Jó 40 estudo: como responder quando Deus nos confronta?

Como responder quando Deus nos confronta? Depois de toda a sua queixa, Jó é desafiado a replicar ao Todo-Poderoso, e pela primeira vez ele se cala e põe a mão sobre a boca. Em Jó 40, vemos o começo da transformação de Jó, da autoconfiança de quem exigia respostas à humildade de quem reconhece a sua pequenez diante de Deus.

Neste estudo de Jó 40, veremos o desafio final do primeiro discurso de Deus, a primeira resposta humilde de Jó, e depois um segundo discurso em que Deus desafia Jó a assumir o governo do mundo e a julgar os soberbos, se for capaz. Por fim, Deus aponta para o Beemote, uma criatura poderosa que revela como o ser humano é frágil diante do poder do Criador.

>>> Inscreva-se em nosso Canal no YouTube

O desafio de Deus e a primeira resposta de Jó (Jó 40.1-5)

Deus encerra o seu primeiro discurso com uma pergunta cortante: contenderá com o Todo-Poderoso aquele que o repreende? Quem acusa a Deus, que lhe responda. Ironicamente, Jó, que por duas vezes imaginara mover um processo contra Deus, vê a acusação se voltar contra ele. Como ousaria um homem levar Deus a julgamento?

E então acontece a virada. Jó responde: eis que sou indigno; que te posso eu responder? Ponho a mão sobre a boca. Já falei uma vez, e não replicarei; sim, duas vezes, mas não prosseguirei. A antiga autoconfiança de quem dizia chama-me e eu responderei dá lugar ao silêncio humilde. Jó reconhece a sua insignificância e a sua incapacidade de se defender. Ainda assim, essa resposta é humilhação, não arrependimento, e por isso Deus torna a falar.

Você é capaz de governar o mundo? (Jó 40.6-14)

Deus fala de novo, do meio do redemoinho, e repete o desafio: cinge os teus lombos como homem, pois te perguntarei. Então toca diretamente na acusação de Jó: acaso anularás o meu juízo? Condenar-me-ás a mim, para te justificares? Aqui se revela o problema de fundo: ao insistir tanto na própria inocência, Jó acabava dando a entender que Deus é que estava errado.

Deus então propõe a Jó, com ironia, que assuma o governo do universo. Tens tu um braço como o de Deus, ou podes trovejar com uma voz como a dele? Reveste-te de majestade e glória, derrama o furor da tua ira, humilha todo soberbo com um olhar e esmaga os ímpios onde estão. Se Jó fosse capaz de fazer isso, então Deus reconheceria a sua independência e a validade das suas críticas. Mas é evidente que só Deus pode governar o mundo e fazer justiça. Difamar a Deus era, no fundo, tentar tomar o seu lugar.

O Beemote, obra-prima de Deus (Jó 40.15-24)

Deus dirige então a atenção de Jó a uma criatura poderosa, o Beemote, provavelmente o hipopótamo. Ele é apresentado como companheiro de criatura de Jó, feito por Deus assim como Jó foi feito. Come capim como o boi, mas a sua força está nos lombos e o seu vigor nos músculos do ventre. Move a cauda com firmeza, os seus ossos são como tubos de bronze e os seus membros como barras de ferro.

O Beemote é chamado a obra-prima de Deus, o primeiro dos seus caminhos, e só o seu Criador pode chegar a ele com a espada. Ele repousa entre os juncos e o lodo, à sombra, junto às correntes do rio, imperturbado quando as águas se agitam com violência. Nenhum homem o captura à força ou lhe fura o nariz com anzol. Se Jó não consegue nem dominar essa criatura, símbolo do poder bruto que só Deus governa, como poderia dominar o mal no mundo ou contestar os caminhos do Senhor? Só Deus tem o poder sobre tudo o que o homem não controla.

Como Jó 40 aponta para Cristo

A humildade de Jó, que põe a mão sobre a boca diante de Deus, aponta para a atitude que Cristo nos ensina e vive de modo perfeito. Diante do Pai, Jesus se submeteu inteiramente, dizendo não a sua vontade, mas a do Pai seja feita. Onde Jó só chega à humildade depois de ser confrontado, Cristo viveu em humilde obediência desde sempre, e nos mostra o caminho de nos rendermos a Deus.

O desafio de Deus, que só ele pode humilhar os soberbos e julgar os ímpios, aponta para Cristo, a quem o Pai entregou todo o juízo. O que era impossível para Jó, governar o mundo e fazer justiça, é a autoridade que pertence a Jesus, o Senhor a quem foi dado todo o poder no céu e na terra. Nele, a justiça que Jó não podia executar está em mãos perfeitamente justas e boas.

E o Deus que domina o Beemote, símbolo das forças do caos, aponta para Cristo, que venceu todo poder hostil. Aquele que só o Criador pode enfrentar é o mesmo que, em Jesus, triunfou sobre o pecado, a morte e o diabo. O caos que amedronta o ser humano está sob os pés de Cristo, e nele encontramos abrigo diante de tudo o que não podemos controlar.

Três lições de Jó 40 para hoje

Aprenda a se calar diante de Deus

A primeira resposta de Jó foi o silêncio: ponho a mão sobre a boca. Há momentos em que a coisa mais sábia diante de Deus não é argumentar, mas se calar em reverência. Somos chamados a reconhecer os limites das nossas palavras e a aprender a silenciar diante da grandeza de Deus, confiando nele mesmo quando não temos o que dizer nem entendemos os seus caminhos.

Cuidado com a autojustificação

Deus mostra que, ao insistir tanto na própria inocência, Jó acabava condenando a Deus. Quando nos justificamos a todo custo, podemos, sem perceber, colocar a culpa em Deus ou nos exaltar acima dele. Somos chamados a buscar a verdade com humildade, sem precisar estar sempre certos, e a confiar na justiça de Deus em vez de defender obstinadamente a nossa.

Reconheça que só Deus governa o que você não controla

Jó não podia dominar o Beemote nem governar o mundo, mas Deus, sim. Há muitas coisas na vida que fogem totalmente ao nosso controle. Somos chamados a entregar a Deus aquilo que não podemos governar, confiando que aquele que domina até as forças do caos cuida de nós e mantém tudo em suas mãos, mesmo o que nos parece incontrolável.

Perguntas frequentes sobre Jó 40

O que acontece em Jó 40?

Em Jó 40, Deus encerra o seu primeiro discurso desafiando Jó a responder, e Jó se humilha, põe a mão sobre a boca e se cala. Como essa resposta era humilhação e não arrependimento, Deus fala de novo, desafiando Jó a governar o mundo e julgar os soberbos, se for capaz. Por fim, Deus descreve o Beemote, uma criatura poderosa que revela a pequenez humana.

O que significa Jó pôr a mão sobre a boca em Jó 40?

É um gesto de silêncio humilde e reverente. Jó, que antes exigia respostas de Deus e falava com autoconfiança, reconhece agora a sua indignidade e a sua incapacidade de se defender. Curiosamente, é o mesmo gesto que ele antes sugerira aos amigos. É o começo da transformação de Jó, da queixa à humildade diante de Deus.

O que é o Beemote em Jó 40?

O Beemote é uma criatura poderosa descrita por Deus, provavelmente o hipopótamo. Ele come capim como o boi, mas tem força imensa nos lombos, ossos como tubos de bronze, e vive nos rios imperturbado pela correnteza. É chamado obra-prima de Deus, e só o Criador pode enfrentá-lo. No antigo Oriente, animais assim simbolizavam as forças do caos que só Deus domina.

Por que Deus desafia Jó a governar o mundo em Jó 40?

Deus faz isso com ironia, para mostrar a Jó que ele não tem o poder de governar o universo nem de fazer justiça aos soberbos e ímpios. Se Jó fosse capaz disso, Deus reconheceria a validade das suas críticas. Mas, como é evidente, só Deus pode governar o mundo. Difamar a Deus era, no fundo, tentar tomar o lugar dele.

Como Jó 40 aponta para Jesus?

A humildade de Jó aponta para Cristo, que se submeteu perfeitamente ao Pai. O desafio de que só Deus pode julgar os soberbos aponta para Jesus, a quem o Pai entregou todo o juízo e todo o poder. E o Deus que domina o Beemote aponta para Cristo, que venceu as forças do caos, do pecado e da morte, e é o nosso refúgio diante do que não controlamos.

Referências

error: