O dia que fora marcado para o extermínio dos judeus chegou. Mas, em vez da tragédia planejada por Hamã, aconteceu o oposto: os inimigos foram derrotados e o povo de Deus foi preservado. Ester 9 registra a grande vitória e a instituição da Festa de Purim, para que aquele livramento nunca fosse esquecido. É um capítulo sobre a reversão completa, a justiça de Deus e o valor de celebrar e lembrar o que ele fez.
Neste estudo de Ester 9, veremos a vitória dos judeus no dia marcado, a morte dos inimigos e dos dez filhos de Hamã, a recusa reiterada em tocar nos despojos, e a instituição da Festa de Purim por Mardoqueu e Ester, com banquetes, alegria, troca de presentes e doações aos pobres. É um capítulo sobre transformar o livramento em memória e gratidão perpétuas.
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A vitória dos judeus (Ester 9.1-10)
No dia treze do mês de adar, a data que os inimigos esperavam para dominar os judeus, a situação se inverteu por completo: foram os judeus que prevaleceram sobre os que os odiavam. Eles se reuniram nas cidades para defender as suas vidas, e o temor dos judeus caiu sobre todos os povos. Até as autoridades das províncias os apoiavam, porque o temor de Mardoqueu, agora poderoso na corte, havia se espalhado. Foi a intervenção soberana de Deus que colocou Mardoqueu naquela posição e virou o jogo.
Na cidadela de Susã, os judeus mataram quinhentos homens, além dos dez filhos de Hamã. É importante notar um detalhe repetido no capítulo: os judeus não estenderam a mão sobre os despojos. Diferente de Hamã, que planejara saquear os bens do povo, eles agiram em legítima defesa e por justiça, não por ganância. Essa recusa em tomar os bens dos inimigos marca a diferença entre a autodefesa justa e a cobiça.
O segundo dia e a abstenção dos despojos (Ester 9.11-19)
Quando o rei soube do número de mortos em Susã, perguntou a Ester o que mais ela desejava. Ela pediu duas coisas: que os judeus de Susã tivessem mais um dia para completar a defesa e que os corpos dos dez filhos de Hamã fossem pendurados na forca. Expor os corpos era, no antigo Oriente Próximo, uma advertência pública, um aviso para que ninguém repetisse aquele crime. No segundo dia, os judeus de Susã mataram mais trezentos homens, e novamente não tocaram nos despojos.
Nas demais províncias do império, os judeus mataram setenta e cinco mil dos que os odiavam, também sem tomar despojo algum, e descansaram. Como em Susã a luta durou dois dias, os judeus da capital celebraram no dia quinze, enquanto os das aldeias e cidades abertas celebraram no dia quatorze. Assim, o que fora planejado como o dia do luto tornou-se dia de descanso, banquete e alegria para o povo de Deus.
A instituição da Festa de Purim (Ester 9.20-32)
Para que aquele livramento jamais fosse esquecido, Mardoqueu registrou os acontecimentos e enviou cartas a todos os judeus do império, ordenando que celebrassem anualmente os dias quatorze e quinze de adar. A festa recebeu o nome de Purim, derivado de pur, a sorte que Hamã lançara para escolher o dia da destruição. Aquilo que o inimigo usara para o mal tornou-se símbolo permanente de como Deus dirige as circunstâncias para salvar os seus.
A celebração de Purim incluía dias de banquete e alegria, a troca de presentes de comida uns com os outros e doações aos pobres, para que ninguém ficasse de fora da festa. Ester, junto com Mardoqueu, escreveu uma segunda carta confirmando a celebração, com palavras de boa vontade e segurança, bem diferentes do decreto de morte de Hamã. E os relatos foram guardados nos registros oficiais, para que a memória do livramento permanecesse por todas as gerações.
Como Ester 9 aponta para Cristo
A grande reversão de Ester 9, em que o dia da morte se transforma em dia de vitória e vida, aponta para a obra de Cristo. Na cruz, o dia que parecia a derrota definitiva do povo de Deus tornou-se o dia da maior vitória, pois foi ali que Jesus derrotou o pecado, a morte e o inimigo. Assim como o povo passou da sentença de morte à celebração da vida, em Cristo passamos da condenação para a salvação.
A instituição de uma festa para lembrar perpetuamente o livramento aponta para a ceia do Senhor, que Cristo instituiu para que o seu povo nunca esqueça a salvação conquistada por ele. Assim como Purim recordava a bondade de Deus que preservou os judeus, a ceia recorda o corpo entregue e o sangue derramado de Jesus pela nossa redenção. Somos chamados a lembrar e celebrar a obra do nosso Salvador com gratidão.
E a alegria acompanhada de generosidade com os pobres aponta para o fruto da salvação em Cristo. O livramento que recebemos não nos deixa fechados em nós mesmos, mas transborda em amor ao próximo e cuidado com os necessitados. Assim como a festa do povo de Deus incluía a partilha com os pobres, a alegria da salvação em Jesus nos move a compartilhar a sua bondade com os que estão ao nosso redor.
Três lições de Ester 9 para hoje
Celebre e lembre o que Deus fez
Purim foi instituída para que o livramento de Deus fosse lembrado a cada ano, com alegria e gratidão. Temos a tendência de esquecer depressa as bênçãos recebidas. Somos chamados a cultivar a memória das obras de Deus em nossa vida, celebrando e relembrando os seus livramentos, pois recordar o que ele já fez fortalece a nossa fé e alimenta a nossa gratidão diante dos desafios do presente.
Aja com justiça, não por ganância
Por três vezes o texto ressalta que os judeus não tocaram nos despojos, mostrando que agiram em legítima defesa e por justiça, não por cobiça. Isso os distinguia de Hamã, movido pela ambição. Somos chamados a agir sempre com integridade e justiça, mesmo quando temos oportunidade de tirar vantagem. O modo como fazemos as coisas importa tanto quanto o resultado, e a pureza de motivos honra a Deus.
Que a alegria transborde em generosidade
A celebração incluía a troca de presentes e doações aos pobres, para que todos participassem da alegria. A verdadeira gratidão a Deus não fica presa em nós, mas se traduz em cuidado com os outros. Somos chamados a deixar que as bênçãos que recebemos transbordem em generosidade, lembrando dos necessitados e partilhando com alegria aquilo que Deus nos deu, para que a bondade dele alcance também o próximo.
Perguntas frequentes sobre Ester 9
Em Ester 9, chegou o dia marcado para o extermínio dos judeus, mas a situação se inverteu e eles venceram os seus inimigos, matando os que os atacavam e os dez filhos de Hamã, sem tocar nos despojos. Depois, Mardoqueu e Ester instituíram a Festa de Purim para celebrar anualmente o livramento.
A Festa de Purim é a celebração anual, instituída em Ester 9, que recorda o livramento dos judeus do plano de extermínio de Hamã. O nome vem de pur, a sorte que Hamã lançou para escolher o dia da destruição. A festa, nos dias quatorze e quinze de adar, inclui banquetes, alegria, troca de presentes e doações aos pobres.
O texto ressalta por três vezes que os judeus não tomaram os despojos dos inimigos, para deixar claro que agiram em legítima defesa e por justiça, não por ganância. Isso os distinguia de Hamã, que planejara saquear os bens do povo, mostrando a pureza de motivos na defesa das suas vidas.
A pedido de Ester, os corpos já mortos dos dez filhos de Hamã foram pendurados na forca. Expor os corpos era, no antigo Oriente Próximo, uma advertência pública, servindo de aviso para que ninguém repetisse o crime que eles haviam tramado contra o povo de Deus.
A reversão do dia da morte em dia de vitória aponta para a cruz, onde a aparente derrota tornou-se a maior vitória de Cristo. A festa que lembra o livramento aponta para a ceia do Senhor, que recorda a salvação em Jesus, e a alegria com generosidade aos pobres aponta para o fruto da salvação, que transborda em amor ao próximo.
Referências
- BÍBLIA. Almeida Revista e Corrigida (ARC). Sociedade Bíblica do Brasil.
- WALTON, John H. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento.
- MARTIN, John A. Comentário do conhecimento bíblico: Antigo Testamento (seção de Ester).