Se você não consegue nem enfrentar uma criatura, como enfrentaria o seu Criador? Em Jó 41, Deus descreve o Leviatã, uma fera temível e indomável, provavelmente o crocodilo, tão poderosa que ninguém ousa provocá-la. E a lição é direta: se Jó treme diante desse animal, quanto mais impotente seria diante de Deus, que o formou.
Neste estudo de Jó 41, veremos Deus mostrar que ninguém pode capturar ou domar o Leviatã, e a partir daí perguntar quem então poderia se opor a ele. Veremos a descrição impressionante do corpo dessa criatura, com suas escamas impenetráveis, seus dentes terríveis e a fumaça que sai da sua boca, um retrato do poder que só Deus domina.
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Ninguém pode domar o Leviatã (Jó 41.1-11)
Deus pergunta a Jó se ele poderia pescar o Leviatã com um anzol ou prender a sua língua com uma corda. Ninguém o captura com esses instrumentos. Esse animal não implora por clemência nem se torna um bicho de estimação, não é vendido por mercadores e não se deixa vencer nem por arpões nem por combate corpo a corpo. Só de vê-lo, as pessoas se apavoram.
E então Deus tira a conclusão decisiva: se ninguém é tão ousado que se atreva a despertar o Leviatã, quem, então, é capaz de se levantar diante de mim? Quem primeiro me deu algo, para que eu tenha de retribuir? Tudo o que há debaixo do céu é meu. Se Jó entra em pânico diante do crocodilo, como poderia enfrentar aquele que o criou, acusando-o de ter errado? Diante do Criador da fera, a pretensão de contestar a Deus se mostra absurda.
A anatomia temível do Leviatã (Jó 41.12-25)
Deus descreve então o corpo do Leviatã. Ele é revestido de uma armadura de escamas tão unidas que nem o ar passa entre elas, e ninguém consegue abrir as portas da sua boca, cercada de dentes terríveis. As suas costas são fileiras de escudos, seladas como com pedra, impenetráveis a qualquer arma. É uma criatura feita para não ser vencida.
Quando espirra a água das narinas, o borrifo brilha como luz, e os seus olhos parecem os raios da aurora. Da sua boca saem como que tochas, e das suas narinas, fumaça e chamas, linguagem poética que descreve o vapor e a água expelidos brilhando ao sol, e que deu origem à ideia dos dragões nos mitos. O seu peito é duro como pedra, e quando ele se ergue, até os poderosos tremem e fogem. Há aqui uma ironia: Jó dizia que a majestade de Deus o aterrorizava; como, então, imaginaria poder enfrentá-lo?
Rei sobre todos os soberbos (Jó 41.26-34)
Deus mostra que nenhuma arma alcança o Leviatã. A espada que o atinge não resiste, nem a lança, o dardo ou a azagaia. Ele considera o ferro como palha e o bronze como madeira podre. A flecha não o faz fugir, as pedras da funda se tornam como restos de palha, e ele ri do brandir da lança. Por onde passa na lama, deixa um rastro como o de um trilho de debulha.
Quando ele nada, faz o abismo ferver como uma panela, e deixa atrás de si um sulco reluzente. Não há sobre a terra quem se compare a ele, criatura feita sem medo de nada. Ele olha de cima para tudo o que é elevado, e é rei sobre todos os filhos da soberba. Há um contraste marcante: Jó não conseguiria humilhar os soberbos nem com um olhar, mas o Leviatã, um mero animal, consegue. E se Jó não domina nem essa criatura, símbolo do poder bruto e do caos, muito menos poderia governar o mundo ou vencer o mal. Só Deus pode fazer isso.
Como Jó 41 aponta para Cristo
O Leviatã, símbolo das forças do caos que só Deus domina, aponta para a vitória de Cristo sobre todo poder hostil. A Bíblia usa a imagem da serpente e do dragão do caos para representar o mal, e Jesus é aquele que esmaga a cabeça da antiga serpente. O que era invencível para o homem está sob os pés de Cristo, que triunfou sobre o diabo, o pecado e a morte na cruz.
A pergunta de Deus, quem pode se opor a mim, encontra a sua resposta plena em Cristo, o Senhor a quem tudo pertence e a quem foi dado todo o poder no céu e na terra. Se ninguém pode enfrentar o Criador do Leviatã, muito menos alguém pode resistir ao Filho, por quem e para quem todas as coisas foram feitas. E, no entanto, esse Deus todo-poderoso se aproximou de nós com amor em Jesus.
E o fato de que o próprio Deus criou o Leviatã, mantendo o caos sob o seu controle, aponta para a soberania de Cristo até sobre o mal. As forças que nos amedrontam não estão fora do domínio de Deus; ele as permite por um tempo, mas as tem em suas mãos. Em Cristo, temos a certeza de que aquele que domina o Leviatã também governa o caos da nossa vida e um dia acabará com todo mal para sempre.
Três lições de Jó 41 para hoje
Reconheça a distância entre você e Deus
Se Jó não podia enfrentar nem uma criatura, quanto menos o seu Criador. Contemplar o poder do Leviatã nos ajuda a reconhecer a nossa pequenez diante de Deus. Somos chamados a abandonar a pretensão de contestar os caminhos do Senhor, entendendo que ele é infinitamente maior do que nós, e a nos aproximar dele com humildade e reverência.
Confie que Deus domina o que você teme
O Leviatã representa as forças do caos que assustam o ser humano, mas que estão sob o domínio de Deus, que as criou. Aquilo que nos amedronta não escapa ao controle do Senhor. Somos chamados a entregar a Deus os nossos medos, confiando que aquele que domina até o poder mais temível cuida de nós e mantém todas as coisas em suas mãos.
Deixe o orgulho diante do poder de Deus
O Leviatã é rei sobre os soberbos, e diante do seu poder até o homem arrogante se encolhe. Se uma criatura já nos humilha, nosso orgulho diante de Deus é insensato. Somos chamados a abandonar a arrogância e a nos render ao Senhor, reconhecendo que só ele governa o mundo e vence o mal, e que a nossa segurança está em confiar nele, e não em nós mesmos.
Perguntas frequentes sobre Jó 41
O Leviatã é uma criatura temível e indomável descrita por Deus em Jó 41, tradicionalmente identificada com o crocodilo. Ele tem escamas impenetráveis, dentes terríveis e um poder que nenhuma arma alcança. No pensamento antigo, uma fera assim simbolizava as forças do caos. Deus o usa para mostrar a Jó que, se ele não domina essa criatura, muito menos poderia enfrentar o Criador.
Deus descreve o Leviatã para mostrar a Jó a sua impotência. Se Jó se apavora diante de uma criatura que ninguém consegue capturar ou domar, como ousaria contestar o próprio Criador dessa fera? O argumento leva Jó a reconhecer que não está qualificado para julgar como Deus governa o mundo nem para vencer o mal, tarefa que só pertence a Deus.
A descrição do fogo e da fumaça saindo da boca do Leviatã é linguagem poética. Ela retrata o vapor e a água que o animal expele, que sob a luz do sol se parecem com jatos de fogo. Essa linguagem hiperbólica realça o caráter aterrorizante da fera e é justamente o tipo de imagem que deu origem à ideia dos dragões na mitologia.
Significa que nenhuma criatura na terra se compara ao Leviatã em poder, e que ele não teme nada, enquanto todos tremem diante dele. Até o homem arrogante se encolhe na sua presença. Há um contraste: Jó não conseguia humilhar os soberbos, mas o Leviatã sim, o que lembra a Jó que o seu próprio orgulho diante de Deus era insensato.
O Leviatã, símbolo do caos que só Deus domina, aponta para Cristo, que venceu a antiga serpente e todo poder hostil na cruz. A pergunta quem pode se opor a mim encontra resposta em Jesus, a quem tudo pertence. E o fato de Deus criar e dominar o Leviatã aponta para a soberania de Cristo sobre o mal, que ele um dia destruirá para sempre.
Referências
- BÍBLIA. Almeida Revista e Corrigida (ARC). Sociedade Bíblica do Brasil.
- WALTON, John H. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento.
- ZUCK, Roy B. Comentário do conhecimento bíblico: Antigo Testamento (seção de Jó).