O que é concupiscência segundo a Bíblia?

Concupiscência é o desejo desordenado e pecaminoso do coração, o impulso que cobiça aquilo que Deus proíbe. A Bíblia ensina que ela não é apenas um ato externo, mas uma condição do coração, revelada pela lei: “não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás” (Rm 7.7). Ela abrange a “concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida” (1Jo 2.16). O remédio não é a força de vontade, mas a graça de Cristo.

É uma palavra antiga, mas o problema é atual: aquele desejo que insiste em nos puxar para o que sabemos que não convém. Entender a concupiscência à luz da Bíblia é o primeiro passo para vencê-la.

O que é concupiscência segundo a Bíblia?

Em Romanos 7.7, Paulo diz que não teria conhecido a concupiscência se a lei não tivesse dito “não cobiçarás”. O estudioso Craig Keener observa que esse é o décimo dos Dez Mandamentos, o único que vai além das ações externas e trata diretamente da condição do coração.

Ou seja, a concupiscência não é só fazer algo errado, mas desejar o que é errado. É o coração cobiçando o que não deve. Por isso ela é tão profunda: pode existir mesmo quando ninguém vê, no nível dos pensamentos e desejos. A lei de Deus expõe esse desejo escondido e mostra que ele também é pecado.

Por que a concupiscência é tão perigosa?

O comentarista William Hendriksen explica que o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, produz no ser humano “toda uma variedade de cobiça”. Ou seja, o desejo pecaminoso é criativo: quando algo é proibido, o coração caído se sente ainda mais atraído por aquilo.

O perigo está em subestimar esse desejo. Tiago 1.14-15 ensina que cada um é tentado quando atraído pela própria concupiscência; e a concupiscência, depois de concebida, gera o pecado, e o pecado, consumado, gera a morte. Keener lembra que o verdadeiro problema não é a lei, mas a pecaminosidade que habita no coração humano. Por isso a concupiscência não deve ser acariciada, mas combatida.

Como vencer a concupiscência?

Aqui está um ponto importante. Keener nota que os mestres judeus achavam que o estudo da lei, por si só, capacitava a pessoa a vencer o impulso maligno. Paulo, porém, mostra que a lei revela o pecado, mas não tem poder de mudar o coração. A força de vontade sozinha não vence a concupiscência.

A vitória vem por outro caminho: pelo Espírito. Gálatas 5.16 ensina: “andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne”. Não se trata de apenas reprimir o desejo, mas de ser transformado por dentro, alimentando novos desejos por meio da Palavra, da oração e da comunhão com Deus. O antídoto do desejo errado é um desejo maior por Cristo.

Como Cristo liberta da concupiscência?

É significativo que, depois de descrever a luta contra o pecado em Romanos 7, Paulo exclame: “miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 7.24-25). A resposta para a concupiscência não é uma técnica, é uma Pessoa.

Cristo não apenas perdoa o pecado do desejo, mas dá um coração novo e o seu Espírito para nos transformar. Em Jesus, deixamos de ser escravos da concupiscência e passamos a viver para Deus. A batalha continua nesta vida, mas não estamos sozinhos nem sem esperança: aquele que começou a boa obra há de completá-la.

Perguntas frequentes sobre a concupiscência

O que é concupiscência segundo a Bíblia?

É o desejo desordenado e pecaminoso do coração, a cobiça daquilo que Deus proíbe. Não é apenas um ato externo, mas uma condição do coração, revelada pela lei em “não cobiçarás” (Rm 7.7).

Concupiscência é o mesmo que luxúria?

A luxúria, o desejo sexual desordenado, é uma forma de concupiscência, mas o termo é mais amplo. A concupiscência inclui todo desejo pecaminoso: dos olhos, da carne e a soberba da vida (1Jo 2.16).

Sentir um desejo errado já é pecado?

A tentação em si não é pecado; Jesus foi tentado e não pecou. O pecado começa quando acariciamos e alimentamos o desejo. Por isso a Bíblia manda resistir à concupiscência antes que ela gere o pecado.

Como vencer a concupiscência?

Não pela força de vontade sozinha, mas andando no Espírito (Gl 5.16). A vitória vem de ser transformado por dentro, alimentando um desejo maior por Cristo através da Palavra, da oração e da comunhão com Deus.

Cristo pode me livrar dos desejos pecaminosos?

Sim. Cristo perdoa e dá um coração novo e o seu Espírito para transformar os nossos desejos. Em Jesus deixamos de ser escravos da concupiscência, ainda que a batalha continue nesta vida.

Referências

  • Bíblia Sagrada, versão Almeida Revista e Corrigida (ARC).
  • HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: Romanos. São Paulo: Cultura Cristã.
  • KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova.
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