Por que não vale a pena atravessar a vida sozinho? Eclesiastes 4 olha de frente para a opressão, a inveja, a ganância e a solidão que marcam a vida debaixo do sol. Mas, no meio dessa análise, surge uma das verdades mais preciosas do livro: melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.
Neste estudo de Eclesiastes 4, veremos o lamento pela opressão sem consolo, a denúncia do trabalho movido pela inveja e pela ganância, o valor insubstituível da companhia e da amizade, e a inconstância da fama e do prestígio. É um capítulo que nos ensina a não viver isolados e a buscar sentido além das conquistas passageiras.
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A opressão e o trabalho movido pela inveja (Eclesiastes 4.1-6)
Salomão olha para as opressões que se cometem debaixo do sol e se comove com os oprimidos, que choram sem ter quem os console, enquanto do lado dos opressores está a força. A situação lhe parece tão sem esperança que ele chega a dizer que os mortos estão melhor que os vivos, e mais ainda quem nunca nasceu e não viu o mal que se faz. É a voz do desespero de quem olha o sofrimento do mundo sem levar Deus em conta.
Ele observa também o motivo por trás de muito trabalho: a inveja e a rivalidade com o próximo. Muito do que as pessoas fazem nasce do desejo de superar os outros, e isso, diz ele, é vaidade e correr atrás do vento. O tolo cruza os braços e se arruína, mas há um equilíbrio: melhor é uma mão cheia com tranquilidade do que duas mãos cheias com trabalho penoso e ansiedade. Vale mais ter menos e viver em paz do que ter muito às custas de uma vida agitada e infeliz.
Melhor dois do que um (Eclesiastes 4.7-12)
Salomão descreve então a solidão do ganancioso: um homem sozinho, sem filho nem irmão, que trabalha sem parar, cujos olhos nunca se fartam de riquezas, e que nem se pergunta para quem está acumulando tudo e se privando do prazer. Ele acorda um dia e vê que essa labuta sem fim, sem ninguém com quem compartilhar, também é vaidade e um trabalho penoso. A ganância isolada rouba o sentido da vida.
Em contraste, ele exalta a companhia. Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Se um cair, o outro o levanta; mas ai do que está só, pois, caindo, não há quem o levante. Se dois dormem juntos, aquecem-se; mas como se aquecerá um só? E se alguém quiser dominar um que está só, dois lhe resistirão. E o clímax: o cordão de três dobras não se rompe facilmente. A união traz recompensa, socorro, calor e proteção, e a força cresce quanto mais companheiros temos.
A inconstância da fama (Eclesiastes 4.13-16)
Por fim, Salomão fala do desejo de prestígio. Melhor é o jovem pobre e sábio do que o rei velho e insensato que já não aceita conselhos. Ele descreve um jovem que sobe da pobreza, e até da prisão, para o trono, conquistando enorme popularidade: uma multidão sem fim o segue e se coloca sob a sua liderança.
Mas o prestígio é passageiro. Os que vieram depois não se alegraram com esse novo líder, e a fama que parecia tão grande logo se apagou. Salomão conclui que isso também é vaidade e correr atrás do vento. O poder, a influência e o aplauso das multidões são efêmeros; quem constrói a vida sobre eles constrói sobre o que não dura.
Como Eclesiastes 4 aponta para Cristo
O clamor dos oprimidos que não têm consolador aponta para Cristo, o Consolador que Deus enviou aos que sofrem. Jesus veio anunciar liberdade aos oprimidos e prometeu não deixar os seus órfãos, enviando o Espírito Santo como Consolador. Onde Salomão só via desamparo debaixo do sol, o evangelho revela um Deus que se aproxima dos aflitos e enxuga as suas lágrimas.
A verdade de que dois são melhores que um aponta para a vida em comunhão que temos em Cristo. Ele nos une num só corpo, a Igreja, onde carregamos as cargas uns dos outros e nos levantamos quando caímos. E o próprio Cristo é o companheiro que nunca nos abandona, o amigo mais chegado que um irmão, que promete estar conosco todos os dias. Nele, ninguém precisa atravessar a vida sozinho.
E a fama passageira que Salomão descreve aponta, por contraste, para o Reino de Cristo, que não terá fim. Enquanto o prestígio humano se apaga e as multidões mudam de líder, Jesus é o Rei cujo trono permanece para sempre. Quem constrói a vida sobre ele constrói sobre a rocha que não passa, e recebe uma honra que não depende do aplauso instável dos homens, mas da aprovação eterna de Deus.
Três lições de Eclesiastes 4 para hoje
Não trabalhe movido pela inveja
Salomão mostra que muito esforço nasce do desejo de superar os outros, e que isso é correr atrás do vento. Comparar-se e competir por inveja rouba a paz e nunca satisfaz. Somos chamados a trabalhar com propósito e contentamento, valorizando uma vida tranquila acima do acúmulo ansioso, e a nos alegrar com o que temos em vez de viver medindo a vida pela dos outros.
Não atravesse a vida sozinho
O capítulo exalta a companhia: dois se levantam, se aquecem e se protegem melhor do que um. Fomos feitos para viver em comunhão, não no isolamento da ganância. Somos chamados a cultivar amizades verdadeiras, a fazer parte de uma comunidade de fé e a não carregar a vida sozinhos, sabendo que o cordão de três dobras não se rompe com facilidade.
Não construa a vida sobre a fama
Salomão mostra como o prestígio e o aplauso das multidões são passageiros. Buscar sentido na aprovação dos outros é edificar sobre o que se desfaz. Somos chamados a não viver em função da fama ou da opinião das pessoas, mas a buscar a aprovação de Deus, cuja honra é eterna e não depende do favor instável do mundo.
Perguntas frequentes sobre Eclesiastes 4
Em Eclesiastes 4.9-12, Salomão exalta o valor da companhia: dois têm melhor recompensa no trabalho, um levanta o outro se cair, aquecem-se juntos e resistem melhor ao perigo. A conclusão é que fomos feitos para viver em comunhão, e não no isolamento. É um convite a cultivar amizades e a não atravessar a vida sozinho.
É a imagem que encerra o elogio à companhia: assim como um cordão trançado com três fios é muito mais resistente, a união de mais pessoas traz mais força e proteção. A frase mostra que a força cresce com a comunhão, e é frequentemente aplicada a relacionamentos, amizades e casamentos que incluem Deus e os irmãos na fé.
Salomão observa a opressão que se comete debaixo do sol e se comove com os oprimidos que sofrem sem consolo, enquanto os opressores têm o poder. Ele expressa o desespero de quem olha esse mal sem levar Deus em conta. Isso prepara o contraste com o evangelho, que revela em Cristo o Consolador que se aproxima dos que sofrem.
O capítulo alerta contra o trabalho movido pela inveja e pela ganância, que é vaidade e correr atrás do vento. Salomão mostra que vale mais uma mão cheia com tranquilidade do que duas mãos cheias com ansiedade, e que acumular sozinho, sem desfrutar nem compartilhar, é vazio. O trabalho precisa de propósito, contentamento e comunhão.
O clamor dos oprimidos sem consolador aponta para Cristo, o Consolador dos que sofrem. A verdade de que dois são melhores que um aponta para a vida em comunhão na Igreja e para Jesus, o amigo que nunca nos abandona. E a fama passageira contrasta com o Reino de Cristo, que não tem fim e oferece uma honra eterna.
Referências
- BÍBLIA. Almeida Revista e Corrigida (ARC). Sociedade Bíblica do Brasil.
- WALTON, John H. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento.
- GLENN, Donald R. Comentário do conhecimento bíblico: Antigo Testamento (seção de Eclesiastes).