Por que a Bíblia diz para não apressar o amor? Em meio a um dos capítulos mais belos sobre o afeto entre um homem e uma mulher, Cantares 2 traz um refrão que se repete no livro: não desperteis nem provoqueis o amor antes que ele queira. É um conselho precioso sobre paciência, tempo certo e domínio próprio, no meio de um poema cheio de ternura.
Neste estudo de Cantares 2, veremos o elogio mútuo entre os amados, o refrão sobre esperar o amor no tempo de Deus, o convite encantador da primavera para sair ao campo, e o compromisso mútuo expresso na frase o meu amado é meu, e eu sou dele. É um capítulo que fala de amor, paciência e pertencer.
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O elogio mútuo e o tempo certo do amor (Cantares 2.1-7)
A amada fala de si com humildade: eu sou a rosa de Sarom e o lírio dos vales, flores comuns do campo. Mas o amado eleva a comparação: como o lírio entre os espinhos, assim é a minha querida entre as filhas. Aos seus olhos, ela é única. Ela retribui, comparando-o a uma macieira entre as árvores do bosque, e descreve o amor dele como sombra que protege, fruto doce que sacia e uma bandeira erguida, pois ele não escondia nem se envergonhava do seu amor por ela.
Tomada pela emoção, ela diz que desfalece de amor, e faz então o adjuro que se tornará o refrão do livro: conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que não desperteis nem provoqueis o amor até que este o queira. É uma verdade profunda: o amor verdadeiro não pode ser forçado nem apressado, mas deve ser esperado no tempo certo. Mesmo no auge do afeto, o casal exercia domínio próprio, aguardando com expectativa o dia do casamento.
O convite da primavera (Cantares 2.8-14)
A cena muda para o campo. A amada ouve o amado se aproximando e o descreve saltando pelos montes como uma gazela, cheio de força e alegria. Ele chega à janela e a convida com ternura: levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem. E descreve a chegada da primavera: o inverno passou, cessaram as chuvas, as flores aparecem na terra, chega o tempo de cantar, a figueira dá os seus primeiros figos e as vides em flor exalam o seu perfume.
Essa descrição da primavera é mais do que um cenário bonito; ela reflete o próprio amor, que faz tudo parecer novo e fresco. O amado deseja estar a sós com a amada e a chama para fora do seu esconderijo: pomba minha, que estás nas fendas da rocha, mostra-me o teu rosto e faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce e o teu rosto, formoso. O desejo de estar junto e de conhecer o outro é uma marca do amor genuíno.
As raposinhas e o pertencer mútuo (Cantares 2.15-17)
A amada fala então de forma poética sobre os perigos do relacionamento: apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor. As raposinhas representam os pequenos problemas e ameaças que, se não forem enfrentados juntos e a tempo, podem estragar o amor: o ciúme, o orgulho, a desconfiança, o egoísmo. Ela pede que o casal cuide dessas questões enquanto ainda são pequenas.
E, apesar das dificuldades, ela repousa na certeza do compromisso mútuo: o meu amado é meu, e eu sou dele. Há aqui uma segurança que descansa não nas circunstâncias, mas no pertencer recíproco. Ela sabe que é amada e que ama, e essa certeza a sustenta. Essa frase, uma das mais conhecidas do livro, resume o coração do amor: pertencer um ao outro por inteiro.
Como Cantares 2 aponta para Cristo
A declaração o meu amado é meu, e eu sou dele aponta para a segurança que o crente tem em Cristo. O Novo Testamento apresenta a relação entre Jesus e a sua Igreja como a de um noivo e a sua noiva, e essa certeza de pertencer mútuo é o coração da fé. Podemos dizer com confiança: eu sou de Cristo, e Cristo é meu. Essa posse recíproca não depende dos nossos sentimentos, mas do compromisso fiel do nosso amado, que nunca nos abandona.
O convite do amado, levanta-te e vem, aponta para o chamado de Cristo. Assim como o amado convida a amada a sair do esconderijo e a caminhar com ele na primavera, Jesus nos chama a deixar as trevas e a andar com ele na novidade de vida. Em Cristo, o inverno do pecado passa, e começa a primavera de uma vida nova, cheia de esperança e alegria na comunhão com ele.
E o refrão sobre não despertar o amor antes do tempo aponta para a paciência com que Deus conduz a nossa história. Assim como o amor humano tem o seu tempo certo, também o amor de Deus se revela e amadurece no tempo dele. A Igreja aguarda com expectativa as bodas do Cordeiro, o dia em que a comunhão com Cristo será plena. Até lá, vivemos na esperança de quem já pertence ao seu amado e espera com confiança o encontro pleno.
Três lições de Cantares 2 para hoje
Não apresse o que precisa amadurecer
O refrão de Cantares ensina a não despertar o amor antes que ele queira. Muitas dores nascem da pressa em forçar aquilo que precisa de tempo. Somos chamados a exercer paciência e domínio próprio, confiando que Deus traz cada coisa no tempo certo, e a esperar com expectativa em vez de atropelar o que só amadurece com paciência.
Cuide dos pequenos problemas a tempo
A amada pede que se apanhem as raposinhas que estragam as vinhas ainda em flor. Muitas vezes não são os grandes conflitos, mas os pequenos descuidos não resolvidos, que corroem um relacionamento. Somos chamados a enfrentar juntos e a tempo as pequenas questões, o ciúme, o orgulho, a mágoa, antes que elas cresçam e prejudiquem o amor.
Descanse na segurança de pertencer
O meu amado é meu, e eu sou dele: essa certeza de pertencer sustenta o coração mesmo nas dificuldades. No relacionamento com Deus, essa segurança é ainda mais firme. Somos chamados a descansar na certeza de que pertencemos a Cristo e ele a nós, uma posse que não depende dos nossos sentimentos, mas do seu amor fiel e imutável.
Perguntas frequentes sobre Cantares 2
É o refrão que se repete no livro e ensina que o amor verdadeiro não pode ser forçado nem apressado, mas deve ser esperado no tempo certo. A amada exorta as filhas de Jerusalém a não provocar o amor antes que ele amadureça naturalmente. É um chamado à paciência e ao domínio próprio, confiando que Deus conduz cada coisa no seu tempo.
É uma das frases mais conhecidas do livro e expressa o compromisso e o pertencer mútuo entre os amados. Ela revela uma segurança que descansa não nas circunstâncias, mas no fato de pertencerem um ao outro. Essa certeza sustenta o coração mesmo nas dificuldades, e aponta para a segurança que o crente tem em Cristo, seu amado.
As raposinhas que estragam as vinhas em flor representam, de forma poética, os pequenos problemas e ameaças que podem prejudicar um relacionamento: o ciúme, o orgulho, a desconfiança, o egoísmo. A amada pede que o casal enfrente juntos e a tempo essas questões, enquanto ainda são pequenas, antes que cresçam e destruam o amor.
O amado convida a amada a sair ao campo e descreve a chegada da primavera: o inverno passa, as flores aparecem, a figueira frutifica. Mais do que um cenário bonito, essa descrição reflete o próprio amor, que faz tudo parecer novo e fresco. É uma imagem de renovação e alegria que aponta para a novidade de vida que temos em Cristo.
A frase o meu amado é meu e eu sou dele aponta para a segurança de pertencer a Cristo, o noivo da Igreja. O convite levanta-te e vem aponta para o chamado de Jesus à novidade de vida. E o refrão sobre esperar o amor aponta para a paciência com que Deus conduz a história rumo às bodas do Cordeiro, quando a comunhão com Cristo será plena.
Referências
- BÍBLIA. Almeida Revista e Corrigida (ARC). Sociedade Bíblica do Brasil.
- WALTON, John H. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento.
- DEERE, Jack S. Comentário do conhecimento bíblico: Antigo Testamento (seção de Cânticos).