Por que os maus às vezes prosperam e ficam impunes? Essa pergunta incomoda qualquer pessoa que olha o mundo com sinceridade. Em Eclesiastes 8, o Pregador enfrenta esse enigma de frente. Ele reconhece que nem sempre o justo é recompensado e o ímpio castigado nesta vida, mas afirma, com fé, que no fim irá bem aos que temem a Deus.
Neste estudo de Eclesiastes 8, veremos a sabedoria que ensina a agir com prudência diante das autoridades, o enigma da impunidade dos maus, a convicção de que temer a Deus faz diferença, e o reconhecimento humilde de que ninguém consegue compreender plenamente a obra de Deus, por mais que se esforce.
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A sabedoria e a prudência diante da autoridade (Eclesiastes 8.1-9)
Salomão começa exaltando a sabedoria: quem é como o sábio? Ele sabe a interpretação das coisas, e a sua sabedoria faz o seu rosto brilhar. O sábio sabe se conduzir com prudência, inclusive diante do poder. Ele aconselha a guardar o mandado do rei, e isso por causa do juramento feito a Deus. Não te apresses a sair da presença dele nem persistas numa causa má, pois o rei tem grande autoridade.
O Pregador reconhece que o poder humano é real e que agir com sabedoria evita muitos danos, pois quem guarda o mandamento não experimenta o mal, e o coração do sábio conhece o tempo e o modo certos de agir. Mas ele também vê os limites de todo poder: ninguém domina o vento nem tem poder sobre o dia da morte, e não há dispensa na batalha. E lamenta que muitas vezes um homem domine o outro para o mal deste. Nem o mais poderoso escapa da sua própria finitude.
O enigma da impunidade e o temor de Deus (Eclesiastes 8.10-14)
Salomão observa uma contradição que o perturba: ele viu ímpios sendo sepultados com honra e elogiados na mesma cidade onde praticaram o mal, enquanto os justos eram esquecidos. E constata que, porque a sentença contra a má obra não se executa depressa, o coração dos homens se enche de ânimo para fazer o mal. A demora do juízo é frequentemente lida como se o mal não tivesse consequência.
Mesmo diante dessa realidade, o Pregador afirma a sua fé com firmeza: ainda que o pecador faça o mal cem vezes e prolongue os seus dias, eu sei que irá bem aos que temem a Deus, e que não irá bem ao ímpio. A aparência presente não é a palavra final. Ele reconhece a vaidade de haver justos tratados como se fossem ímpios e ímpios tratados como se fossem justos, mas não abandona a convicção de que temer a Deus faz, sim, toda a diferença.
Desfrutar a vida e os limites do saber (Eclesiastes 8.15-17)
Diante desses enigmas, Salomão recomenda de novo o desfrute da vida: não há nada melhor para o homem do que comer, beber e alegrar-se, e que essa alegria acompanhe o seu trabalho durante os dias que Deus lhe dá debaixo do sol. Não é um hedonismo nascido do desespero, mas uma atitude de confiança: já que não controlamos o futuro, recebemos com gratidão as alegrias de cada dia como dons da mão de Deus.
E ele encerra com uma confissão humilde. Por mais que aplicasse o coração a conhecer a sabedoria e a observar tudo o que se faz debaixo do sol, concluiu que o homem não pode compreender a obra de Deus. Ainda que o sábio afirme conhecê-la, não a alcançará. Há um mistério nos caminhos de Deus que ultrapassa a nossa capacidade. E a resposta certa diante disso não é o ceticismo, mas o temor, a submissão e a confiança.
Como Eclesiastes 8 aponta para Cristo
A angústia diante da impunidade dos maus aponta para Cristo, a quem o Pai entregou todo o juízo. Se debaixo do sol a maldade parece ficar sem resposta, o evangelho revela que haverá um dia de acerto final. Jesus voltará para julgar os vivos e os mortos, e então toda injustiça será desfeita. A demora não é ausência de justiça, mas paciência de Deus, que dá tempo para o arrependimento.
A convicção de que irá bem aos que temem a Deus aponta para a esperança que temos em Cristo. Em Jesus, o temor a Deus deixa de ser apenas um princípio de sabedoria e se torna uma relação de filhos com o Pai. Nele, os que confiam em Deus recebem a garantia de que, apesar das aparências, o desfecho da sua vida está seguro nas mãos de um Deus justo e fiel.
E o reconhecimento de que ninguém compreende a obra de Deus aponta para Cristo, em quem essa obra se revela. O que era mistério insondável para Salomão ganha luz em Jesus, que nos deu a conhecer o Pai. Não entendemos tudo, mas conhecemos aquele que tudo governa, e em Cristo aprendemos a confiar no Deus cujos caminhos são mais altos que os nossos, mas sempre bons.
Três lições de Eclesiastes 8 para hoje
Aja com sabedoria e prudência
Salomão mostra que a sabedoria ensina a discernir o tempo e o modo certos de agir, inclusive diante do poder e das autoridades. Muitos danos são evitados por quem age com prudência. Somos chamados a buscar a sabedoria que vem de Deus, a agir com discernimento nas situações da vida e a não nos precipitarmos, confiando que o temor a Deus nos guarda.
Confie na justiça de Deus mesmo diante da impunidade
O Pregador viu os maus prosperarem impunes e ainda assim afirmou que irá bem aos que temem a Deus. Quando vemos a injustiça vencer, podemos ser tentados a duvidar. Somos chamados a confiar que a aparência presente não é a palavra final, e que Deus fará justiça no seu tempo, recompensando os que o temem e não deixando o mal triunfar para sempre.
Aceite com humildade os limites do seu entendimento
Salomão reconhece que ninguém compreende plenamente a obra de Deus, por mais sábio que seja. Diante do mistério, a resposta não é o desespero, mas a confiança. Somos chamados a admitir com humildade que não entendemos tudo, e a descansar naquele que entende, temendo a Deus e desfrutando com gratidão os dons de cada dia.
Perguntas frequentes sobre Eclesiastes 8
Eclesiastes 8 fala da sabedoria que ensina a agir com prudência diante das autoridades, do enigma da impunidade dos maus, que às vezes prosperam sem castigo, e da convicção de que, apesar disso, irá bem aos que temem a Deus. Ao fim, Salomão reconhece que ninguém compreende plenamente a obra de Deus e recomenda desfrutar a vida como dom dele.
Salomão observa que, como a sentença contra o mal nem sempre se executa depressa, muitos se sentem livres para pecar, e há ímpios que prosperam e são até honrados. Ele reconhece esse enigma, mas afirma pela fé que irá bem aos que temem a Deus e não irá bem ao ímpio. A demora do juízo não significa que o mal ficará sem resposta.
Ensina que temer a Deus faz toda a diferença, mesmo quando as aparências dizem o contrário. Salomão afirma com firmeza que irá bem aos que temem a Deus, ainda que o pecador prolongue os seus dias. O temor a Deus é apresentado como o eixo da sabedoria e a garantia de um bom desfecho, apesar das contradições que se veem na vida.
Porque, por mais que o ser humano se esforce e se julgue sábio, os caminhos de Deus ultrapassam a nossa capacidade de entender. Salomão aplicou o coração a conhecer tudo o que se faz debaixo do sol e concluiu que ninguém alcança plenamente a obra de Deus. A resposta certa diante desse mistério é o temor, a submissão e a confiança, não o ceticismo.
A angústia com a impunidade dos maus aponta para Cristo, a quem o Pai deu todo o juízo e que fará justiça no fim. A convicção de que irá bem aos que temem a Deus aponta para a esperança em Jesus, que nos torna filhos do Pai. E o mistério da obra de Deus se revela em Cristo, que nos deu a conhecer o Pai.
Referências
- BÍBLIA. Almeida Revista e Corrigida (ARC). Sociedade Bíblica do Brasil.
- WALTON, John H. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento.
- GLENN, Donald R. Comentário do conhecimento bíblico: Antigo Testamento (seção de Eclesiastes).