O dinheiro pode trazer felicidade? Eclesiastes 5 responde com franqueza: quem ama o dinheiro nunca se farta dele. O capítulo une dois temas que parecem distantes, mas se completam: como nos aproximamos de Deus e como lidamos com a riqueza. Nos dois, o Pregador expõe a vaidade das nossas ilusões e aponta para onde está a verdadeira alegria.
Neste estudo de Eclesiastes 5, veremos o chamado à reverência e à sinceridade diante de Deus, o cuidado com as palavras e os votos, a realidade da opressão dos poderosos, a insaciabilidade de quem confia nas riquezas, e a bela conclusão de que desfrutar do trabalho e da vida é um dom que vem da mão de Deus.
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Reverência e sinceridade diante de Deus (Eclesiastes 5.1-7)
Salomão começa tratando da atitude do coração diante de Deus. Guarda o teu pé quando entrares na casa de Deus, e chega-te mais para ouvir do que para oferecer o sacrifício dos tolos. Não sejas precipitado com a tua boca, nem o teu coração se apresse a proferir palavra alguma diante de Deus, porque Deus está nos céus, e tu, na terra; por isso, sejam poucas as tuas palavras. A adoração verdadeira começa com humildade e disposição de ouvir, não com muitas palavras vazias.
Ele adverte especialmente sobre os votos: quando fizeres um voto a Deus, não tardes em cumpri-lo, porque ele não se agrada de tolos. Melhor é não votar do que votar e não pagar. Não permitas que a tua boca te faça pecar, alegando depois diante do mensageiro que foi um engano. Assim como os muitos sonhos são vazios, também o são as muitas palavras. A conclusão é direta: teme a Deus. Diante do Senhor, o certo não é falar por impulso, mas viver em reverência e cumprir o que se promete.
A opressão e a insaciabilidade do dinheiro (Eclesiastes 5.8-17)
Salomão observa a opressão do pobre e a injustiça, e diz que não devemos nos espantar com isso, pois há uma cadeia de autoridades em que um poderoso vigia o outro, extraindo dos que estão abaixo. É um retrato realista de como o fruto do trabalho pode ser tomado pelos que estão no poder. Mas o maior obstáculo à alegria não vem só de fora; vem de dentro, do próprio coração cobiçoso.
Ele expõe a insaciabilidade da riqueza: quem ama o dinheiro jamais se satisfaz com ele, e quem ama a riqueza nunca se contenta com o ganho. Quanto mais bens, mais gente para consumi-los, e que proveito têm os donos senão o de contemplá-los com os olhos? O sono do trabalhador é doce, coma ele pouco ou muito, mas a fartura do rico não o deixa dormir. Salomão fala ainda da riqueza guardada para o mal do seu dono, que se perde por um infortúnio, e lembra que nu saímos do ventre e nu voltaremos, sem levar nada do nosso trabalho. Acumular por acumular só traz ansiedade e trevas.
O desfrute como dom de Deus (Eclesiastes 5.18-20)
Depois de tanta análise, Salomão chega à sua conclusão positiva. Eis o que eu vi: que é bom e agradável que o homem coma, beba e goze do bem de todo o seu trabalho com que se afadiga debaixo do sol durante os poucos dias da sua vida, pois esta é a sua porção. O segredo não está em acumular, mas em receber com gratidão o que já temos.
E ele deixa claro de onde vem essa capacidade: quando Deus dá riquezas e bens a alguém e o capacita a desfrutá-los, a receber a sua porção e a alegrar-se no trabalho, isso é dom de Deus. A própria alegria de coração é presente do Senhor, e é ela que impede a pessoa de ficar remoendo a brevidade da vida, porque Deus a ocupa com a alegria do seu coração. Não é o quanto temos, mas a alegria que Deus dá, que faz a vida valer a pena.
Como Eclesiastes 5 aponta para Cristo
O chamado a ouvir mais do que falar diante de Deus aponta para Cristo, a Palavra que devemos ouvir. No monte da transfiguração, a voz do Pai disse sobre Jesus: a ele ouvi. Se diante de Deus as nossas muitas palavras são vazias, em Cristo temos aquele que fala com autoridade e a quem devemos escutar. Ele também nos ensinou a orar sem a vã repetição dos que pensam ser ouvidos pelo muito falar.
A insaciabilidade do dinheiro, que nunca satisfaz, aponta para a advertência de Cristo contra a cobiça e para ele como a única fonte que sacia. Jesus disse que a vida não consiste na abundância dos bens, e alertou que não se pode servir a Deus e às riquezas. O vazio que Eclesiastes 5 descreve encontra resposta naquele que oferece o verdadeiro tesouro, que não se perde nem se corrompe, guardado nos céus.
E a verdade de que o desfrute é um dom de Deus aponta para o evangelho da graça. Não conquistamos a alegria pelo acúmulo, mas a recebemos das mãos de Deus, que em Cristo nos dá gratuitamente todas as coisas. Em Jesus, aprendemos o contentamento que independe das circunstâncias, e a receber cada dia, cada refeição e cada trabalho como presente de um Pai que enche o coração de alegria.
Três lições de Eclesiastes 5 para hoje
Aproxime-se de Deus com reverência e para ouvir
Salomão ensina a guardar os pés ao entrar na casa de Deus e a falar pouco diante dele. A adoração verdadeira começa com humildade e disposição de escutar, não com palavras apressadas. Somos chamados a nos aproximar de Deus com reverência, prontos a ouvi-lo, e a cumprir o que prometemos, tratando a nossa relação com ele com a seriedade que ela merece.
Não deposite a sua segurança no dinheiro
O capítulo mostra que quem ama o dinheiro nunca se farta, e que a riqueza traz ansiedade e não pode ser levada na morte. Confiar nos bens é construir sobre o que não sacia. Somos chamados a não colocar a nossa segurança nas riquezas, mas em Deus, e a nos guardar da cobiça que rouba a paz e nunca se contenta com o que já temos.
Receba a alegria como presente de Deus
Salomão conclui que desfrutar do trabalho e da vida é um dom da mão de Deus. A alegria verdadeira não é fabricada pelo acúmulo, mas recebida com gratidão. Somos chamados a desfrutar com contentamento das coisas simples, o alimento, o trabalho, o dia comum, reconhecendo-as como presentes de Deus, que enche o coração de alegria e nos livra da angústia.
Perguntas frequentes sobre Eclesiastes 5
Eclesiastes 5 ensina que quem ama o dinheiro nunca se farta dele e que a riqueza traz ansiedade, tira o sono e não pode ser levada na morte. O acúmulo por si só não satisfaz o coração. O capítulo alerta contra confiar nas riquezas e conclui que a verdadeira alegria está em desfrutar, com gratidão, o que Deus dá, e não em possuir cada vez mais.
Salomão ensina a guardar os pés ao entrar na casa de Deus e a chegar mais para ouvir do que para oferecer o sacrifício dos tolos. Ele adverte contra falar por impulso diante de Deus, pois ele está nos céus e nós na terra. A adoração verdadeira começa com reverência, humildade e disposição de escutar, e não com muitas palavras vazias.
Salomão ensina que, ao fazer um voto a Deus, é preciso cumpri-lo sem tardar, pois Deus não se agrada de tolos. Melhor é não votar do que votar e não pagar. Ele adverte para não deixar a boca levar ao pecado com promessas precipitadas. A conclusão é temer a Deus e tratar com seriedade aquilo que se promete diante dele.
A conclusão é que é bom e agradável comer, beber e desfrutar do fruto do trabalho, pois essa é a porção que Deus dá ao homem. E, mais importante, a capacidade de desfrutar e a alegria de coração são dom de Deus. Não é o quanto se tem, mas a alegria que Deus concede, que faz a vida valer a pena e afasta a angústia.
O chamado a ouvir diante de Deus aponta para Cristo, a quem o Pai mandou ouvir. A insaciabilidade do dinheiro aponta para o alerta de Jesus contra a cobiça e para ele como o verdadeiro tesouro. E o desfrute como dom de Deus aponta para a graça, pois em Cristo recebemos gratuitamente todas as coisas e aprendemos o contentamento que enche o coração.
Referências
- BÍBLIA. Almeida Revista e Corrigida (ARC). Sociedade Bíblica do Brasil.
- WALTON, John H. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento.
- GLENN, Donald R. Comentário do conhecimento bíblico: Antigo Testamento (seção de Eclesiastes).