O que acontece quando o mal planejado contra os outros se volta contra quem o arquitetou? Ester 7 é o desfecho da grande reviravolta. No segundo banquete, a rainha finalmente revela quem é e desmascara o inimigo do seu povo. Em poucas horas, Hamã passa do auge do poder à forca que ele mesmo havia preparado. É um capítulo sobre a coragem de Ester, a justiça de Deus e o mal que recai sobre a própria cabeça.
Neste estudo de Ester 7, veremos o corajoso pedido de Ester ao rei, a denúncia do plano de extermínio, a revelação de que Hamã era o inimigo, a ira do rei, o gesto desesperado de Hamã que selou a sua condenação e a sua execução na forca destinada a Mardoqueu. É um capítulo sobre a reversão completa promovida por Deus em favor do seu povo.
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O pedido de Ester (Ester 7.1-4)
No segundo banquete, enquanto bebiam o vinho, o rei mais uma vez perguntou a Ester qual era o seu pedido, prometendo atendê-lo até a metade do reino. Desta vez, Ester foi direta. Suplicou pela própria vida e pela vida do seu povo, revelando pela primeira vez, diante do rei, a sua identidade judaica. Ela denunciou que ela e o seu povo haviam sido vendidos para serem destruídos, mortos e exterminados, aludindo ao suborno e ao decreto de Hamã.
Com sabedoria e humildade, Ester acrescentou que, se tivessem sido apenas vendidos como escravos, ela teria se calado, pois isso não justificaria incomodar o rei. Mas tratava-se de aniquilação total de um povo inteiro. As suas palavras revelaram tanto a gravidade da situação quanto o tato com que ela conduziu o momento. Ester arriscava tudo, sem saber se o rei se voltaria contra ela, como fizera com Vasti.
A revelação do inimigo (Ester 7.5-6)
O rei, indignado, perguntou quem era e onde estava aquele que ousara tramar tal coisa. Foi então que Ester apontou o culpado com todas as letras: o adversário e inimigo é este mau Hamã. Naquele instante, o poderoso Hamã, sentado à mesa da rainha, se viu desmascarado diante do homem mais poderoso da terra.
Hamã ficou aterrorizado diante do rei e da rainha. Ele compreendeu imediatamente que estava perdido, que a sua sorte havia virado por completo e que a sua execução estava selada. Aquele que planejara a morte de todo um povo agora tremia diante da justiça que se aproximava. A reviravolta preparada por Deus chegava ao seu ápice.
A ira do rei e a queda de Hamã (Ester 7.7-8)
Tomado de furor, o rei se levantou e saiu do banquete para o jardim do palácio. Hamã, percebendo que a sua ruína estava decidida, ficou para trás implorando a Ester pela sua vida. No desespero, ele se lançou sobre o divã em que a rainha estava reclinada, pois os persas reclinavam-se em leitos durante as refeições. Ao fazer isso, porém, Hamã violou o rígido protocolo da corte, que exigia manter distância de qualquer membro do harém real.
Justamente nesse momento, o rei retornou do jardim e viu Hamã caído sobre o leito de Ester. Interpretando o gesto como uma investida contra a rainha em sua própria presença, exclamou indignado. A quebra do protocolo bastava para selar a condenação. Os servos cobriram o rosto de Hamã, sinal de que ele já era um homem condenado à morte. Sem que o rei precisasse sequer pronunciar uma sentença formal, o destino de Hamã estava traçado.
A execução de Hamã (Ester 7.9-10)
Então Harbona, um dos eunucos do rei, mencionou a forca de cinquenta côvados que Hamã havia mandado erguer junto à sua casa para nela pendurar Mardoqueu, aquele que falara em favor do rei. Muitos na corte odiavam Hamã, e Harbona sabia bem do plano dele. O rei ordenou de imediato: enforquem-no nela.
E assim, Hamã foi executado na própria forca que preparara para o seu inimigo. As posições se inverteram por completo: o mal que ele tramou recaiu sobre a sua própria cabeça. Com a morte de Hamã, a ira do rei se apaziguou. Ainda restava um grave problema, pois o decreto de extermínio permanecia em vigor, mas o principal arquiteto da maldade estava derrotado, e o livramento do povo de Deus avançava.
Como Ester 7 aponta para Cristo
A intercessão de Ester, que arrisca a vida para suplicar pela salvação do seu povo diante do rei, aponta para Cristo, o nosso advogado e intercessor. Assim como Ester se colocou entre o povo e o decreto de morte, Jesus se coloca entre nós e a condenação, intercedendo por nós diante do trono de Deus. Mas, diferente de Ester, ele não apenas suplica, mas paga o preço da nossa salvação com a própria vida.
A queda de Hamã na forca que preparou para outro aponta para a derrota do inimigo pelas suas próprias armas. Na cruz, o que parecia a vitória de Satanás sobre Cristo tornou-se a sua própria ruína, pois foi ali que Jesus o venceu. O instrumento de morte destinado a destruir o povo de Deus voltou-se contra o autor do mal, prenunciando como Cristo, morrendo, destruiu aquele que tinha o poder da morte.
E a justiça que alcançou Hamã aponta para a certeza de que Deus julga o mal e vindica o seu povo. O princípio de que quem cava uma cova nela cai se cumpre plenamente em Cristo, o Juiz justo. Nele temos a garantia de que a maldade não terá a última palavra, e de que Deus, no tempo certo, fará justiça, livrando os seus e derrotando definitivamente todo inimigo.
Três lições de Ester 7 para hoje
A coragem de falar no momento certo
Ester esperou o momento oportuno e, quando chegou a hora, falou com clareza e coragem, arriscando tudo pela verdade e pelo seu povo. Há momentos em que o silêncio não é opção, e precisamos ter a coragem de nos posicionar. Somos chamados a buscar sabedoria para discernir a hora certa e a coragem para falar quando é preciso, defendendo o que é justo, mesmo diante do risco.
O mal se volta contra quem o pratica
Hamã morreu na forca que preparou para Mardoqueu, cumprindo o princípio de que quem cava uma cova nela cai. A maldade planejada contra os outros tem o hábito de retornar sobre quem a arquiteta. Somos alertados a não tramar o mal contra o próximo, sabendo que Deus é justo e que a injustiça, cedo ou tarde, alcança quem a comete. É muito melhor confiar a Deus a nossa causa do que buscar prejudicar os outros.
Deus faz justiça no tempo dele
Por um tempo, pareceu que Hamã venceria e que o povo de Deus estava perdido. Mas Deus reverteu tudo no momento certo, fazendo justiça e livrando os seus. Quando enfrentamos injustiças e o mal parece prevalecer, somos chamados a confiar que Deus vê tudo e agirá no seu tempo. Ele é o juiz justo que vindica os oprimidos e não deixa a maldade triunfar para sempre.
Perguntas frequentes sobre Ester 7
Em Ester 7, durante o segundo banquete, a rainha Ester revelou ao rei que era judia e suplicou pela sua vida e a do seu povo, denunciando o plano de extermínio. Ao ser questionado, ela apontou Hamã como o inimigo. O rei, enfurecido, ordenou que Hamã fosse enforcado na própria forca que ele preparara para Mardoqueu.
Ester suplicou pela própria vida e pela do seu povo, revelando que haviam sido vendidos para a destruição. Quando o rei perguntou quem havia tramado tal coisa, ela apontou diretamente: o adversário e inimigo é este mau Hamã. Assim, com coragem, ela desmascarou o poderoso Hamã diante do rei.
O rei ficou furioso ao descobrir que Hamã havia tramado exterminar a rainha e o seu povo. Ao voltar do jardim e ver Hamã caído sobre o divã de Ester, implorando por sua vida, interpretou o gesto como uma investida contra a rainha, o que violava o rígido protocolo da corte e selou a condenação de Hamã.
Significa que o mal que Hamã planejou contra Mardoqueu recaiu sobre ele mesmo. Ele havia erguido uma forca para enforcar o seu inimigo, mas acabou sendo executado nela. Isso cumpre o princípio bíblico de que quem cava uma cova nela cai, mostrando a justiça de Deus contra quem trama o mal.
A intercessão de Ester pelo seu povo aponta para Cristo, nosso intercessor, que dá a vida por nós. A queda de Hamã na forca que preparou aponta para a derrota do inimigo na cruz, onde a morte destinada a Cristo tornou-se a ruína do mal. E a justiça sobre Hamã aponta para Cristo, o Juiz justo que vindica o seu povo.
Referências
- BÍBLIA. Almeida Revista e Corrigida (ARC). Sociedade Bíblica do Brasil.
- WALTON, John H. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento.
- MARTIN, John A. Comentário do conhecimento bíblico: Antigo Testamento (seção de Ester).