O que fazer quando tememos perder aquele a quem amamos? E como é a alegria de um amor que finalmente se realiza? Cantares 3 traz esses dois momentos: a angústia da amada que busca o amado na noite, e a esplêndida procissão nupcial em que o noivo chega para o casamento. É um capítulo sobre o medo, a busca e a alegria do amor que se consuma.
Neste estudo de Cantares 3, veremos a busca noturna da amada por aquele a quem ama a sua alma, o refrão que fecha o tempo do namoro, e a grandiosa chegada do rei Salomão em sua procissão de casamento, com toda a pompa que celebra a importância dessa união. É um retrato que aponta para a alegria das bodas do Cordeiro.
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A busca noturna e o medo de perder o amado (Cantares 3.1-5)
A amada descreve o que parece um sonho angustiante: de noite, no meu leito, busquei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o e não o achei. Movida pelo medo de perdê-lo, ela se levanta, percorre a cidade, as ruas e as praças, e pergunta aos guardas que rondam a noite se o viram. A repetição da expressão aquele a quem ama a minha alma, quatro vezes, revela a intensidade e a profundidade do seu amor.
Ela finalmente o encontra: mal os deixei, encontrei aquele a quem ama a minha alma; segurei-o e não o larguei, até que o introduzi na casa de minha mãe, o lugar mais seguro que conhecia. E o capítulo repete o refrão do livro: conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que não desperteis nem provoqueis o amor até que este o queira. O medo de perder quem amamos é natural quando o amor é profundo, mas o encontro traz descanso, e a paciência recebe a sua recompensa.
A procissão nupcial do rei (Cantares 3.6-11)
A cena muda completamente. O narrador contempla, admirado, uma procissão que se aproxima do deserto: quem é esta que sobe como colunas de fumaça, perfumada de mirra e incenso, com todos os pós aromáticos do mercador? Era o esplêndido cortejo nupcial de Salomão. À frente, o incenso queimava, envolvendo tudo numa nuvem perfumada, sinal do caráter luxuoso e importante do evento.
A liteira do rei era escoltada por sessenta valentes, os mais nobres soldados de Israel, todos armados, prontos para proteger a noiva de qualquer perigo na jornada noturna. O rei mandou fazer para si um palanquim com a melhor madeira do Líbano, colunas de prata, base de ouro e assento de púrpura, a cor da realeza. Salomão ofereceu à noiva o melhor que tinha. E o convite se estende a todos: saí, ó filhas de Sião, e contemplai o rei Salomão com a coroa com que sua mãe o coroou no dia do seu casamento, o dia da alegria do seu coração. A grandiosidade do cortejo declara o quanto o casamento é importante e digno de celebração.
Como Cantares 3 aponta para Cristo
A procissão nupcial em que o rei vem buscar a sua noiva aponta para Cristo, o noivo que virá buscar a sua Igreja. O Novo Testamento anuncia que o Senhor descerá do céu com aclamação, e que haverá as bodas do Cordeiro, quando a noiva já estará preparada. Assim como Salomão veio em glória para o seu casamento, Jesus voltará em glória para a consumação da comunhão com o seu povo, num dia de alegria eterna.
A busca angustiada da amada, que procura o amado na noite até encontrá-lo, aponta para o anseio da alma por Cristo. Assim como ela não descansa enquanto não acha aquele a quem ama, também o coração que conhece a Jesus o busca e não se satisfaz longe dele. E a promessa do evangelho é que quem busca ao Senhor o encontra, pois é ele mesmo quem primeiro nos procurou e nos atraiu ao seu amor.
E os sessenta valentes que protegem a noiva na jornada apontam para o cuidado com que Cristo guarda a sua Igreja. Assim como a noiva era escoltada com segurança até o seu destino, o Senhor guarda os seus em toda a caminhada, e ninguém os pode arrebatar da sua mão. Podemos atravessar até a noite mais escura com confiança, sabendo que o nosso noivo nos conduz protegidos até o dia das bodas.
Três lições de Cantares 3 para hoje
Leve os seus medos ao Senhor
A amada é tomada pelo medo de perder o amado e sai a buscá-lo até encontrá-lo. O medo de perder o que amamos é humano, mas não precisa nos paralisar. Somos chamados a levar os nossos temores a Deus, buscando nele o descanso, e a confiar que, no relacionamento com Cristo, nada nem ninguém pode nos separar do seu amor.
Valorize e celebre o casamento
A grandiosidade da procissão nupcial declara a importância do casamento. Longe de ser algo banal, a união de um casal é um dos acontecimentos mais significativos da vida e merece ser honrada e celebrada. Somos chamados a valorizar o casamento como uma instituição santa, criada por Deus, e a tratá-lo com o compromisso e a alegria que ele merece.
Busque a Cristo de todo o coração
A amada busca aquele a quem ama a sua alma e não descansa até encontrá-lo. Esse anseio é um retrato de como devemos buscar a Cristo. Somos chamados a procurá-lo de todo o coração, sem nos contentar com uma fé morna e distante, sabendo que aquele que busca ao Senhor com sinceridade o encontra, pois ele mesmo se deixa achar por quem o deseja.
Perguntas frequentes sobre Cantares 3
Cantares 3 tem dois momentos. Na primeira parte, a amada descreve uma busca noturna e angustiada pelo amado, movida pelo medo de perdê-lo, até que o encontra e o leva para um lugar seguro. Na segunda parte, o narrador contempla a esplêndida procissão nupcial do rei Salomão, que chega em glória para o seu casamento, com toda a pompa que celebra a importância dessa união.
A busca noturna, que parece um sonho, revela o medo natural de perder aquele a quem se ama profundamente. A amada percorre a cidade e pergunta aos guardas até encontrar o amado. A repetição da expressão aquele a quem ama a minha alma mostra a intensidade do seu amor. É um retrato do anseio do coração, que aponta para a busca da alma por Cristo.
Representa a chegada gloriosa do rei Salomão como noivo, com incenso, guarda de honra e um palanquim dos mais ricos materiais. A grandiosidade declara a importância do casamento e a alegria da união. Essa procissão, em que o rei vem buscar a noiva, aponta para Cristo, o noivo que virá em glória buscar a sua Igreja nas bodas do Cordeiro.
Eram os mais nobres e experientes soldados de Israel, provavelmente a guarda pessoal de Salomão, que escoltavam a liteira para proteger a noiva de qualquer perigo na jornada. Além de amigos do noivo, garantiam a segurança dela. Essa imagem aponta para o cuidado com que Cristo guarda a sua Igreja em toda a caminhada até o dia das bodas.
A procissão do rei que vem buscar a noiva aponta para Cristo, o noivo que voltará em glória para as bodas do Cordeiro. A busca angustiada da amada aponta para o anseio da alma por Jesus, que se deixa achar por quem o busca. E os valentes que protegem a noiva apontam para o cuidado com que Cristo guarda os seus até o encontro final.
Referências
- BÍBLIA. Almeida Revista e Corrigida (ARC). Sociedade Bíblica do Brasil.
- WALTON, John H. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Antigo Testamento.
- DEERE, Jack S. Comentário do conhecimento bíblico: Antigo Testamento (seção de Cânticos).