Como liberar perdão: o que fazer quando a mágoa de quem você ama não passa?

Liberar perdão é, antes de tudo, uma decisão da vontade: é escolher soltar a mágoa contra quem o feriu, mesmo quando o sentimento ainda não acompanha essa escolha. A Bíblia ensina que o perdão nasce quando decidimos abrir mão do ressentimento e entregar a ofensa a Deus, em vez de guardá-la no coração.

Esse perdão não depende de sentir vontade nem de o outro merecer, mas de obedecer ao Senhor e imitar a graça que já recebemos. Perdoamos porque fomos perdoados por Deus em Cristo, e por isso podemos liberar perdão até quando a dor parece maior do que a nossa força.

Confesso que perdoar foi uma das partes mais difíceis do início da minha caminhada com Deus, e ainda hoje me exige entrega. Quase sempre somos feridos por quem amamos, por pessoas que têm acesso ao nosso coração, e é isso que torna a ferida tão profunda.

Não são os atritos com estranhos que mais nos machucam, e sim os desentendimentos com quem está perto. Por isso quero mostrar a você, passo a passo, o caminho que a Bíblia aponta para liberar o perdão de verdade.

O que a Bíblia diz sobre liberar o perdão?

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Neste estudo você vai ver:

  • O que significa liberar perdão segundo a Palavra de Deus.
  • Os passos bíblicos para se livrar da amargura e do ressentimento.
  • O que a parábola do credor incompassivo ensina sobre perdoar.
  • Como o perdão que oferecemos aponta para o perdão que recebemos em Cristo.

A Bíblia trata o perdão como o coração da vida cristã. Em Mateus 6:14-15, o Senhor Jesus liga diretamente o perdão que recebemos do Pai ao perdão que oferecemos aos outros: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós” (Mateus 6:14).

Perdoar não é fingir que a ofensa não existiu, nem dizer que ela não doeu. É renunciar ao direito de revidar e devolver a Deus a tarefa de fazer justiça. Enquanto guardamos o ressentimento, quem mais adoece somos nós mesmos.

Qual é o caminho bíblico para liberar perdão?

A Palavra de Deus não nos deixa sozinhos diante dessa tarefa difícil. Ela aponta passos concretos para que a mágoa não vença o nosso coração.

Querer se livrar da amargura (Efésios 4:31)

O primeiro passo para liberar perdão é querer. Em Efésios 4:31, o apóstolo Paulo nos orienta a nos livrar de todo sentimento que tenta nos aprisionar: “Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmias e toda a malícia sejam tiradas de entre vós” (Efésios 4:31).

Por mais ferida que esteja a sua alma, é preciso desejar se livrar do ressentimento, ainda que você não consiga de imediato. É como estar vestindo a sua roupa preferida e perceber que ela pegou fogo: você não pensa duas vezes, quer se livrar dela o mais rápido possível.

Perdoar sem ficar contando as vezes (Mateus 18:21-22)

Pedro achou que estava sendo generoso ao perguntar se deveria perdoar até sete vezes. Ele imaginava que Jesus elogiaria a grandeza do seu coração, mas tratava o perdão como algo que se pode medir, pesar e contar, com um limite bem definido em que a conta poderia parar.

A resposta do Senhor desmontou essa lógica: “Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete” (Mateus 18:22). Não se trata de um número exato, e sim de uma forma vívida de dizer que o perdão do cristão não guarda rancor e não fica fazendo contas.

Verbalizar o perdão na oração (Marcos 11:25)

O segundo passo é livrar-se do ressentimento por meio da oração. Na oração que ensinou aos discípulos, o próprio Senhor Jesus reservou um espaço para o perdão, e em Marcos 11:25 Ele une a oração ao ato de perdoar: “E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém” (Marcos 11:25).

Mesmo sem sentir, comece a verbalizar o perdão diante de Deus, mencionando o nome de quem o ofendeu. À medida que você faz isso em oração, é questão de tempo até que o Senhor liberte o seu coração da amargura.

Ser intencional, como Deus foi (Efésios 4:32; Colossenses 3:13)

O terceiro passo é ser intencional. Paulo nos exorta a perdoar da mesma forma que fomos perdoados: “Antes, sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Efésios 4:32).

Quando decidiu nos perdoar, Deus foi intencional e foi até o extremo. Da mesma maneira, Colossenses 3:13 nos chama a suportar e perdoar uns aos outros: “assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também” (Colossenses 3:13).

Por que Jesus manda perdoar setenta vezes sete? (Mateus 18:21-35)

Para explicar por que devemos liberar perdão sem limites, Jesus contou a parábola de um servo que devia a um rei uma quantia impossível de pagar.

A dívida impagável diante de Deus (Mateus 18:23-27)

Na história, o servo devia dez mil talentos, uma soma tão gigantesca que superava o rendimento anual de um reino inteiro. Era o equivalente ao salário de milhões de dias de trabalho, uma dívida que ninguém quitaria em muitas vidas.

O número é propositalmente exagerado para ilustrar o tamanho da nossa culpa diante de Deus. Ainda assim, movido por compaixão, o rei perdoou tudo. Essa é a imagem do que Deus fez conosco: cancelou uma dívida que jamais teríamos como pagar.

A pequena dívida que nos recusamos a perdoar (Mateus 18:28-35)

Ao sair, esse mesmo servo encontrou um companheiro que lhe devia cem denários, o salário de cerca de cem dias, uma quantia insignificante perto do que ele havia sido perdoado. Em vez de estender a mesma graça, exigiu o pagamento com dureza e o mandou para a prisão.

A ofensa que sofremos, por mais real que seja, é sempre pequena diante da dívida que Deus nos perdoou. Por isso o Senhor conclui com seriedade que o Pai celestial espera que cada um perdoe de coração a seu irmão (Mateus 18:35). Recusar o perdão depois de tanto termos recebido é uma profunda contradição.

Como o perdão aponta para Cristo?

No fim, só conseguimos liberar perdão porque fomos perdoados primeiro. A nossa dívida com Deus era impagável, e nós não tínhamos como quitá-la, nem a nossa nem a de ninguém.

Foi na cruz que essa dívida foi cancelada. Deus proveu Ele mesmo os meios da nossa reconciliação e entregou Jesus para ser dilacerado e morto em nosso lugar. Colossenses 2:13-14 declara que Ele nos perdoou todas as ofensas, “havendo riscado a cédula que era contra nós” (Colossenses 2:14).

Por isso Paulo pode dizer que devemos perdoar “como também Deus vos perdoou em Cristo” (Efésios 4:32). O perdão que oferecemos não nasce da nossa força, mas da graça que recebemos. Nós perdoamos porque Cristo nos perdoou primeiro.

Como liberar perdão na sua vida hoje

Comece reconhecendo diante de Deus o quanto você já foi perdoado. Lembrar da própria dívida cancelada amolece o coração e tira a força do ressentimento.

Escolha querer perdoar, mesmo sem sentir. Leve o nome de quem o feriu à oração e comece a verbalizar o perdão, confiando que o Senhor vai libertar o seu coração com o tempo.

Seja intencional: decida não relembrar a ofensa para alimentar a mágoa nem usá-la como arma. Perdoar não significa fingir que nada aconteceu, mas entregar a justiça a Deus e buscar, no que depender de você, a reconciliação.

Lembre-se de que o ressentimento só faz mal a você mesmo. Guardar rancor é como beber veneno esperando que o outro adoeça. Vale muito mais se esforçar para ser uma pessoa que perdoa.

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Perguntas frequentes sobre liberar perdão

O que significa liberar perdão?

Liberar perdão é abrir mão do direito de revidar e soltar a mágoa contra quem o feriu, entregando a ofensa e a justiça a Deus. Não é aprovar o erro nem fingir que ele não doeu, mas escolher não guardar rancor no coração.

Preciso sentir vontade para perdoar?

Não. O perdão começa como uma decisão da vontade, e não como um sentimento. Você pode escolher perdoar e verbalizar isso em oração mesmo enquanto a dor ainda existe, confiando que Deus vai transformar o seu coração com o tempo.

Perdoar significa reatar o relacionamento como antes?

Perdoar e restaurar a confiança são coisas diferentes. O perdão é entregar a Deus a dívida do outro e não alimentar o rancor; a reconciliação plena depende também do arrependimento e da mudança da outra pessoa. É possível perdoar de coração mesmo quando a relação não volta a ser o que era.

Quantas vezes eu devo perdoar a mesma pessoa?

Ao responder a Pedro que devemos perdoar setenta vezes sete, Jesus ensinou que o perdão cristão não faz contas nem estabelece um limite (Mateus 18:22). A ideia é não guardar rancor, perdoando sempre que formos ofendidos.

Por que o cristão consegue perdoar?

Porque foi perdoado primeiro. Na cruz, Cristo pagou a dívida impagável dos nossos pecados e nos reconciliou com Deus. É essa graça recebida que nos dá força e motivo para liberar perdão, como Deus nos perdoou em Cristo (Efésios 4:32).

Referências

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada: Almeida Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: Mateus. São Paulo: Cultura Cristã.

KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Novo Testamento. Edição ampliada. São Paulo: Vida Nova.

1 comentário em “Como liberar perdão: o que fazer quando a mágoa de quem você ama não passa?”

  1. Muito bom !!! Adorei!!!! Sempre é bom refletir sobre o perdão. Podemos melhorar cada dia mais nessa prática.

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