Como lidar com a saudade dos dias felizes que se foram? Quem já viveu tempos bons e depois perdeu tudo conhece essa dor de olhar para trás e sentir falta do que era. Em Jó 29, no meio do seu sofrimento, Jó faz exatamente isso: relembra com saudade os dias em que gozava da bênção de Deus, da honra entre o seu povo e da alegria de ajudar os necessitados.
Neste estudo de Jó 29, veremos a saudade de Jó da intimidade com Deus e da prosperidade passada, o respeito e a honra que ele tinha na cidade por causa da sua justiça com os pobres, e a expectativa que tinha de terminar a vida em paz. É um capítulo tocante sobre o contraste entre o que fomos e o que estamos vivendo, e sobre onde firmar a nossa esperança.
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A saudade da bênção de Deus (Jó 29.1-6)
Jó começa suspirando pelos meses que já se foram, pelos dias em que Deus o guardava. Ele relembra quando a lâmpada de Deus brilhava sobre a sua cabeça e, com essa luz, ele caminhava em meio às trevas. A imagem da lâmpada representa estar sob o favor divino, e a luz que guia é a presença de Deus como companheiro e amigo em meio às dificuldades.
Ele lembra os dias do seu vigor, quando o segredo de Deus repousava sobre a sua tenda, quando o Todo-Poderoso ainda estava com ele e os seus filhos o rodeavam. Esse detalhe é comovente, pois agora os filhos estavam mortos. Jó recorda também a abundância material que desfrutava, retratada pela nata e pelo azeite que jorravam em fartura. Era uma vida cercada de intimidade com Deus, família e prosperidade.
A honra e a justiça de Jó (Jó 29.7-17)
Jó descreve o prestígio que tinha na cidade. Quando ele saía à porta, onde os anciãos se assentavam para julgar, os jovens se retiravam e os anciãos se levantavam em respeito. Os príncipes continham as palavras e os nobres se calavam, esperando a sua sabedoria. Todos falavam bem dele, num contraste doloroso com as difamações que agora sofria dos amigos que deveriam consolá-lo.
Mas o respeito não vinha só da posição, e sim da sua justiça. Jó socorria o pobre que clamava, o órfão que não tinha quem o ajudasse e o moribundo, e fazia o coração da viúva cantar de alegria. Ele se vestia de justiça, e a retidão era como o seu manto e o seu turbante. Era olhos para o cego e pés para o coxo, pai para os necessitados, e defendia a causa do estrangeiro. Quebrava o poder dos opressores e arrancava a vítima dos seus dentes. Sua honra nascia de uma vida gasta em favor dos fracos.
A esperança de terminar a vida em paz (Jó 29.18-25)
Jó relembra também a confiança que tinha no futuro. Ele esperava morrer em paz no seu ninho, com dias tão numerosos como a areia. Suas raízes estariam estendidas junto às águas e o orvalho pousaria sobre os seus ramos; a sua glória se renovaria e o seu vigor seria como um arco sempre novo nas mãos. Ele contava com uma velhice próspera e uma morte tranquila, coroando uma vida abençoada.
Ele descreve, por fim, a liderança que exercia. As pessoas o ouviam e esperavam em silêncio pelo seu conselho, e depois das suas palavras não replicavam, pois a sua fala caía sobre elas como orvalho. Elas aguardavam por ele como pela chuva e bebiam as suas palavras como a terra seca. Quando ele lhes sorria, mal podiam crer, e a luz do seu rosto lhes dava ânimo. Jó escolhia o caminho, presidia como um chefe e consolava os que choravam, sendo para os outros exatamente o que os amigos não foram para ele.
Como Jó 29 aponta para Cristo
A vida de Jó, gasta em socorrer o pobre, o órfão, a viúva, o cego e o coxo, aponta para Cristo, que veio justamente para os que sofrem. Jesus abriu os olhos dos cegos, fez andar os coxos, cuidou das viúvas e acolheu os desamparados. O que Jó fazia como um homem justo, Cristo cumpriu de modo perfeito, como aquele que passou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos.
A saudade de Jó dos dias em que Deus estava com ele aponta para a promessa que só se cumpre em Cristo: a de uma presença que nunca nos deixa. Jó sentia falta da luz de Deus sobre a sua tenda, mas em Jesus temos o Emanuel, Deus conosco, que promete estar com os seus todos os dias. A intimidade que parecia perdida encontra em Cristo uma garantia que nem o sofrimento pode apagar.
E o próprio Jó, honrado e depois humilhado, prefigura Cristo em outro sentido. Jesus, sendo digno de toda honra, foi desprezado e rejeitado pelos homens, familiarizado com o sofrimento. Ele desceu da glória à humilhação para nos resgatar, e a sua história, como a de Jó, não termina na perda, mas na restauração e na exaltação. Nele, também a nossa saudade dos dias bons se transforma em esperança de um futuro glorioso.
Três lições de Jó 29 para hoje
É legítimo sentir saudade dos dias bons
Jó não fingiu que estava tudo bem nem escondeu a sua saudade. Ele reconheceu diante de Deus a falta que sentia dos tempos felizes. Também nós podemos ser sinceros com o Senhor sobre a dor de olhar para trás. Somos chamados a não reprimir esses sentimentos, mas a levá-los a Deus, sabendo que ele acolhe o nosso lamento e não nos condena por sentir a perda.
Meça a sua vida pelo bem que faz aos fracos
A honra de Jó não vinha da sua riqueza, mas de socorrer o pobre, o órfão, a viúva e o desamparado. O que dava valor à sua vida era o cuidado com os que não tinham como retribuir. Somos chamados a avaliar a nossa vida não pelo que acumulamos, mas pelo bem que fazemos aos mais frágeis, refletindo o coração de Deus pelos necessitados.
Não ponha a sua esperança na estabilidade da vida
Jó esperava morrer em paz e próspero, mas a vida tomou outro rumo. Seus planos de uma velhice tranquila foram interrompidos pelo sofrimento. Isso nos lembra que a estabilidade da vida é frágil e pode mudar. Somos chamados a firmar a nossa esperança não nas circunstâncias, que passam, mas em Deus, que permanece fiel mesmo quando tudo o que planejamos se desfaz.
Perguntas frequentes sobre Jó 29
Em Jó 29, Jó relembra com saudade os dias felizes do passado. Ele recorda a intimidade com Deus e a prosperidade que tinha, a honra e o respeito que recebia na cidade por causa da sua justiça com os pobres, órfãos e viúvas, e a expectativa que nutria de terminar a vida em paz. É um retrato nostálgico de uma vida abençoada, honrada e útil.
Jó relembra os dias bons para contrastá-los com o sofrimento que vivia. Ao recordar a bênção, a honra e a utilidade que teve, ele expressa a dor da perda e a saudade de tudo o que se foi. Esse olhar para trás prepara o lamento do capítulo seguinte, em que ele descreve a sua condição atual de humilhação.
Jó socorria o pobre que clamava, o órfão sem ajuda e o moribundo, e alegrava o coração da viúva. Era olhos para o cego, pés para o coxo, pai para os necessitados e defensor do estrangeiro. Ele quebrava o poder dos opressores e livrava as vítimas. Sua honra na comunidade nascia dessa vida dedicada a cuidar dos mais fracos.
Jó esperava morrer em paz no seu ninho, com dias numerosos como a areia, cercado de estabilidade, prosperidade e vigor renovado. Ele contava com uma velhice próspera e uma morte tranquila. O sofrimento, porém, interrompeu esses planos, mostrando como a estabilidade da vida é frágil e pode mudar de repente.
A vida de Jó em favor do pobre, do cego e do coxo aponta para Cristo, que veio cuidar dos que sofrem. A saudade da presença de Deus aponta para Jesus, o Emanuel, que promete estar sempre conosco. E o próprio Jó, honrado e depois humilhado, prefigura Cristo, que desceu da glória à humilhação para nos resgatar e foi restaurado e exaltado.
Referências
- BÍBLIA. Almeida Revista e Corrigida (ARC). Sociedade Bíblica do Brasil.
- WALTON, John H. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento.
- ZUCK, Roy B. Comentário do conhecimento bíblico: Antigo Testamento (seção de Jó).