O que fazer quando buscamos a Deus com todas as forças e ele parece não estar em lugar nenhum? Em Jó 23, Jó expressa esse anseio doloroso: se ao menos soubesse onde encontrar a Deus, iria ao seu tribunal apresentar a sua causa. Ele procura em todas as direções e não o acha. E, no entanto, no meio dessa busca, brilha uma das mais belas expressões de fé do livro: quando ele me provar, sairei como o ouro.
Neste estudo de Jó 23, veremos o desejo de Jó de encontrar Deus e apresentar a sua causa, a sua confiança de que, mesmo inacessível, Deus conhece o seu caminho e o refina como ouro, e o seu temor reverente diante da soberania divina. É um capítulo sobre buscar a Deus na provação e confiar que ele conhece o nosso caminho, mesmo quando parece ausente.
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O desejo de encontrar Deus (Jó 23.1-7)
Jó ainda sente a mão de Deus pesada sobre ele, mas o seu desejo não é fugir de Deus, e sim encontrá-lo. Ele exclama: oxalá eu soubesse onde o achar, para chegar até ao seu tribunal. Ali ele exporia a sua causa, encheria a boca de argumentos e ouviria a resposta de Deus. Usando linguagem de processo judicial, Jó expressa a confiança de que, diante das evidências, seria absolvido.
Há uma mudança importante aqui. Antes, Jó dissera que seria inútil apresentar a sua causa diante de Deus, pois seria esmagado. Agora, ele está convicto de que um homem reto poderia pleitear diante do seu Juiz e ser libertado para sempre. Essa confiança crescente na sua vindicação mostra uma fé que amadurece em meio ao sofrimento, ainda que Deus permanecesse em silêncio.
Deus conhece o meu caminho (Jó 23.8-12)
Jó procura Deus em todas as direções: vai para a frente, e ele não está lá; para trás, e não o percebe; à esquerda e à direita, e não o vê. Deus parecia inacessível, escondido. Mas então Jó declara a base da sua esperança: ainda que ele não pudesse encontrar Deus, Deus conhecia perfeitamente o seu caminho. E, provado por ele, sairia como o ouro.
A imagem do ouro vem do processo antigo de refino, em que o metal era derretido e as impurezas separadas até restar o ouro puro. Jó não temia esse exame, pois havia seguido de perto os passos de Deus, guardado os seus mandamentos e não se desviado. E acrescenta uma bela confissão: dei mais valor às palavras da sua boca do que ao meu alimento diário. Para Jó, a Palavra de Deus era mais essencial do que o próprio pão.
O temor diante da soberania de Deus (Jó 23.13-17)
Ainda assim, Jó recua diante da grandeza de Deus. Como poderia contradizer aquele que é único, que está numa classe à parte e faz tudo o que a sua alma deseja? Deus cumpriria o que tinha determinado a respeito dele, e muitas outras coisas semelhantes estavam em seu poder. Diante dessa soberania insondável, Jó se sente perturbado e apavorado.
É importante notar que o terror de Jó não vinha de uma consciência pecaminosa, como Elifaz sugeria, mas da natureza temível e majestosa do próprio Deus. Estar diante do Todo-Poderoso é algo que estremece o coração. E, no entanto, Jó afirma que não seria silenciado pelas trevas nem pela densa escuridão da aflição. Mesmo apavorado, ele não desistiria de buscar a Deus e de falar.
Como Jó 23 aponta para Cristo
O anseio de Jó por encontrar Deus e apresentar a sua causa aponta para Cristo, que nos dá acesso à presença de Deus. Jó não sabia onde achar o seu Juiz, mas em Jesus temos o caminho aberto até o Pai. Ele é a porta e o caminho, e por meio dele podemos nos aproximar com confiança do trono da graça. O que era inacessível para Jó tornou-se, em Cristo, acesso pleno e garantido à presença de Deus.
A confiança de Jó de que sairia como ouro após ser provado aponta para a obra que Cristo realiza em nós. O Novo Testamento ensina que as nossas provações são como fogo que refina a fé, tornando-a mais preciosa do que o ouro. É Jesus quem nos purifica e nos aperfeiçoa por meio das provações, e a nossa esperança é que, quando ele se manifestar, sejamos achados para louvor, glória e honra, refinados pela sua graça.
E a certeza de Jó de que Deus conhecia o seu caminho, mesmo sem poder encontrá-lo, aponta para Cristo, o Bom Pastor que conhece as suas ovelhas pelo nome. Ainda que nos sintamos perdidos ou distantes de Deus, Jesus nunca nos perde de vista. Ele conhece cada passo do nosso caminho, cada dor e cada luta, e nos sustenta com a certeza de que nunca somos esquecidos por aquele que nos ama e nos guarda.
Três lições de Jó 23 para hoje
Busque a Deus mesmo quando ele parece ausente
Jó procurou Deus em todas as direções sem o encontrar, mas não desistiu de buscá-lo. Há momentos em que Deus parece silencioso e distante, e a tentação é nos afastar. Somos chamados a fazer como Jó: continuar buscando a Deus, aproximando-nos dele em vez de fugir. A ausência sentida não é ausência real, e aquele que busca ao Senhor com sinceridade, cedo ou tarde, o encontra.
Confie que Deus conhece o seu caminho
A esperança de Jó não repousava em sentir a presença de Deus, mas em saber que Deus conhecia plenamente o seu caminho. Também nós podemos descansar nessa verdade: mesmo quando não entendemos o que se passa, Deus conhece cada detalhe da nossa vida. Somos chamados a confiar não nos nossos sentimentos, que oscilam, mas na certeza de que somos plenamente conhecidos e amados por aquele que nos guarda.
Deixe as provações refinarem a sua fé
Jó tinha a certeza de que, ao ser provado, sairia como ouro. As provações, embora dolorosas, têm o propósito de purificar e fortalecer a nossa fé. Somos chamados a não encarar as dificuldades apenas como sofrimento inútil, mas a confiar que Deus as usa para nos refinar, separando as impurezas e produzindo em nós um caráter mais precioso do que o ouro, para a glória dele.
Perguntas frequentes sobre Jó 23
Em Jó 23, Jó expressa o desejo de encontrar Deus para apresentar a sua causa diante do seu tribunal, certo de que seria absolvido. Ele procura Deus em todas as direções e não o acha, mas confia que Deus conhece o seu caminho e que, provado, sairá como ouro. Ao fim, ele treme diante da soberania de Deus, sem deixar de buscá-lo.
É a declaração de fé de Jó em Jó 23.10. A imagem vem do refino do ouro, em que o metal é derretido e as impurezas separadas. Jó confiava que, ao ser provado por Deus, sairia purificado e com a sua integridade comprovada, como o ouro que emerge limpo do fogo. Aponta para o modo como Deus refina a nossa fé pelas provações.
Jó procurou Deus para a frente, para trás e para os lados, mas Deus permanecia em silêncio e parecia inacessível. Era a experiência dolorosa de buscar a Deus e senti-lo ausente. Mesmo assim, Jó não deixou de buscá-lo, apoiando a sua esperança não em encontrar Deus, mas na certeza de que Deus conhecia o seu caminho.
O temor de Jó não vinha de uma consciência pecaminosa, como Elifaz sugeria, mas da natureza temível e majestosa do próprio Deus. Diante de um Deus único, imutável e soberano, que faz tudo o que deseja, Jó se sentia perturbado e apavorado. Ainda assim, esse temor reverente não o levou a se calar nem a desistir de buscar a Deus.
O anseio de encontrar Deus aponta para Cristo, que nos dá acesso ao Pai. A confiança de sair como ouro aponta para Jesus, que refina a nossa fé pelas provações, tornando-a mais preciosa que o ouro, e a certeza de que Deus conhece o caminho de Jó aponta para Cristo, o Bom Pastor que conhece as suas ovelhas e nunca as perde de vista.
Referências
- BÍBLIA. Almeida Revista e Corrigida (ARC). Sociedade Bíblica do Brasil.
- WALTON, John H. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento.
- ZUCK, Roy B. Comentário do conhecimento bíblico: Antigo Testamento (seção de Jó).