vez de reclamar que ele nada fazia contra o pecado. Aqui, porém, Eliú interpreta mal a Jó, pois este não afirmara que Deus nunca pune os ímpios, mas que o juízo nem sempre vem de imediato.

A conclusão de Eliú é dura: Jó abre a boca com palavras vãs e multiplica frases sem conhecimento. Falar dos dois lados da boca, querer ser inocentado por Deus e ao mesmo tempo reclamar que ele não reprime o mal, era, para Eliú, produzir conversa vazia. Há verdade na advertência sobre o orgulho na oração, mas Eliú, mais uma vez, julga a Jó com mais rigor do que a situação merecia.

Como Jó 35 aponta para Cristo

A verdade de que a nossa conduta não pode enriquecer nem subornar a Deus aponta para a graça revelada em Cristo. Não somos salvos porque temos algo a oferecer a Deus, como se pudéssemos colocá-lo em dívida conosco. Tudo é dom da sua bondade. Em Jesus, aprendemos que a nossa justiça não compra o favor de Deus; é o favor de Deus, em Cristo, que nos concede a justiça que não temos.

A promessa de que Deus dá cânticos na noite encontra o seu cumprimento em Cristo. Ele é a razão pela qual o crente pode cantar mesmo na escuridão, como Paulo e Silas louvaram a Deus na prisão à meia-noite. Jesus é a nossa força e o nosso cântico, aquele que transforma a noite do sofrimento em ocasião de confiança e alegria em Deus, mesmo antes de a manhã chegar.

E a advertência de Eliú contra a oração orgulhosa aponta para o modo como Cristo nos ensina a orar. Jesus contou a parábola do fariseu e do publicano, mostrando que Deus se agrada da oração humilde e não da arrogante. Em Cristo, nos aproximamos de Deus não com a soberba de quem exige, mas com a confiança humilde de filhos, e é essa oração que o Pai acolhe.

Três lições de Jó 35 para hoje

Sirva a Deus por amor, não por vantagem

Jó chegou a questionar que proveito teria em ser justo. Eliú lembra que a nossa conduta não coloca Deus em dívida conosco. Servir a Deus não é um negócio em que esperamos retorno garantido, mas uma resposta de amor e gratidão. Somos chamados a buscar a Deus por quem ele é, e não apenas pelo que podemos receber, confiando na sua bondade mesmo quando não vemos recompensa.

Busque o Doador, não apenas o alívio

Eliú observa que muitos clamam sob a dor, mas poucos buscam a Deus como seu Criador. É fácil procurar a Deus apenas por uma saída do sofrimento, sem desejá-lo de verdade. Somos chamados a buscar o próprio Deus no meio da aflição, e não só o alívio que ele pode dar, pois é na comunhão com ele que encontramos os cânticos na noite.

Ore com humildade, não com orgulho

Eliú diz que Deus não atende ao clamor que brota da soberba. A postura do coração na oração importa. Somos chamados a orar com humildade, reconhecendo a nossa dependência de Deus, e não com a arrogância de quem exige que ele aja segundo os nossos termos. A oração humilde e sincera é a que se aproxima de Deus e é acolhida por ele.

Perguntas frequentes sobre Jó 35

O que Eliú diz em Jó 35?

Em Jó 35, Eliú responde à queixa de Jó de que ser justo não traz vantagem. Ele argumenta que a conduta humana não afeta a Deus, que é transcendente, mas afeta a nós mesmos e aos outros. Explica também que Deus não responde ao clamor vazio e orgulhoso, e lembra que Deus dá cânticos na noite a quem o busca de verdade.

Adianta ser justo segundo Jó 35?

Eliú responde que a nossa justiça não enriquece a Deus nem o coloca em dívida conosco, pois ele é soberano e transcendente. Mas isso não torna a justiça inútil: a nossa conduta afeta a nós mesmos e às pessoas ao redor. Servir a Deus não é um negócio em busca de recompensa, mas uma resposta de amor e confiança nele.

Por que Deus não responde a algumas orações em Jó 35?

Segundo Eliú, Deus não atende ao clamor que brota do orgulho e da insinceridade. Muitos gritam apenas por causa da dor, buscando alívio, mas não buscam a Deus como seu Criador. Não é indiferença de Deus, mas o fato de que a oração orgulhosa, que quer só escapar do sofrimento sem buscar o Senhor, não se aproxima verdadeiramente dele.

O que significa Deus dar cânticos na noite em Jó 35.10?

É a imagem de Deus oferecendo consolo, confiança e força no tempo mais escuro do sofrimento. A palavra hebraica para cântico está ligada às ideias de proteção e força. Deus não apenas alivia a dor, mas dá ao coração que o busca uma canção em meio à noite, uma alegria e uma esperança que sustentam mesmo antes de a manhã chegar.

Como Jó 35 aponta para Jesus?

A verdade de que não podemos colocar Deus em dívida aponta para a graça em Cristo, que nos dá a justiça que não temos. A promessa dos cânticos na noite cumpre-se em Jesus, nossa força e cântico, que nos faz cantar na escuridão. E a advertência contra a oração orgulhosa aponta para Cristo, que nos ensina a orar com humildade, como o publicano.

Referências

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