Habacuque 2 Estudo: como viver enquanto a justiça de Deus não chega?

Habacuque 2 traz a resposta de Deus à perplexidade do profeta. Postado na torre de vigia à espera (2.1), Habacuque recebe a ordem de escrever a visão em tábuas, pois ela virá no tempo certo (2.2-3). Então vem o versículo central de todo o livro: “o justo viverá pela sua fé” (2.4), citado três vezes no Novo Testamento. Em seguida, Deus pronuncia cinco “ais” contra o opressor caldeu (2.6-19), intercalados por duas grandes afirmações: “a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor” (2.14) e “o Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra” (2.20).

Como viver enquanto o mal ainda não foi julgado e a resposta de Deus parece demorar? Habacuque 2 responde com uma das frases mais importantes da Bíblia: o justo viverá pela fé. É a confiança paciente que sustenta o crente até que a justiça de Deus se cumpra.

Qual é o contexto histórico e teológico de Habacuque 2?

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Neste estudo você vai ver:

  • A espera do profeta na torre de vigia.
  • O versículo central: “o justo viverá pela fé”.
  • Os cinco “ais” contra o opressor caldeu.
  • A glória do Senhor que encherá a terra.

Depois de anunciar que usaria os caldeus como instrumento de juízo, Deus garante que o próprio opressor também será julgado. Os cinco “ais” descrevem os pecados da Babilônia. Mas o capítulo transcende o momento histórico ao estabelecer o princípio permanente da vida pela fé, retomado por Paulo e pelo autor de Hebreus.

O estudo dá sequência a Habacuque 1 e continua em Habacuque 3.

Como se desenvolve a análise do texto bíblico em Habacuque 2?

A espera e o justo pela fé (2.1-5)

O profeta assume a postura de sentinela: “Pôr-me-ei na minha vigia, colocar-me-ei sobre a fortaleza e vigiarei para ver o que Deus me dirá” (2.1). Ele confia que Deus falará.

A resposta vem clara: “Escreve a visão e torna-a bem legível sobre tábuas… porque a visão é ainda para o tempo determinado… se tardar, espera-o” (2.2-3). E o contraste central: “…mas o justo viverá pela sua fé” (2.4). A alma do soberbo não é reta, mas a vida do justo se sustenta na confiança em Deus.

Os cinco “ais” (2.6-19)

Deus pronuncia cinco juízos contra o opressor: “Ai daquele que acumula o que não é seu…” (2.6), o saqueador que virará presa; o que busca lucro injusto para a própria casa, contra quem a pedra clama da parede (2.9-11); o que edifica cidade com sangue (2.12).

No meio dos “ais”, uma promessa gloriosa: “…a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar” (2.14). Seguem o “ai” contra quem embriaga o próximo para humilhá-lo (2.15-17) e o “ai” contra a idolatria: o ídolo é “mestre de mentiras”, imagem muda sem fôlego algum (2.18-19).

O Senhor no seu templo (2.20)

O capítulo culmina no contraste entre os ídolos mudos e o Deus vivo: “Mas o Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra” (2.20).

Enquanto os deuses falsos não têm vida, o Senhor reina desde o seu templo, de onde vêm instrução e juízo. Diante dele, a única resposta cabível é o silêncio reverente de toda a criação.

Como Habacuque 2 se conecta com Cristo e o evangelho?

Habacuque 2 é um dos capítulos mais importantes do Antigo Testamento para o evangelho:

  • O justo viverá pela fé: o coração de 2.4 é citado três vezes no Novo Testamento, fundamentando a justificação pela fé (Romanos 1.17; Gálatas 3.11; Hebreus 10.37-38).
  • A visão que não tarda: a promessa de que a visão virá no tempo certo (2.3) é aplicada por Hebreus à vinda de Cristo: “aquele que vem virá e não tardará” (Hebreus 10.37).
  • O cálice da ira: o cálice do furor que passa ao opressor (2.16) aponta para o cálice que Cristo bebeu no lugar do pecador (Mateus 26.42) e para o juízo final sobre a Babilônia (Apocalipse 16).
  • O Senhor no seu templo: “o Senhor está no seu santo templo” (2.20) cumpre-se em Cristo, o templo verdadeiro, e na igreja, santuário do Espírito (João 2.19; 1 Coríntios 3.16).

Quais são as lições espirituais e aplicações práticas de Habacuque 2?

Habacuque 2 me ensina a viver pela fé enquanto espero a justiça de Deus. Quando o mal parece prosperar e a resposta demora, a fé confia na promessa: a visão virá no tempo certo e não falhará. Essa é a vida do justo, sustentada não pela vista, mas pela confiança em Deus.

Os cinco “ais” também me alertam. A ganância, o lucro injusto, a violência, a humilhação do próximo e a idolatria têm um fim certo diante de Deus. E, acima de tudo, o capítulo me consola: um dia a terra inteira se encherá do conhecimento da glória do Senhor.

Perguntas frequentes sobre Habacuque 2

O que Deus responde a Habacuque no capítulo 2?

Deus manda o profeta escrever a visão em tábuas, de forma clara, pois ela virá no tempo determinado e não falhará (2.2-3). Então revela o princípio central: o soberbo perecerá, mas “o justo viverá pela sua fé” (2.4). Em seguida, pronuncia cinco “ais” contra o opressor caldeu.

O que significa “o justo viverá pela sua fé” (Habacuque 2.4)?

Significa que a vida diante de Deus se sustenta pela fé, isto é, pela confiança fiel e perseverante nele, em contraste com o orgulho do ímpio. É o versículo mais citado do livro no Novo Testamento e um dos alicerces da doutrina da justificação pela fé.

Quais são os cinco “ais” de Habacuque 2?

São cinco pronunciamentos de juízo contra o caldeu: contra o saqueador insaciável (2.6-8), o que enriquece com lucro injusto (2.9-11), o que edifica cidade com sangue (2.12-14), o que humilha o próximo com embriaguez (2.15-17) e o idólatra que adora imagens mudas (2.18-19).

O que significa Habacuque 2.14 sobre a glória do Senhor?

O versículo promete que “a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar”. No meio dos “ais” contra o opressor, essa doxologia afirma que o propósito final da história não é apenas condenar o mal, mas manifestar a glória e a soberania de Deus.

Por que Habacuque contrasta os ídolos com o templo (2.18-20)?

Para mostrar a diferença entre os deuses falsos e o Deus vivo. O ídolo é obra do escultor, imagem muda sem fôlego algum (2.18-19). Já o Senhor “está no seu santo templo” e diante dele toda a terra deve calar-se (2.20): ele fala, age e reina, ao contrário dos ídolos.

Referências

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

ROBERTSON, O. Palmer. Naum, Habacuque e Sofonias. São Paulo: Cultura Cristã. Disponível em: aqui.

WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2018. Disponível em: aqui.

Veja também: O justo viverá pela fé: significado (Rm 1.17 e Hc 2.4).

Habacuque 1 Estudo: posso questionar a Deus diante da injustiça?

Habacuque 1 apresenta um diálogo sincero entre o profeta e Deus. Habacuque começa com uma queixa: “até quando clamarei, e não me escutarás?… há violência diante de mim… a lei se afrouxa, e o juízo nunca se manifesta” (1.2-4). Deus responde que está levantando os caldeus, os babilônios, nação impetuosa que devora tudo (1.5-11). Mas isso gera uma segunda perplexidade: como um Deus “tão puro de olhos” pode usar os ímpios para castigar quem é mais justo do que eles? (1.12-17). O livro nasce dessa luta honesta da fé.

Quem nunca olhou para a injustiça do mundo e perguntou a Deus “até quando?” ou “por quê?”. Habacuque 1 dá voz a essas dúvidas e mostra que é possível levá-las ao Senhor com fé, sem cair na descrença. A fé verdadeira também faz perguntas.

Qual é o contexto histórico e teológico de Habacuque 1?

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Neste estudo você vai ver:

  • A primeira queixa do profeta diante da violência.
  • A resposta de Deus: o levantamento dos caldeus.
  • A segunda queixa: como Deus usa os ímpios?
  • A imagem do pescador com anzol e rede.

Habacuque profetizou provavelmente por volta de 605 a.C., quando a Babilônia ascendia como potência dominante. O livro tem forma de diálogo: o profeta fala e Deus responde. O tema unificador é a fé que confia, humilde mas persistentemente, nos propósitos de Deus para estabelecer a justiça na terra.

O estudo dá sequência a Naum 3 e continua em Habacuque 2.

Como se desenvolve a análise do texto bíblico em Habacuque 1?

A primeira queixa (1.1-4)

O profeta clama diante do silêncio de Deus: “Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! e não salvarás?” (1.2). Ao seu redor, só vê iniquidade e opressão.

O resultado é a paralisia da justiça: “Por esta causa, a lei se afrouxa, e a sentença nunca se manifesta; porque o perverso cerca o justo, e sai o juízo pervertido” (1.4). A lei existe, mas de nada vale quando não é aplicada.

A resposta de Deus (1.5-11)

Deus responde de forma surpreendente: “Vede entre as nações, olhai, maravilhai-vos e admirai-vos; porque realizo, em vossos dias, uma obra, que vós não crereis, quando vos for contada” (1.5). Essa obra é o levantamento dos caldeus.

O profeta descreve a nação com cerca de vinte traços: “…nação amarga e impetuosa, que marcha sobre a largura da terra, para tomar posse de moradas que não são suas” (1.6). Seus cavalos são mais velozes que leopardos, e ela zomba de reis e fortalezas (1.8-10). No fim, deifica a própria força: “…a sua força é o seu deus” (1.11).

A segunda queixa (1.12-17)

Habacuque ancora sua esperança na eternidade de Deus: “Não és tu desde a eternidade, ó Senhor, meu Deus, ó meu Santo? Nós não morreremos” (1.12). Mas surge a grande perplexidade: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal… por que, então, toleras os perversos e te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele?” (1.13).

Segue a imagem do pescador: o conquistador apanha os povos “como os peixes do mar… apanha-os com o seu anzol, e apanha-os com a sua rede” (1.14-15), e depois adora a própria rede (1.16). A pergunta final permanece em aberto: continuará ele a matar as nações sem piedade? (1.17).

Como Habacuque 1 se conecta com Cristo e o evangelho?

O diálogo da fé em Habacuque 1 aponta para verdades do evangelho:

  • A fé que dialoga com Deus: as perguntas honestas de Habacuque modelam a fé perplexa, não a incrédula, que leva as dúvidas ao Senhor e espera resposta, como o clamor de Cristo na cruz (Mateus 27.46).
  • O juízo anunciado: a advertência “olhai… e maravilhai-vos” (1.5) é citada por Paulo em Atos 13.41 para alertar os que rejeitam o evangelho.
  • O domínio restaurado: o homem rebaixado a “peixes do mar” sem governante (1.14) contrasta com Jesus, coroado de glória e honra, em quem o domínio perdido é recuperado (Hebreus 2.7-9).
  • A Rocha eterna: a confiança do profeta no Deus “desde a eternidade” (1.12) aponta para Cristo, a Rocha firme sobre a qual se edifica a fé (1 Coríntios 10.4).

Quais são as lições espirituais e aplicações práticas de Habacuque 1?

Habacuque 1 me ensina que posso ser honesto com Deus. Diante da injustiça que parece impune, não preciso fingir que entendo tudo. A fé madura leva as perguntas ao Senhor, em vez de abandoná-lo, e confia que ele responderá no tempo certo.

O capítulo também me lembra que os caminhos de Deus são maiores que os meus. A resposta divina raramente é a que esperamos. Deus estava agindo na história de formas que Habacuque não conseguia compreender, mas que serviam aos seus propósitos justos e soberanos.

Perguntas frequentes sobre Habacuque 1

Sobre o que fala Habacuque 1?

Habacuque 1 registra um diálogo entre o profeta e Deus. Habacuque se queixa da violência e da injustiça em Judá que ficam impunes (1.2-4). Deus responde que levantará os caldeus para castigar (1.5-11). Então o profeta faz uma segunda queixa: como um Deus santo pode usar um povo ainda mais ímpio? (1.12-17).

Por que Habacuque questiona a Deus?

Porque sua fé é perplexa, não incrédula. Ele não entende como Deus tolera a injustiça e, depois, como pode usar os caldeus, mais perversos que Judá, como instrumento de juízo. Habacuque leva suas dúvidas diretamente a Deus e espera pela resposta, num exemplo de fé honesta.

Quem eram os caldeus mencionados em Habacuque 1.6?

Eram os babilônios, povo que fundou o império neobabilônico sob Nabopolassar e teve seu auge com Nabucodonosor. Naquele momento, ascendiam rapidamente como potência. Deus os apresenta como uma nação impetuosa e terrível, que ele levantaria para executar o juízo sobre Judá.

O que significa a imagem do pescador em Habacuque 1.14-17?

É a metáfora da crueldade babilônica. O conquistador apanha os povos como peixes com anzol e rede, e depois adora a própria rede, oferecendo-lhe sacrifícios (1.16). É a idolatria da própria força: os caldeus atribuem à sua capacidade militar a glória que pertence a Deus.

Como Habacuque 1.5 é usado no Novo Testamento?

Paulo cita Habacuque 1.5 em Atos 13.41 para advertir os judeus que rejeitavam o evangelho. O assombro diante da obra de Deus no juízo histórico contra Judá antecipa o assombro diante do juízo ligado à rejeição da salvação anunciada em Cristo.

Referências

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

ROBERTSON, O. Palmer. Naum, Habacuque e Sofonias. São Paulo: Cultura Cristã. Disponível em: aqui.

WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2018. Disponível em: aqui.

Jonas 3 Estudo: existe pecado grande demais para a graça de Deus?

Jonas 3 Estudo: Jonas Obedece a Deus

Jonas 3 relata a segunda chamada do profeta e um dos maiores reavivamentos da história. A palavra do Senhor vem outra vez, e desta vez Jonas obedece: vai a Nínive, “cidade grande” (3.3), e prega “ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida” (3.4). O resultado é impressionante: toda a cidade crê em Deus, do maior ao menor, proclama jejum e se cobre de saco; até o rei desce do trono e se assenta na cinza (3.5-6). Diante do arrependimento, “Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria, e não o fez” (3.10).

Será que existe pecado grande demais ou pessoa dura demais para a graça de Deus alcançar? Jonas 3 responde mostrando a conversão de uma cidade inteira de pagãos violentos, provando que a misericórdia de Deus vai muito além do que imaginamos.

Qual é o contexto histórico e teológico de Jonas 3?

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Neste estudo você vai ver:

  • A segunda chamada e a nova oportunidade de Jonas.
  • A pregação simples e o grande arrependimento de Nínive.
  • Os três elementos do arrependimento verdadeiro.
  • O que significa dizer que “Deus se arrependeu”.

Nínive era a capital do império assírio, conhecido pela violência e pelo culto a muitos deuses. A profecia era um fenômeno conhecido no mundo antigo, mas a resposta da cidade foi extraordinária. O reavivamento não veio da força do argumento de Jonas, e sim da verdade de Deus operando nos corações.

O estudo dá sequência a Jonas 2 e continua em Jonas 4.

Como se desenvolve a análise do texto bíblico em Jonas 3?

A segunda chamada e a pregação (3.1-4)

O livro recomeça: “Veio a palavra do Senhor segunda vez a Jonas, dizendo: Levanta-te e vai à grande cidade de Nínive…” (3.1-2). Desta vez, Jonas obedece.

A mensagem é curta e direta: “Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida” (3.4). O número quarenta, nas Escrituras, marca tempos de prova e advertência. O próprio anúncio do juízo já é um ato de graça: Deus avisa porque não deseja que ninguém pereça.

O arrependimento de Nínive (3.5-9)

A resposta é imediata: “E os homens de Nínive creram em Deus; e proclamaram um jejum e vestiram-se de panos de saco, desde o maior até ao menor” (3.5). O texto ressalta que creram “em Deus”, não apenas em Jonas.

Até o rei se humilha: desce do trono, tira as vestes reais e se assenta na cinza (3.6). Decreta jejum e ordena que cada um se converta “do seu mau caminho e da violência que há nas suas mãos” (3.8), com esperança: “Quem sabe se se voltará Deus, e se arrependerá?” (3.9).

A compaixão de Deus (3.10)

Deus responde ao arrependimento sincero: “E viu Deus as obras deles, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria, e não o fez” (3.10).

O que Deus deseja é a conversão real do coração, não cerimônias externas. Quando o texto diz que Deus “se arrependeu”, usa uma linguagem que descreve a sua compaixão: ele permanece constante em seu caráter, sempre pronto a perdoar quem se volta para ele.

Como Jonas 3 se conecta com Cristo e o evangelho?

O arrependimento de Nínive aponta para Cristo e o chamado do evangelho:

  • Alguém maior do que Jonas: Nínive se arrependeu com a pregação de Jonas; Jesus declara que “está aqui quem é maior do que Jonas” e que os ninivitas condenarão a geração incrédula (Mateus 12.41).
  • A pregação como sinal: assim como Jonas foi sinal para Nínive, o Filho do Homem é sinal para a sua geração (Lucas 11.30), chamando ao arrependimento.
  • O arrependimento é dom de Deus: Nínive creu “em Deus” (3.5); o arrependimento verdadeiro é fruto da fé concedida pela graça (Atos 11.18).
  • A compaixão de Deus na cruz: quando o texto diz que “Deus se arrependeu do mal” (3.10), aponta para o Deus que, em Cristo, toma sobre si a pena do pecado para poder perdoar (Romanos 3.25-26).

Quais são as lições espirituais e aplicações práticas de Jonas 3?

Jonas 3 me lembra que a graça de Deus não tem os limites que eu costumo imaginar. Nenhuma pessoa e nenhum povo estão fora do alcance da misericórdia divina quando há arrependimento verdadeiro.

O capítulo também me ensina o que é o arrependimento real: não basta lamentar as consequências do pecado; é preciso entristecer-se com ele, abandoná-lo e voltar-se para Deus. E ainda me consola com a segunda chamada de Jonas: mesmo depois de falhar, há restauração e nova oportunidade para quem se humilha diante do Senhor.

Perguntas frequentes sobre Jonas 3

O que acontece em Jonas 3?

A palavra do Senhor vem a Jonas pela segunda vez, e agora ele obedece: vai a Nínive e prega que em quarenta dias a cidade será destruída. Surpreendentemente, toda a cidade, do rei ao menor, crê em Deus, jejua e se arrepende, e Deus se compadece e não os destrói.

Por que a segunda chamada de Jonas é importante?

Porque revela a graça de Deus, que não guarda o passado contra quem se humilha. Depois da fuga e do resgate, Deus reconduz Jonas ao seu cargo com a mesma ordem de antes. É a prova de que o perdão de Deus vem acompanhado de restauração e nova oportunidade.

Quais são os três elementos do arrependimento verdadeiro em Jonas 3?

A resposta de Nínive mostra três elementos: tristeza pelo pecado (o jejum e o pano de saco), renúncia ao pecado (abandonar o mau caminho e a violência) e retorno a Deus em fé (clamar a ele com esperança de misericórdia). É um modelo de arrependimento bíblico.

O que significa dizer que “Deus se arrependeu” (Jonas 3.10)?

É uma linguagem que descreve, do nosso ponto de vista, a comoção e a compaixão de Deus. Ele não muda de caráter: sempre se opôs à Nínive perversa e sempre acolheu a arrependida. Deus nunca prometeu destruir uma cidade que se voltasse para ele de coração.

Como o arrependimento de Nínive nos julga hoje?

Jesus diz que os ninivitas se levantarão no juízo e condenarão a geração dele, porque se arrependeram com a pregação de Jonas, e “está aqui quem é maior do que Jonas” (Mateus 12.41). O arrependimento de pagãos diante de tão pouca luz confronta quem tem o evangelho e não se converte.

Referências

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

PHILLIPS, Richard D. Estudos Bíblicos Expositivos em Jonas e Miqueias. São Paulo: Cultura Cristã. Disponível em: aqui.

WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2018. Disponível em: aqui.

Jonas 1 Estudo: é possível fugir de Deus e do seu chamado?

Jonas 1 Estudo: Obediência, desobediência e a soberania de Deus

Jonas 1 apresenta o chamado de Deus para que o profeta pregasse contra Nínive e a sua fuga na direção oposta, rumo a Társis. Ao embarcar em Jope “para longe da presença do Senhor” (1.3), Jonas desencadeia uma grande tempestade enviada por Deus. Enquanto os marinheiros pagãos clamam por socorro, o profeta dorme no porão. As sortes recaem sobre ele, que é lançado ao mar, e a tempestade cessa. Então “o Senhor deparou um grande peixe para que tragasse a Jonas” (1.17), guardando-o três dias e três noites.

Quem nunca tentou se esconder de algo que sabia que Deus estava pedindo? Jonas 1 mostra que é impossível fugir da presença de Deus, mas também revela um Senhor que, em vez de destruir o profeta rebelde, o persegue com graça e o resgata do fundo do mar.

Qual é o contexto histórico e teológico de Jonas 1?

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Neste estudo você vai ver:

  • Quem foi Jonas e qual foi o seu chamado.
  • Por que fugir de Deus é sempre uma “descida”.
  • A tempestade e a fé surpreendente dos marinheiros.
  • O grande peixe e o sinal que aponta para Cristo.

Jonas profetizou no século 8 a.C., no reinado de Jeroboão II (2 Reis 14.25). Nínive era a capital da Assíria, império conhecido pela crueldade e inimigo de Israel. Enviar um profeta hebreu para pregar àquela cidade era, do ponto de vista de Jonas, o mesmo que entrar sozinho na cova dos leões.

O estudo dá sequência a Obadias e continua em Jonas 2.

Como se desenvolve a análise do texto bíblico em Jonas 1?

O chamado e a fuga de Jonas (1.1-3)

Deus ordena: “Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela…” (1.2). Mas Jonas faz o contrário: “…dispôs-se a fugir… para Társis, para longe da presença do Senhor” (1.3).

O texto acumula verbos de “descida”: Jonas desce a Jope, desce ao navio, e mais adiante descerá ao porão e às profundezas. É a imagem do pecado que sempre arrasta para baixo. Circunstâncias favoráveis, como achar um navio pronto, não são prova da bênção de Deus.

A tempestade e os marinheiros (1.4-16)

Ao “mas Jonas” (1.3) responde o “mas o Senhor”: “…enviou ao mar um grande vento, e fez-se no mar uma grande tempestade” (1.4). Enquanto os marinheiros clamam cada um ao seu deus, Jonas dorme, e o capitão o desperta.

As sortes caem sobre Jonas, que confessa: “Eu sou hebreu e temo ao Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e a terra” (1.9). Ele pede para ser lançado ao mar (1.12). Os marinheiros, com nobreza surpreendente, ainda tentam remar de volta; ao fim, oram ao Senhor e o lançam ao mar, que se aquieta. Então “temeram estes homens em grande maneira ao Senhor” (1.16).

O grande peixe (1.17)

O que parecia o fim é, na verdade, resgate: “Deparou, pois, o Senhor um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites nas entranhas do peixe” (1.17).

O foco do texto não é a espécie do peixe, mas o Senhor que o preparou. O mar simbolizava a morte que engole, e o peixe se torna instrumento da graça que preserva a vida do profeta rebelde para uma nova oportunidade.

Como Jonas 1 se conecta com Cristo e o evangelho?

A fuga e o resgate de Jonas apontam para Cristo:

  • O sinal de Jonas: os três dias no ventre do peixe (1.17) são apontados por Jesus como sinal da sua morte e ressurreição (Mateus 12.39-40).
  • Deus persegue quem foge: a tempestade enviada por Deus (1.4) mostra a graça que não desiste do pecador, mesmo quando ele tenta escapar da presença do Senhor.
  • Aquele que dorme na tempestade: Jonas dormia enquanto o mar rugia (1.5); em contraste, Cristo dormia na barca e, ao despertar, acalmou a tempestade com uma palavra (Marcos 4.38-39).
  • A salvação vem do Senhor: o mar só se aquieta quando o justo é entregue no lugar dos culpados (1.15), figura da entrega de Cristo pela salvação do seu povo (Romanos 5.8).

Quais são as lições espirituais e aplicações práticas de Jonas 1?

Jonas 1 me lembra que não existe esconderijo contra Deus. Posso adiar, desviar ou fugir do que ele pede, mas isso só me faz descer, nunca subir. A desobediência tem um preço, e ele costuma respingar em quem está ao redor.

Ao mesmo tempo, o capítulo me consola. Deus não desistiu de Jonas: enviou a tempestade e o peixe não para destruí-lo, mas para trazê-lo de volta. A mesma graça que persegue o profeta rebelde me alcança quando tento escapar do chamado do Senhor.

Perguntas frequentes sobre Jonas 1

Quem foi o profeta Jonas?

Jonas foi um profeta do reino do Norte, nos dias de Jeroboão II (2 Reis 14.25), no século 8 a.C. Deus o chamou para pregar contra Nínive, capital da Assíria, mas ele fugiu na direção oposta. Seu livro é uma lição sobre a graça de Deus que alcança até os inimigos.

Por que Jonas fugiu do chamado de Deus?

Jonas fugiu porque não queria pregar aos ninivitas, inimigos violentos de Israel. No fundo, ele temia que Deus tivesse misericórdia deles, como confessa depois (Jonas 4.2). Sua fuga não era geográfica, e sim a recusa da missão que Deus lhe confiou.

É possível fugir da presença de Deus?

Não. Jonas embarcou para Társis “para longe da presença do Senhor”, mas o próprio Salmo 139 ensina que não há para onde fugir de Deus. Ele controla o vento e o mar. A fuga de Jonas resultou apenas em uma sequência de descidas até o fundo do abismo.

Por que a fuga de Jonas é descrita como uma descida?

Porque o texto repete o verbo “descer”: Jonas desce a Jope, desce ao navio, desce ao porão e por fim desce às profundezas do mar. É a imagem do pecado que sempre arrasta para baixo. Fugir de Deus nunca eleva; sempre afunda.

O que significa o grande peixe em Jonas 1.17?

O grande peixe foi preparado por Deus não para punir, mas para salvar Jonas do afogamento. Os três dias e três noites no ventre do peixe prefiguram a morte e a ressurreição de Cristo, o sinal de Jonas que Jesus aplica a si mesmo (Mateus 12.40).

Referências

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

PHILLIPS, Richard D. Estudos Bíblicos Expositivos em Jonas e Miqueias. São Paulo: Cultura Cristã. Disponível em: aqui.

WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2018. Disponível em: aqui.

Obadias Estudo: Deus se importa quando alguém trai o próprio irmão?

Obadias1 - Bíblia de Estudo Onlline

Obadias é o menor livro do Antigo Testamento: um único capítulo de 21 versículos, com uma profecia de juízo de Deus contra Edom, os descendentes de Esaú, irmão de Jacó. O motivo é a violência e a indiferença de Edom no dia da calamidade de Jerusalém: alegrou-se com a ruína do irmão, participou do saque e entregou os fugitivos (vv.10-14). Contra o orgulho de suas fortalezas nas rochas, Deus declara: “ainda que subas como águia… dali te derrubarei” (v.4). O livro termina em esperança: “no monte Sião haverá livramento… e o reino será do Senhor” (v.17,21).

Será que Deus vê quando alguém se alegra com a desgraça do próximo, ou trai quem deveria proteger? Obadias mostra que sim: a justiça de Deus alcança a soberba e a crueldade, mas também guarda um livramento para os que confiam nele.

Qual é o contexto histórico e teológico de Obadias?

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Neste estudo você vai ver:

  • Quem era Edom e por que Deus o julga.
  • O orgulho das fortalezas nas rochas será derrubado.
  • Os crimes de Edom contra o irmão Jacó.
  • O Dia do Senhor e a promessa do reino que é do Senhor.

Edom eram os descendentes de Esaú, que habitavam a região montanhosa de Seir, ao sul do Mar Morto, terra de penhascos e fortalezas quase inacessíveis como Sela (Petra). A rivalidade entre os dois povos remontava ao ventre de Rebeca (Gênesis 25.23) e se arrastou por séculos. O pano de fundo provável é a participação de Edom na queda de Jerusalém diante de Nabucodonosor.

O estudo dá sequência a Amós 9 e continua em Jonas 1.

Como se desenvolve a análise do texto bíblico em Obadias?

O orgulho de Edom será derrubado (vv.1-9)

Um mensageiro é enviado às nações para a guerra contra Edom (v.1). Deus anuncia que fará dela uma nação pequena e desprezada, expondo a raiz do seu pecado: “A soberba do teu coração te enganou, tu que habitas nas fendas dos penhascos…” (v.3).

A imagem é forte: “Se te elevares como águia e puseres o teu ninho entre as estrelas, dali te derrubarei, diz o Senhor” (v.4). Edom seria completamente saqueada, traída pelos próprios aliados, e seus sábios e valentes pereceriam (vv.5-9).

Os crimes contra o irmão Jacó (vv.10-14)

O cerne da acusação é a violência contra o próprio irmão: “Por causa da violência feita a teu irmão Jacó, cobrir-te-á a vergonha…” (v.10). No dia da desgraça de Jerusalém, Edom ficou ao lado dos inimigos: “…tu mesmo eras como um deles” (v.11).

Seguem oito advertências enfáticas: não se alegrar com a ruína do irmão, não zombar, não entrar pelas portas para saquear e, sobretudo, não se postar nas encruzilhadas para interceptar e entregar os fugitivos (vv.12-14). Foi um pecado de crueldade e de omissão diante de quem precisava de socorro.

O Dia do Senhor e o reino que é do Senhor (vv.15-21)

O oráculo se amplia: “Porque o dia do Senhor está prestes a vir sobre todas as nações; como tu fizeste, assim se fará contigo” (v.15). Edom torna-se o protótipo de todos os povos hostis a Deus, que beberão o cálice da ira.

Em contraste, há salvação para o povo de Deus: “…no monte Sião haverá livramento…” (v.17). A casa de Jacó consumirá a casa de Esaú como fogo ao restolho (v.18) e recuperará sua herança (vv.19-20). O livro fecha com o clímax: “…e o reino será do Senhor” (v.21).

Como Obadias se conecta com Cristo e o evangelho?

A curta profecia de Obadias aponta para Cristo e o seu reino:

  • O princípio de semear e colher: “como tu fizeste, assim se fará contigo” (v.15) ecoa o ensino de que o que o homem semear, isso também ceifará (Gálatas 6.7).
  • O pecado da omissão: Edom passou ao largo no dia da desgraça do irmão (v.11), atitude oposta à do bom samaritano e ao ensino de Jesus sobre amar o próximo (Lucas 10.31-33).
  • O livramento em Sião: “no monte Sião haverá livramento” (v.17) aponta para a salvação do remanescente em Cristo, o refúgio seguro do seu povo (Romanos 11.26).
  • O reino que é do Senhor: o clímax “o reino será do Senhor” (v.21) cumpre-se quando o reino do mundo se torna do nosso Senhor e do seu Cristo (Apocalipse 11.15).

Quais são as lições espirituais e aplicações práticas de Obadias?

Obadias me confronta com o pecado do orgulho e da indiferença. É perigoso confiar nas próprias fortalezas, sejam elas riqueza, posição ou talento, e se julgar inatingível. Diante de Deus, nenhuma altura protege quem se exalta.

O livro também me pergunta como reajo diante da desgraça alheia. Alegrar-se com a queda do próximo ou simplesmente passar adiante são pecados que Deus vê. A esperança, porém, permanece: há livramento em Sião, e a última palavra da história pertence ao reino do Senhor.

Perguntas frequentes sobre Obadias

Quem foi o profeta Obadias e sobre o que ele profetizou?

Obadias, cujo nome significa “servo do Senhor”, provavelmente pertencia ao reino de Judá. Seu livro, o menor do Antigo Testamento, com um único capítulo de 21 versículos, é uma profecia de juízo contra Edom, os descendentes de Esaú, por sua violência e traição contra Judá.

Por que Deus julga Edom em Obadias?

Porque Edom, o povo irmão descendente de Esaú, se alegrou com a ruína de Jerusalém, participou do saque e entregou os fugitivos aos inimigos, em vez de socorrer o irmão. A esse pecado de violência e omissão soma-se o orgulho de se julgar inatingível em suas fortalezas.

O que significa “ainda que subas como águia… dali te derrubarei” (v.4)?

É uma imagem do orgulho de Edom, que confiava em suas cidades fortificadas entre os penhascos, como Sela e Petra, julgando-se inalcançável. Deus declara que nenhuma altura ou fortaleza protege quem se exalta: por mais alto que Edom suba, o Senhor o fará descer.

O que é o Dia do Senhor em Obadias?

É o dia do juízo divino que, começando por Edom, se estende a todas as nações (v.15). O princípio que o governa é a retribuição: “como tu fizeste, assim se fará contigo”. As nações beberão o cálice da ira, enquanto o remanescente de Deus encontra livramento em Sião.

Como o livro de Obadias termina?

Termina com esperança e soberania: “no monte Sião haverá livramento”, a casa de Jacó recupera sua herança e, no clímax, “o reino será do Senhor” (v.17,21). A curta profecia contra Edom se abre para a afirmação do reino eterno de Deus, cumprido em Cristo.

Referências

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

BUSENITZ, Irvin A. Joel e Obadias. São Paulo: Cultura Cristã. Disponível em: aqui.

WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2018. Disponível em: aqui.

Joel 3 Estudo: haverá justiça para tudo o que parece ficar impune?

Joel - Bíblia de Estudo Online

Joel 3 encerra o livro com o juízo final das nações e a bênção definitiva sobre o povo de Deus. O Senhor promete reunir todas as nações no vale de Josafá, cujo nome significa “o Senhor julga”, para entrar em juízo com elas por causa do que fizeram a Israel (3.1-3). Convocada a batalha, ressoa a inversão dramática: “forjai espadas das vossas enxadas” (3.10), e as multidões se ajuntam no “vale da decisão” (3.14). Ao juízo dos ímpios contrapõe-se a bênção dos justos: Deus será refúgio do seu povo, uma fonte sairá da sua casa, e Judá será habitada para sempre (3.16-21).

Este capítulo responde a uma inquietação profunda: haverá justiça para tudo o que parece ficar impune? Joel 3 afirma que sim: Deus julgará toda a violência e opressão, e ao mesmo tempo abrirá uma fonte de vida e bênção para os que são dele.

Qual é o contexto histórico e teológico de Joel 3?

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Neste estudo você vai ver:

  • Por que Deus reúne as nações no vale de Josafá.
  • O sentido da inversão “das enxadas fareis espadas”.
  • O que é o vale da decisão.
  • A promessa da fonte que sai da casa do Senhor.

Uma observação útil: o Joel 3 das Bíblias em português corresponde ao Joel 4 do texto hebraico, que divide o livro em quatro capítulos. O tema é o desfecho do Dia do Senhor: juízo sobre as nações que oprimiram o povo de Deus e restauração definitiva de Judá.

Nações como Tiro, Sidom, a Filístia, o Egito e Edom representam todos os inimigos históricos de Israel. O estudo dá sequência a Joel 2 e, com este capítulo, você pode continuar seus estudos em Amós 1.

Como se desenvolve a análise do texto bíblico em Joel 3?

As nações reunidas no vale de Josafá (3.1-8)

Deus anuncia a reversão da sorte de Judá e o juízo das nações: “…ajuntarei todas as nações e as farei descer ao vale de Josafá; e ali entrarei em juízo com elas” (3.2). As acusações são claras: dispersaram o povo, repartiram a terra e venderam meninos e meninas como escravos.

Tiro, Sidom e a Filístia são confrontadas por saquearem os tesouros de Deus e traficarem o seu povo (3.4-6). O Senhor promete retribuição na mesma medida, “porque o Senhor o disse” (3.8).

Multidões no vale da decisão (3.9-16a)

Convoca-se a guerra santa com uma inversão impressionante: “Forjai espadas das vossas enxadas e lanças das vossas foices” (3.10), o oposto exato da paz de Isaías 2.4. As nações são chamadas a subir para o juízo.

A cena culmina na colheita do juízo, “lançai a foice, porque já está madura a seara” (3.13), e no clamor: “Multidões, multidões no vale da decisão! Porque o dia do Senhor está perto” (3.14). O sol e a lua escurecem, e o Senhor brama de Sião (3.15-16a).

A fonte que sai da casa do Senhor (3.16b-21)

O mesmo Deus que aterroriza as nações é abrigo para os seus: “…o Senhor será o refúgio do seu povo e a fortaleza dos filhos de Israel” (3.16). Jerusalém será santa, e estranhos não passarão mais por ela (3.17).

A bênção final é de fartura paradisíaca: os montes destilarão mosto, e “sairá uma fonte da casa do Senhor” (3.18). Enquanto os opressores se tornam desolação, “Judá será habitada para sempre”, porque “o Senhor habitará em Sião” (3.20-21).

Como Joel 3 se conecta com Cristo e o evangelho?

O juízo das nações e a bênção final apontam diretamente para Cristo:

  • A colheita do juízo: “lançai a foice, porque está madura a seara” (3.13) é a matriz da visão do juízo final, com a foice e o lagar da ira de Deus (Apocalipse 14.14-20).
  • O vale da decisão: “multidões, multidões no vale da decisão” (3.14) prefigura o tribunal em que Cristo separa as nações (Mateus 25.31-32).
  • A fonte da casa do Senhor: a fonte que rega a terra (3.18) integra a trajetória que culmina no rio da água da vida que sai do trono de Deus e do Cordeiro (Apocalipse 22.1).
  • Deus como refúgio: “o Senhor será o refúgio do seu povo” (3.16) aponta para Cristo, o refúgio seguro em quem nos acolhemos (Hebreus 6.18).
  • Deus habitando com o seu povo: “o Senhor habitará em Sião” (3.21) antecipa a nova Jerusalém, onde Deus habita para sempre com os homens (Apocalipse 21.3).

Quais são as lições espirituais e aplicações práticas de Joel 3?

Três realidades me confrontam aqui. A primeira é que Deus vê e julgará toda injustiça: nada do que se faz contra o seu povo fica esquecido. A segunda é que o mesmo Dia que é terror para os ímpios é refúgio para os que pertencem a Deus.

A terceira é que a última palavra de Deus é vida e presença: uma fonte que jorra da sua casa e a promessa de habitar para sempre com o seu povo. Fica uma palavra de esperança: para quem se refugia no Senhor, o desfecho da história não é o juízo, mas a comunhão eterna com ele.

Perguntas frequentes sobre Joel 3

O que é o vale de Josafá em Joel 3?

É o local simbólico do juízo final das nações. O nome Josafá significa o Senhor julga, formando um jogo de palavras com a ação descrita. A localização exata é desconhecida; o foco está no que acontece ali: Deus entra em juízo com as nações.

O que significa forjar espadas das enxadas em Joel 3.10?

É a inversão exata da visão de paz de Isaías 2.4 e Miqueias 4.3, onde as espadas viram arados. Aqui, as nações convertem instrumentos agrícolas em armas para a batalha final, na qual serão derrotadas pelo juízo de Deus.

O que é o vale da decisão em Joel 3.14?

É outro nome para o vale de Josafá, descrevendo-o como o vale do juízo irrevogável. O termo decisão traz a ideia de algo cortado e definitivamente determinado: ali o destino das nações é selado no Dia do Senhor.

O que representa a fonte que sai da casa do Senhor em Joel 3.18?

Representa a vida e a bênção que jorram da presença de Deus. É um eco do rio do Éden e do rio do templo de Ezequiel, que culmina no rio da água da vida de Apocalipse. Simboliza a restauração paradisíaca da terra pelo Senhor.

Qual é a mensagem final de Joel?

Que Deus julgará toda a injustiça feita ao seu povo e será refúgio para os que são dele. O livro termina com esperança: uma fonte de vida saindo da casa do Senhor e a promessa de que ele habitará para sempre com o seu povo em Sião.

Referências

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

BUSENITZ, Irvin A. Joel e Obadias. São Paulo: Cultura Cristã. Disponível em: aqui.

WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2018. Disponível em: aqui.

Joel 2 Estudo: Deus pode restaurar os anos que a vida devorou?

Joel - Bíblia de Estudo Online

Joel 2 anuncia o Dia do Senhor com a imagem de um exército invencível que avança sobre a terra (2.1-11), mas logo abre a porta da esperança com um dos apelos mais belos da Bíblia: “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração… e rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes” (2.12-13). Deus responde ao arrependimento com a promessa de restauração material, “restituir-vos-ei os anos que o gafanhoto… comeu” (2.25), e com a promessa do derramamento do seu Espírito sobre toda a carne (2.28-32), que Pedro declarou cumprida no dia de Pentecostes.

Este capítulo responde a uma dor comum: será que dá para recuperar o tempo perdido, os anos que a vida devorou? Joel 2 mostra um Deus que não só perdoa o passado, mas promete restituir o que foi consumido e derramar o seu Espírito sobre o seu povo.

Qual é o contexto histórico e teológico de Joel 2?

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Neste estudo você vai ver:

  • O que significa rasgar o coração e não as vestes.
  • A promessa de restituir os anos que o gafanhoto comeu.
  • O sentido do derramamento do Espírito sobre toda a carne.
  • Como Pedro usa Joel 2 no dia de Pentecostes.

Se o capítulo 1 tratou de um Dia do Senhor já em curso na praga presente, o capítulo 2 avança para o Dia iminente e escatológico. O toque da trombeta em Sião é um alarme de guerra, mas também um convite ao arrependimento antes que o juízo se cumpra.

No coração do capítulo está a graça: Deus é lento para a ira e pronto a restaurar. O estudo dá sequência a Joel 1 e continua em Joel 3.

Como se desenvolve a análise do texto bíblico em Joel 2?

Rasgai o vosso coração (2.1-17)

O alarme soa: “Tocai a trombeta em Sião… porque vem o dia do Senhor, porque está perto” (2.1). Um exército avança como cavalos de guerra, disciplinado e irresistível, diante do qual os povos tremem e o cosmos se abala (2.2-11).

Mas ainda há tempo: “…convertei-vos a mim de todo o vosso coração… e rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes” (2.12-13). O apelo se apoia no caráter de Deus, “misericordioso e compassivo, tardio em irar-se”. O profeta convoca a assembleia e os sacerdotes intercedem: “Poupa o teu povo, ó Senhor” (2.15-17).

Restituir-vos-ei os anos (2.18-27)

A resposta divina é a virada da história: “…o Senhor se compadeceu da sua terra e poupou o seu povo” (2.18). Ele promete cereal, vinho e azeite, e afastar o inimigo do Norte (2.19-20).

Vem então a promessa central: “E restituir-vos-ei os anos que comeu o gafanhoto…” (2.25). O povo comerá até se fartar e louvará o nome do Senhor, reconhecendo: “…eu sou o Senhor, vosso Deus, e não há outro” (2.27).

Derramarei o meu Espírito (2.28-32)

A restauração culmina no dom do Espírito: “…derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão…” (2.28). A bênção alcança homens e mulheres, velhos e jovens, servos e servas, sem distinção.

Acompanham sinais no céu e na terra antes do grande Dia do Senhor (2.30-31), e a promessa final abre a porta da salvação a todos: “…todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (2.32).

Como Joel 2 se conecta com Cristo e o evangelho?

O arrependimento do coração, o Espírito derramado e a salvação para todos apontam diretamente para Cristo:

  • Rasgar o coração: “rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes” (2.13) aponta para o arrependimento interior que Deus não despreza (Salmo 51.17), e não para a religião de aparência (Mateus 6.16-18).
  • O derramamento do Espírito: a promessa de 2.28-32 é citada por Pedro no dia de Pentecostes como cumprida em Cristo: “isto é o que foi dito pelo profeta Joel” (Atos 2.16-21).
  • Todo aquele que invocar: “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (2.32) é retomado por Paulo como fundamento da salvação pela fé (Romanos 10.13).
  • Os anos restaurados: “restituir-vos-ei os anos que o gafanhoto comeu” (2.25) ecoa o Deus que em Cristo faz novas todas as coisas (2 Coríntios 5.17).
  • O Deus rico em misericórdia: o Senhor “misericordioso e compassivo, tardio em irar-se” (2.13) revela-se plenamente no Pai rico em misericórdia, que nos vivificou com Cristo (Efésios 2.4-5).

Quais são as lições espirituais e aplicações práticas de Joel 2?

Três realidades me confrontam aqui. A primeira é que o verdadeiro arrependimento é do coração, não da aparência: Deus quer transformação interior, não apenas gestos externos. A segunda é que o apelo se apoia no caráter de Deus, misericordioso e tardio em irar-se, o que nos dá coragem para voltar.

A terceira é que Deus é capaz de restituir os anos que a vida devorou e de derramar o seu Espírito sobre quem o busca. Fica uma palavra de esperança: por mais perdas que existam, o Senhor pode restaurar, e todo aquele que o invoca encontra salvação.

Perguntas frequentes sobre Joel 2

O que significa “rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes”?

Significa que Deus busca arrependimento interior e sincero, não apenas gestos externos de luto. Rasgar as vestes era um sinal visível de dor; rasgar o coração é a transformação real da vida, que se volta de fato para Deus.

O que Deus promete em Joel 2.25?

Promete restituir os anos que a praga de gafanhotos consumiu, ou seja, compensar plenamente as perdas do povo. É a garantia de que Deus pode restaurar aquilo que parecia perdido para sempre, quando o povo se volta para ele.

O que é o derramamento do Espírito em Joel 2.28?

É a promessa de que Deus daria o seu Espírito de forma abundante sobre todo o seu povo, sem distinção de sexo, idade ou condição social. Filhos e filhas profetizariam, cumprindo o desejo de que todo o povo do Senhor tivesse o seu Espírito.

Como Pedro usa Joel 2 no dia de Pentecostes?

Em Atos 2, Pedro declara que o derramamento do Espírito no Pentecostes cumpre a profecia de Joel. É um cumprimento inaugural, penhor da efusão plena reservada para o retorno de Cristo, e conduz ao apelo para invocar o nome do Senhor e ser salvo.

Qual é a mensagem central de Joel 2?

Que diante do Dia do Senhor há tempo de voltar-se para Deus de todo o coração, e que ele responde com misericórdia: restaura o que foi perdido, derrama o seu Espírito e salva todo aquele que invoca o seu nome.

Referências

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

BUSENITZ, Irvin A. Joel e Obadias. São Paulo: Cultura Cristã. Disponível em: aqui.

WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2018. Disponível em: aqui.

Joel 1 Estudo: o que fazer quando a devastação chega e tudo parece perdido?

Joel - Bíblia de Estudo Online

Joel 1 descreve uma praga de gafanhotos tão devastadora que se tornou imagem do Dia do Senhor já em curso. Quatro ondas sucessivas de insetos consomem tudo o que resta, arruinando as colheitas, as videiras e as figueiras (1.4-7). Diante da catástrofe, o profeta convoca ao lamento os bebedores de vinho, os sacerdotes e os lavradores (1.5-12), e chama todo o povo a consagrar um jejum e a reunir-se na casa do Senhor (1.13-14). O capítulo termina com a própria oração de Joel: “A ti, ó Senhor, clamo” (1.19), enquanto até os animais bramam pela seca.

Este capítulo fala a quem já viu tudo desmoronar de uma vez. Joel não minimiza a dor da devastação, mas mostra o caminho: transformar a perda em clamor, reunir-se para buscar a Deus e reconhecer que só ele pode restaurar o que foi consumido.

Qual é o contexto histórico e teológico de Joel 1?

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Neste estudo você vai ver:

  • O que os quatro tipos de gafanhotos representam.
  • Por que a praga é lida como um Dia do Senhor.
  • Como convocar um jejum e uma assembleia solene.
  • O que a oração do profeta nos ensina diante da perda.

Joel, filho de Petuel, dirige a palavra aos anciãos e a toda a população de Judá. Uma praga de gafanhotos, acompanhada de seca, havia arrasado a economia agrícola, cortando inclusive as ofertas de cereais e as libações do templo.

O profeta lê esse desastre presente como uma manifestação histórica do Dia do Senhor, prenúncio de um Dia ainda maior. O estudo dá sequência a Oseias 14 e continua em Joel 2.

Como se desenvolve a análise do texto bíblico em Joel 1?

A praga que devorou tudo (1.1-12)

O profeta abre convocando a memória das gerações: nunca se vira algo assim (1.2-3). A devastação é total, descrita em quatro ondas sucessivas: “o que ficou do gafanhoto cortador, comeu-o o migrador…” (1.4), imagem de destruição implacável.

Joel chama ao lamento três grupos: os bebedores de vinho, porque o mosto se acabou (1.5); os sacerdotes, porque cessaram as ofertas (1.9); e os lavradores, porque a videira, a figueira e as demais árvores secaram, e “a alegria se secou de entre os filhos dos homens” (1.12).

Convocai um jejum solene (1.13-18)

Diante da calamidade, o profeta ordena aos sacerdotes: “Cingi-vos e lamentai… Santificai um jejum, convocai uma assembleia solene…” (1.13-14). É um chamado à humilhação coletiva diante de Deus.

A razão é solene: “…porque o dia do Senhor está perto e vem como assolação do Todo-Poderoso” (1.15). O alimento foi cortado, os celeiros assolados, e até o gado geme sem pasto (1.16-18): a criação inteira sofre as consequências.

A ti, Senhor, eu clamo (1.19-20)

Joel é o primeiro a responder ao próprio apelo: “A ti, ó Senhor, clamo, porque o fogo consumiu os pastos do deserto” (1.19). O profeta que anuncia o juízo também intercede pela misericórdia.

Até os animais se voltam para Deus: “Também os animais do campo bramam a ti, porque os rios se secaram” (1.20). A cena mostra que, quando tudo falha, resta o clamor sincero àquele que pode restaurar.

Como Joel 1 se conecta com Cristo e o evangelho?

O clamor diante da devastação e a esperança de restauração apontam para Cristo:

  • A criação que geme: os animais que bramam por Deus na seca (1.18-20) antecipam a criação que geme, aguardando a redenção (Romanos 8.19-22).
  • O Dia do Senhor: “o dia do Senhor está perto” (1.15) prenuncia o Dia vindouro, que virá como ladrão de noite (2 Pedro 3.10).
  • O profeta que intercede: Joel clama ao Senhor no meio da calamidade (1.19), apontando para Cristo, que vive para interceder por nós (Hebreus 7.25).
  • A perda que leva ao arrependimento: a devastação convoca ao jejum e ao retorno (1.14), como o chamado a chegar-se a Deus, lamentar e humilhar-se (Tiago 4.8-10).
  • O alimento que não falta: cessam as ofertas e o pão na casa de Deus (1.9,16), apontando para Cristo, o pão da vida, que sacia para sempre (João 6.35).

Quais são as lições espirituais e aplicações práticas de Joel 1?

Três realidades me confrontam aqui. A primeira é que as crises podem ser lidas espiritualmente: em vez de mero azar, são convites a olhar para Deus. A segunda é que a resposta comunitária à calamidade não é o desespero, mas a humilhação diante do Senhor, com jejum e oração.

A terceira é que o clamor sincero é o caminho quando tudo o mais se esgotou. Fica uma palavra para quem enfrenta perdas: transforme a devastação em oração, porque o Deus a quem Joel clamou é o mesmo que promete restaurar o que foi consumido.

Perguntas frequentes sobre Joel 1

O que representam os quatro tipos de gafanhotos em Joel 1.4?

Representam ondas sucessivas de devastação: o que um enxame deixa, o próximo consome. Seja qual for a interpretação exata dos termos, o efeito é o de uma destruição total e implacável sobre as colheitas de Judá.

Por que a praga de gafanhotos é ligada ao Dia do Senhor?

Porque a devastação presente é lida como uma manifestação histórica do juízo de Deus, um Dia do Senhor já em curso. Ela funciona como prenúncio e advertência de um Dia ainda maior, que Joel desenvolve nos capítulos seguintes.

O que é a assembleia solene convocada em Joel 1.14?

É uma reunião de adoração e humilhação coletiva diante de Deus. O profeta manda santificar um jejum e reunir anciãos e todo o povo na casa do Senhor, para buscar a Deus e remover qualquer pecado ligado à calamidade.

Por que os animais aparecem clamando em Joel 1.20?

Para mostrar que a devastação atinge toda a criação, não apenas as pessoas. Os animais, que gemem por falta de pasto e água, expõem, por contraste, a insensibilidade do povo e reforçam a urgência de buscar a Deus.

Qual é a lição de Joel 1 para hoje?

Que as crises são convites a olhar para Deus, e que a resposta certa à calamidade é a humilhação, o jejum e a oração, e não o desespero. Quando tudo se esgota, o clamor sincero ao Senhor é o caminho da restauração.

Referências

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

BUSENITZ, Irvin A. Joel e Obadias. São Paulo: Cultura Cristã. Disponível em: aqui.

WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2018. Disponível em: aqui.

Daniel 12 Estudo: Este será um TEMPO de ANGÚSTIA

Daniel 12 Estudo: Este será um TEMPO de ANGÚSTIA

Em Daniel 12, vemos o fim do período das revelações feitas a Daniel. Agora ele já previu o tempo do cativeiro na Babilônia, o futuro dos principais impérios da Terra em sua época, o surgimento de Antíoco Epifânio e a profanação do Templo em Jerusalém, a Segunda vinda de Jesus e o Julgamento final.

A grandeza das revelações deixa Daniel curioso sobre seu cumprimento. O anjo Gabriel lhe aponta que em alguns anos, algumas delas se cumprirão. Outras não!

Então o anjo ordena que ele siga a vida, descanse e depois ele tomará conhecimento de tudo.

É muito importante ter em mente que não saberemos de tudo, em um único momento. Paciência, perseverança e fé são fundamentais para uma vida cristã equilibrada e sadia.

Aquilo que Daniel podia saber naquele momento, lhe foi revelado. O que não podia, foi guardado. Assim é conosco. Há muitas coisas na vida que precisam de resposta de Deus. Ele as dará, no tempo determinado. Enquanto isso, siga sua vida e descanse.

Esboço de Daniel 12:

Dn 12.1: Um tempo de angústia

Dn 12.2,3: A ressurreição dos mortos

Dn 12.4,5: O tempo do fim

Dn 12.7: O tempo do cumprimento

Dn 12.8-10: Palavras seladas

Dn 12.11-13: O recebimento da herança dos santos

 

Daniel 12 estudo em vídeo

Daniel 12.1: Um tempo de angústia

Naquela ocasião Miguel, o grande príncipe que protege o seu povo, se levantará. Haverá um tempo de angústia como nunca houve desde o início das nações até então. Mas naquela ocasião o seu povo, todo aquele cujo nome está escrito no livro, será liberto. (Dn 12.1)

Sem dúvida, quando a revelação contida no capítulo 12 foi dada a Daniel, ele estava preocupado com o destino de seu povo.

Agora, na conclusão desta visão, o anjo consolou Daniel revelando dois fatos. Primeiro, o povo de Israel será libertado pela intervenção de Miguel, o príncipe dos anjos, que é o protetor de Israel.

Na Grande Tribulação Satanás tentará exterminar todos os descendentes de Abraão (ver Apocalipse 12:15). Este será um tempo de grande angústia sem precedentes para Israel (ver Mateus 24:21).

O ataque de Satanás contra o povo do reino será parte de seu esforço para impedir o retorno e o reinado de Cristo.

A libertação de Israel, o “povo” de Daniel, não se refere à salvação individual, embora um remanescente seja salvo, mas sim à libertação nacional da subjugação aos gentios.

Daniel 12.2,3: A ressurreição dos mortos

2 Multidões que dormem no pó da terra acordarão: uns para a vida eterna, outros para a vergonha, para o desprezo eterno. 3 Aqueles que são sábios reluzirão como o fulgor do céu, e aqueles que conduzem muitos à justiça serão como as estrelas, para todo o sempre. (Dn 12.2–3)

O segundo fato que consolou Daniel é a promessa de que os que dormem ressuscitarão. Muitos judeus perderão suas vidas nas mãos dos gentios nos eventos revelados no capítulo 11.

Dormir no pó da terra não significa existência inconsciente na morte. Significa simplesmente que uma pessoa morta parece estar dormindo.

O corpo está “adormecido”, não a alma (ver 1 Tessalonicenses 4:13). Os judeus incrédulos serão ressuscitados para vergonha e desprezo eterno e não participarão das bênçãos da aliança.

Judeus, porém, que acreditam que o Messias será ressuscitado corporalmente para a vida eterna e para posições de honra no reino milenar de Cristo. Sendo glorificados no reino, eles resplandecerão como o resplendor dos céus.

Eles serão sábios, pois confiarão no Messias mesmo que isso resulte em seu sofrimento.

Esta mensagem de que Deus se lembrará de Sua aliança e cumprirá tudo o que prometeu a Israel – apesar de seus sofrimentos nas mãos dos gentios – será um consolo que, por sua vez, fará com que eles conduzam outros à justiça.

Nenhuma justiça do povo de Deus fica sem recompensa, então aqueles que são fiéis sob perseguição brilharão como as estrelas para todo o sempre.

A ressurreição dos crentes mortos na Tribulação ocorrerá na segunda volta de Jesus (ver Apocalipse 20:4). Os mortos incrédulos, no entanto, serão ressuscitados para “desprezo eterno” e tormento no final do reinado de 1.000 anos de Cristo.

Daniel 12.4-6: O tempo do fim

4 Mas você, Daniel, feche com um selo as palavras do livro até o tempo do fim. Muitos irão por todo lado em busca de maior conhecimento”. 5 Então eu, Daniel, olhei, e diante de mim estavam dois outros anjos, um na margem de cá do rio e outro na margem de lá. 6 Um deles disse ao homem vestido de linho, que estava acima das águas do rio: “Quanto tempo decorrerá antes que se cumpram essas coisas extraordinárias?” (Dn 12.4–6)

Compreensivelmente, Daniel e seus leitores imediatos não poderiam ter compreendido todos os detalhes das profecias dadas neste livro. Até que a história continuasse a se desenrolar, muitos seriam capazes de entender essas revelações proféticas.

Mas Deus indicou que haveria um maior entendimento do que Daniel havia escrito. As pessoas hoje, olhando para trás na história, podem ver o significado de muito do que Daniel previu.

E no tempo do fim as palavras deste livro que foram seladas, isto é, mantidas intactas, serão entendidas por muitos que procurarão obter conhecimento dela.

Isso será na Tribulação.

Mesmo que o povo de Daniel não tenha entendido completamente as profecias deste livro, as previsões os confortaram. Eles foram assegurados de que Deus acabará por libertar Israel dos gentios e trazê-la para as Suas promessas da aliança.

A Grande Tribulação

Esta seção inclui dois pedidos (um de um anjo e outro de Daniel) e duas respostas angélicas. O primeiro pedido está nos versículos 5–6, e a primeira resposta está no versículo 7.

A segunda pergunta está no versículo 8, e a segunda resposta está nos versículos 9–13. Evidentemente, dois anjos atenderam o mensageiro angélico, que provavelmente era Gabriel.

Um dos anjos do outro lado do rio (o Tigre) chamou um anjo que estava ao lado de Gabriel e perguntou: Quanto tempo levará até que essas coisas surpreendentes sejam realizada?

“Essas coisas extraordinárias” provavelmente se referem aos eventos registrados em Daniel 11:36-45, que dizem respeito à ocupação final de Israel pelo vindouro governante gentio.

Daniel 12.7: O tempo do cumprimento

7 O homem vestido de linho, que estava acima das águas do rio, ergueu para o céu a mão direita e a mão esquerda, e eu o ouvi jurar por aquele que vive para sempre, dizendo: “Haverá um tempo, tempos e meio tempo. Quando o poder do povo santo for finalmente quebrado, todas essas coisas se cumprirão”. (Dn 12.7)

Gabriel respondeu ao anjo inquiridor que esses eventos se cumprirão em um tempo, tempos e meio tempo, isto é, em três anos e meio. Embora esse governante final reine por sete anos, a primeira metade será um tempo de relativa paz para Israel.

Eles estarão desfrutando dos benefícios da aliança que este rei fará com eles (9:27). Israel será “uma terra de aldeias não muradas”, uma terra em que o povo estará “sem muros, sem portões e sem ferrolhos” (Ezequiel 38:11).

Mas o Anticristo quebrará essa aliança (Daniel 9:27) perto da metade das 70 “semanas” (anos). Então o rei do Sul e o rei do Norte invadirão Israel (Daniel 11:40).

Depois de destruir esses dois exércitos, esse rei gentio (o Anticristo) se mudará para Israel, ocupará a terra e estabelecerá sua sede política e religiosa em Jerusalém.

Ele reinará em Jerusalém como rei e deus e se tornará o maior perseguidor que Israel já conheceu (Apocalipse 13:5-7). O poder de Israel será quebrado por seu poder implacável, e então no final da Tribulação todas essas coisas serão completadas.

Daniel 12.8-10: Palavras seladas

8 Eu ouvi, mas não compreendi. Por isso perguntei: “Meu senhor, qual será o resultado disso tudo?” 9 Ele respondeu: “Siga o seu caminho, Daniel, pois as palavras estão seladas e lacradas até o tempo do fim. 10 Muitos serão purificados, alvejados e refinados, mas os ímpios continuarão ímpios. Nenhum dos ímpios levará isto em consideração, mas os sábios sim. (Dn 12.8–10)

Então Daniel dirigiu uma pergunta a Gabriel, a quem chamou de meu senhor. Daniel perguntou: Qual será o resultado de tudo isso? Ele queria conhecer o programa de Deus para Israel além do período da Tribulação.

Poucas informações sobre as bênçãos de Israel no reinado milenar após o Segundo Advento de Cristo foram dadas a Daniel, embora ele soubesse que o reino eterno de Deus será estabelecido e os santos possuirão (governar) esse reino.

Muitas dessas profecias foram dadas por meio dos profetas e mais seriam dadas por meio de profetas que ainda estavam por vir (Ageu, Zacarias, Malaquias).

Como o anjo já declarou, as palavras devem ser fechadas e seladas até o tempo do fim (a segunda metade da 70º “semana”). Nesse período de tempo muitos judeus se voltarão para o Salvador, e como resultado serão purificados espiritualmente, imaculados e refinados.

Mas os ímpios continuarão em seus caminhos, seguindo e adorando o Anticristo, o governante mundial. O que Deus revelou a Daniel continuará sendo obscuro para eles, mas os sábios entenderão .

Daniel 12.11-13: O recebimento da herança dos santos

11 “Depois de abolido o sacrifício diário e colocado o sacrilégio terrível, haverá mil e duzentos e noventa dias. 12 Feliz aquele que esperar e alcançar o fim dos mil trezentos e trinta e cinco dias. 13 “Quanto a você, siga o seu caminho até o fim. Você descansará e, então, no final dos dias, você se levantará para receber a herança que lhe cabe”. (Dn 12.11–13)

O anjo disse que 1.290 dias serão contados a partir do momento em que o sacrifício diário for abolido e a abominação que causa desolação se estabelecer.

A última metade das 70 “semanas” (anos) é “um tempo, tempos e metade de um tempo” (ver Daniel 7:25 e Apocalipse 12:14), que são três anos e meio. Também é designado como 42 meses (ver Apocalipse 11:2,3) ou 1.260 dias.

Como então pode ser explicada a variação de 30 dias (1.290 em comparação com 1.260)?

Alguns sugerem que os 30 dias se estenderão além do fim da Tribulação, permitindo o julgamento de Israel e o julgamento das nações. Outra possibilidade é que os 1.290 dias comecem 30 dias antes da metade das 70 “semanas”, quando o governante mundial estabelecerá “a abominação que causa desolação” (Mateus 24:15).

Os 1.290 dias podem começar com um anúncio sobre a abominação, feito 30 dias antes da abominação ser introduzida. Esta abominação, como dito anteriormente, será uma imagem dele mesmo (ver Apocalipse 13:14-15) e será o símbolo deste sistema religioso.

A bênção é pronunciada sobre aquele que espera e vive para ver o fim dos 1.335 dias. São 45 dias adicionais além dos 1.290 dias. Quarenta e cinco dias após o fim da Tribulação, as tão esperadas bênçãos de Israel serão derramadas

Isso pode marcar a bênção do Milênio; ou pode ser quando Cristo, que terá aparecido nos céus (Mateus 24:30) 45 dias antes, realmente descerá à terra, Seus pés tocando o Monte das Oliveiras (ver Atos 1:11).

Para os crentes, a vinda de Cristo é uma bênção e uma esperança gloriosa.

Daniel não viveu para ver muitas de suas profecias cumpridas. Ele, disse o anjo, descansaria, isto é, na morte. Mas ele será ressuscitado para receber sua herança no Milênio.

Por causa da fé de Daniel em Deus, ele levou uma vida de serviço fiel a Ele, e por essa fé e obediência ele receberá uma gloriosa recompensa.

Todos os que como Daniel confiam no Senhor compartilharão as bênçãos de Seu reino milenar.

Motivos de oração em Daniel 12

Oro para que:

  • Deus fortalece seu povo;
  • Nos ajude a suportar as tribulações por amor ao seu nome;
  • Sejamos fieis até o fim, como Daniel.

Daniel 11 Estudo: A derrota do Anticristo

Daniel 11 Estudo: A derrota do Anticristo

Em Daniel 11, o anjo Gabriel revela a Daniel o futuro dos impérios da Pérsia e da Grécia, como havia prometido em Daniel 10. Uma declaração de Gabriel deve chamar a nossa atenção: “sendo que, no primeiro ano de Dario, rei dos medos, ajudei-o e dei-lhe apoio”.

Dario embora ímpio, foi instrumento nas mãos de Deus para libertação do povo de Deus do cativeiro babilônico. E Gabriel diz que foi grande apoio neste projeto.

Precisamos orar a Deus que envie anjos sobre a nossa nação. Anjos que nos ajudem a tornar o país menos corrupto, mau, perverso e prostituído.

Um dos destaques desta profecia é a maldade de Antíoco Epifânio contra o povo de Deus e contra Jerusalém, a cidade santa.

Além disso, há profecias sobre o estabelecimento da monarquia grega, que se instalava sobre o que restou do império persa.

Antíoco Epifânio recebeu muita atenção neste capítulo, devido ao grande mal que iria causar.

Um homem extremamente corrupto e profano. Não temia a Deus ou a qualquer divindade. Completamente avesso a religião.

Ele perde o trono e a glória quando está no maior período de perseguição aos judeus, isso para deixar bem claro que não há outro senhor senão o Deus de Israel.

Esboço de Daniel 11:

Dn 11.2 – 4: Gabriel ajuda Dario

Dn 11.5 – 8: Fortalecimento do reino do sul

Dn 11.9,10: Rebelião contra o Sul

Dn 11.21 – 26: Um sucessor desprezível

Dn 11.27 – 29: Os dois reis

Dn 11.29-31: A profanação do Templo

Dn 11.33-35: “Cairão à espada”

Dn 11.36-39: “Ele terá sucesso”

Dn 11.40-43: A batalha no tempo do fim

Dn 11.44,45: A derrota do Anticristo

 

Daniel 11 estudo em vídeo

Daniel 11.2-4: Gabriel ajuda Dario

2 “Agora, pois, vou dar-lhe a conhecer a verdade: Outros três reis aparecerão na Pérsia, e depois virá um quarto rei, que será bem mais rico do que os anteriores. Depois de conquistar o poder com sua riqueza, instigará todos contra o reino da Grécia. 3 Então surgirá um rei guerreiro, que governará com grande poder e fará o que quiser. 4 Logo depois de estabelecido, o seu império se desfará e será repartido para os quatro ventos do céu. Não passará para os seus descendentes, e o império não será poderoso como antes, pois será desarraigado e entregue a outros. (Dn 11.2–4)

O anjo informou a Daniel que a atual liderança no Império Persa seria sucedida por quatro governantes. O primeiro foi Cambises, filho de Ciro, que subiu ao trono em 530 a.C.

Ele foi seguido por Pseudo-Esmerdis, que reinou por um curto período em 522 a.C. Ele foi sucedido por Dario I Histaspes que governou de 521 a 486 a.C.

Ele, por sua vez, foi sucedido por Xerxes, conhecido no Livro de Ester como Assuero, que governou de 485 a 465 a.C. Xerxes era o mais poderoso, influente e rico dos quatro. Durante seu reinado, ele lutou em guerras contra a Grécia.

O poderoso rei foi Alexandre, cuja ascensão foi profetizada:

  1. Ele era o ventre e as coxas de bronze da imagem de Nabucodonosor;
  2. Depois aparece como o leopardo alado;
  3. Por fim, como o chifre que surge do bode.

Entre 334 e 330 a.C. Alexandre conquistou a Ásia Menor, a Síria, o Egito e a terra do Império Medo-Persa. Suas conquistas se estenderam até a Índia antes da morte de Alexandre aos 32 anos em 323 a.C.

💡 Poucos anos após a morte de Alexandre, seu reino foi dividido entre seus quatro generais: Seleuco (sobre a Síria e a Mesopotâmia), Ptolomeu (sobre o Egito), Lisímaco (sobre a Trácia e partes da Ásia Menor) e Cassandro (sobre a Macedônia e a Grécia).

Essa divisão foi antecipada pelas quatro cabeças do leopardo e pelos quatro chifres que surgiram no bode.

Alexandre não fundou nenhuma dinastia de governantes; como ele não tinha herdeiros, seu reino foi dividido e o império foi marcado pela divisão e fraqueza.

O conflito entre os Ptolomeus e os Selêucidas

Os Ptolomeus que governavam o Egito eram chamados de reis “do Sul”. Os selêucidas, que governavam a Síria, ao norte de Israel, eram chamados de reis “do norte”.

Os versículos de 5-20 fornecem muitos detalhes do conflito contínuo entre os Ptolomeus e os selêucidas durante o qual a terra de Israel foi invadida primeiro por um poder e depois pelo outro.

Daniel 11.5-8: Fortalecimento do reino do sul

5 “O rei do sul se tornará forte, mas um dos seus príncipes se tornará ainda mais forte que ele e governará o seu próprio reino com grande poder. 6 Depois de alguns anos, eles se tornarão aliados. A filha do rei do sul fará um tratado com o rei do norte, mas ela não manterá o seu poder, nem ele conservará o dele. Naqueles dias ela será entregue à morte, com sua escolta real e com seu pai e com aquele que a apoiou. 7 “Alguém da linhagem dela se levantará para tomar-lhe o lugar. Ele atacará as forças do rei do norte e invadirá a sua fortaleza; lutará contra elas e será vitorioso. 8 Também tomará os deuses deles, as suas imagens de metal e os seus utensílios valiosos de prata e de ouro, e os levará para o Egito. Por alguns anos ele deixará o rei do norte em paz. (Dn 11.5–8)

O forte rei do Sul era Ptolomeu I Sóter, um general que serviu sob o comando de Alexandre. Ele recebeu autoridade sobre o Egito em 323 a.C. e proclamado rei do Egito em 304 a.C.

O comandante mencionado no versículo 5 foi Seleuco I Nicátor, também general sob Alexandre, que recebeu autoridade para governar a Babilônia em 321.

Mas em 316 a.C., quando a Babilônia foi atacada por Antígono, outro general , Seleuco procurou ajuda de Ptolomeu I Sóter no Egito.

Após a derrota de Antígono em 312, Seleuco voltou para a Babilônia muito fortalecido.

Ele governou a Babilônia, a Média e a Síria, e assumiu o título de rei em 305 a.C. Assim, o governo de Seleuco I Nicátor era muito mais territorial do que o de Ptolomeu I Sóter.

Ptolomeu I Sóter morreu em 285 a.C. e Ptolomeu II Filadelfo, filho de Ptolomeu, governou no Egito (285-246 a.C.). Enquanto isso, Seleuco foi assassinado em 281 e seu filho Antíoco I Sóter governou até 262 a.C.

Então, o neto de Seleuco, Antíoco II Teos, governou na Síria (262-246 a.C.). Ptolomeu II e Antíoco II eram inimigos ferrenhos, mas finalmente (depois de alguns anos) eles entraram em uma aliança por volta de 250 a.C.

💡 Esta aliança foi selada pelo casamento da filha de Ptolomeu II, Berenice, com Antíoco II. Este casamento, no entanto, não durou, pois Laódice, de quem Antíoco se divorciou para se casar com Berenice, mandou matar Berenice (ela foi entregue).

Laódice então envenenou Antíoco II e fez seu filho, Seleuco II Calínico, rei (246-227).

O irmão de Berenice, Ptolomeu III Evérgeta (246-221), sucedeu seu pai e partiu para vingar a morte de sua irmã Berenice. Ele foi vitorioso sobre o exército sírio (o rei do Norte), matou Laódice e retornou ao Egito com muitos despojos.

Daniel 11.9,10: Rebelião contra o Sul

9 Então o rei do norte invadirá as terras do rei do sul, mas terá que se retirar para a sua própria terra. 10 Seus filhos se prepararão para a guerra e reunirão um grande exército, que avançará como uma inundação irresistível e levará os combates até a fortaleza do rei do sul. (Dn 11.9–10)

Após esta derrota humilhante, Seleuco II Calínico (o rei do Norte) tentou invadir o Egito, mas não teve sucesso. Após sua morte (por uma queda de seu cavalo), ele foi sucedido por seu filho, Seleuco II Sóter (227-223 a.C.), que foi morto por conspiradores durante uma campanha militar na Ásia Menor.

O irmão de Seleuco III, Antíoco III, o Grande, tornou-se o governante em 223 a.C. aos 18 anos de idade e reinou por 36 anos (até 187 a.C.).

💡 Os dois filhos (Seleuco III e Antíoco III) procuraram restaurar o prestígio perdido da Síria pela conquista militar, o filho mais velho invadindo a Ásia Menor e o filho mais novo atacando o Egito.

O Egito controlava todo o território ao norte até as fronteiras da Síria, que incluía a terra de Israel. Antíoco III conseguiu levar os egípcios de volta às fronteiras do sul de Israel em sua campanha em 219-217 a.C.

Daniel 11.13-17: A violência do norte contra o sul

13 Pois o rei do norte reunirá outro exército, maior que o primeiro; depois de alguns anos voltará a atacá-lo com um exército enorme e bem equipado. 14 “Naquela época muitos se rebelarão contra o rei do sul. E os homens violentos do povo a que você pertence se revoltarão para cumprirem esta visão, mas não terão sucesso. 15 Então o rei do norte virá, construirá rampas de cerco e conquistará uma cidade fortificada. As forças do sul serão incapazes de resistir; mesmo as suas melhores tropas não terão forças para resistir. 16 O invasor fará o que bem entender; ninguém conseguirá detê-lo. Ele se instalará na Terra Magnífica e terá poder para destruí-la. 17 Virá com o poder de todo o seu reino e fará uma aliança com o rei do sul. Ele lhe dará uma filha em casamento a fim de derrubar o reino, mas o seu plano não terá sucesso e em nada o ajudará. (Dn 11.13–17)

O rei do Sul neste versículo foi Ptolemeu IV Filópator (221–204 a.C.). Foi ele quem foi expulso por Antíoco III, o Grande. Ptolomeu IV veio ao encontro de Antíoco III na fronteira sul de Israel.

Ptolomeu IV foi inicialmente bem sucedido em retardar a invasão de Antíoco (Ptolomeu massacrou muitos milhares). Mas, após uma breve interrupção, Antíoco voltou com outro exército (muito maior) e fez recuar o rei do Sul.

A Síria não era o único inimigo do Egito, pois Filipe V da Macedônia juntou-se a Antíoco III contra o Egito. Muitos judeus também se uniram a Antíoco contra o Egito.

Talvez os judeus esperassem obter independência tanto do Egito quanto da Síria juntando-se ao conflito, mas suas esperanças não foram realizadas.

Antíoco então procurou consolidar o controle sobre Israel, do qual havia expulsado os egípcios. A cidade fortificada parece referir-se a Sidom que Antíoco capturou em 203 a.C.

💡 Antíoco III continuou sua ocupação e em 199 a.C. já havia se estabelecido na Bela Terra. Antíoco procurou trazer a paz entre o Egito e a Síria, dando sua filha para se casar com Ptolomeu V Epifânio do Egito. Mas esta tentativa de trazer uma aliança pacífica entre as duas nações não teve sucesso.

Em resumo

Dos versículos de 2-17, Gabriel revela importantes eventos históricos que acontecem a partir da mudança nos governos humanos e suas implicações para o povo de Deus.

Mas a mais importante delas, é a revelação sobre o “Comandante Arrogante”, que hoje sabemos que é Antíoco IV Epifânio e sua crueldade para com os judeus.

Daniel 11.18-20: Um comandante arrogante

18 Então ele voltará a atenção para as regiões costeiras e se apossará de muitas delas, mas um comandante reagirá com arrogância à arrogância dele e lhe dará fim. 19 Depois disso ele se dirigirá para as fortalezas de sua própria terra, mas tropeçará e cairá, para nunca mais aparecer. 20 “Seu sucessor enviará um cobrador de impostos para manter o esplendor real. Contudo, em poucos anos ele será destruído, sem necessidade de ira nem de combate. (Dn 11.18–20)

Ao chegar neste ponto, a revelação de Gabriel a Daniel, fala sobre algo que aconteceu durante o governo de Antíoco III, quando ele voltou sua atenção para a Ásia Menor em 197 a.C. e Grécia em 192 a.C.

Nesta campanha ele não teve sucesso porque Cornélio Cipião (um de seus comandantes) foi enviado por Roma para trazer Antíoco de volta.

Antíoco retornou ao seu país em 188 a.C. e morreu um ano depois.

Antíoco III, o Grande, havia realizado as campanhas militares mais vigorosas de qualquer um dos sucessores de Alexandre (o Grande), mas seu sonho de reunir o império de Alexandre sob sua autoridade nunca foi realizado.

O filho de Antíoco III, Seleuco IV Filopátor (187–176 a.C.) impôs pesados encargos ao seu povo para pagar Roma, e como consequência foi envenenado por seu tesoureiro Heliodoro.

A Invasão por Antíoco IV Epifânio

Após essa sucessão de eventos, Antíoco IV Epifânio, filho de Antíoco III, o Grande, assume o poder e os versículos de Daniel 11.18-20, são referentes a ele.

Este selêucida que governou de 175 a 163 a.C. recebe considerável atenção por parte da profecia, por ser ele o chifre pequeno que aparece em Daniel 8:9–12, 23–25.

Uma longa seção é dedicada a ele não apenas por causa dos efeitos de sua invasão na terra de Israel, mas mais ainda porque ele é um tipo do chifre pequeno ou o Anticristo mencionado em Daniel 7:8 que em um dia futuro profanará e destruirá a terra de Israel.

Daniel 11.21-24: Um sucessor desprezível

21 “Ele será sucedido por um ser desprezível, a quem não tinha sido dada a honra da realeza. Este invadirá o reino quando o povo se sentir seguro, e se apoderará do reino por meio de intrigas. 22 Então um exército avassalador será arrasado diante dele; tanto o exército como um príncipe da aliança serão destruídos. 23 Depois de um acordo feito com ele, agirá traiçoeiramente, e com apenas um pequeno grupo chegará ao poder. 24 Quando as províncias mais ricas se sentirem seguras, ele as invadirá e realizará o que nem seus pais nem seus antepassados conseguiram: distribuirá despojos, saques e riquezas entre seus seguidores. Ele tramará a tomada de fortalezas, mas só por algum tempo. (Dn 11.21–24)

Antíoco IV é apresentado como uma pessoa desprezível. Ele tomou para si o nome de Epifânio, que significa “o Ilustre”. Mas ele foi considerado tão indigno de confiança que foi apelidado de Epimanes, que significa “o louco”.

O trono pertencia a Demétrio Sóter, filho de Seleuco IV Filópator, quando Antíoco IV Epifânio tomou o trono e se proclamou rei.

Assim, ele não chegou ao trono por sucessão legítima; ele o obteve por meio de intriga, exatamente como Gabriel profetizou.

Ele foi aceito como governante porque conseguiu afastar um exército invasor, provavelmente os egípcios. Ele também depôs Onias III, o sumo sacerdote, na profecia de Gabriel ele é chamado de príncipe da aliança.

Após suas vitórias militares, o prestígio e o poder de Antíoco Epifânio aumentaram com a ajuda de um número comparativamente pequeno de pessoas. Ele evidentemente procurou trazer paz ao seu reino redistribuindo a riqueza, tirando dos ricos e dando aos seus seguidores.

Daniel 11.25-28: Os dois reis

25 “Com um grande exército juntará suas forças e sua coragem contra o rei do sul. O rei do sul guerreará mobilizando um exército grande e poderoso, mas não conseguirá resistir por causa dos golpes tramados contra ele. 26 Mesmo os que estiverem sendo alimentados pelo rei tentarão destruí-lo; seu exército será arrasado, e muitos cairão em combate. 27 Os dois reis, com seu coração inclinado para o mal, sentarão à mesma mesa e mentirão um para o outro, mas sem resultado, pois o fim só virá no tempo determinado. 28 O rei do norte voltará para a sua terra com grande riqueza, mas o seu coração estará voltado contra a santa aliança. Ele empreenderá ação contra ela e depois voltará para a sua terra. (Dn 11.25–28)

Depois que Antíoco consolidou seu reino, ele se moveu contra o Egito, o rei do Sul, em 170 a.C. Ele conseguiu mover seu exército de sua terra natal para a fronteira do Egito antes de ser recebido pelo exército egípcio em Pelúsio, perto do delta do Nilo.

Nesta batalha os egípcios tinham um grande exército, mas foram derrotados e Antíoco fez aliança com o Egito.

O vencedor e o vencido sentaram-se à mesa juntos como se a amizade tivesse sido estabelecida, mas o objetivo de ambos de estabelecer a paz nunca foi realizado, porque dos dois eram mentirosos.

Antíoco trouxe grande riqueza de volta para sua terra natal de sua conquista.

Em seu retorno, ele passou pela terra de Israel. Depois de sua decepção (ele esperava tomar todo o Egito, mas falhou), sendo assim, descarregou suas frustrações sobre os judeus profanando o templo em Jerusalém.

Ele se opôs abertamente contra todos os símbolos da aliança estabelecida entre Deus e o seu povo. Depois de profanar o templo, ele retornou ao seu próprio país.

Daniel 11.29-32: A profanação do Templo

29 “No tempo determinado ele invadirá de novo o sul, mas desta vez o resultado será diferente do anterior. 30 Navios das regiões da costa ocidental se oporão a ele, e ele perderá o ânimo. Então despejará sua fúria contra a santa aliança e, voltando, tratará com bondade aqueles que abandonarem a santa aliança. 31 “Suas forças armadas se levantarão para profanar a fortaleza e o templo, acabarão com o sacrifício diário e colocarão no templo o sacrilégio terrível. 32 Com lisonjas corromperá aqueles que tiverem violado a aliança, mas o povo que conhece o seu Deus resistirá com firmeza. (Dn 11.29–32)

Dois anos depois (em 168 a.C.) Antíoco moveu-se contra o Egito (o Sul) novamente. Ao se mudar para o Egito, ele sofreu a oposição dos romanos que haviam chegado ao Egito em navios das costas ocidentais.

Do senado romano, Popílio Lenas levou a Antíoco uma carta proibindo-o de entrar em guerra com o Egito. Quando Antíoco pediu um tempo para considerar, o emissário desenhou um círculo na areia ao redor de Antíoco e exigiu que ele desse sua resposta antes de sair do círculo.

Antíoco submetido às exigências de Roma para resistir seria declarar guerra a Roma. Esta foi uma derrota humilhante para Antíoco Epifânio (ele vai desanimar), mas ele não teve outra alternativa senão retornar à sua própria terra.

Pela segunda vez Antíoco descarregou sua frustração sobre os judeus, a cidade de Jerusalém e seu templo. Descarregou sua fúria contra a santa aliança, todo o sistema mosaico, favorecendo qualquer judeu renegado que se voltasse para ajudá-lo.

Ele profanou o templo e aboliu o sacrifício diário. Antíoco enviou seu general Apolônio com 22.000 soldados a Jerusalém no que se pretendia ser uma missão de paz.

Mas eles atacaram Jerusalém no sábado, mataram muitas pessoas, levaram muitas mulheres e crianças como escravos, saquearam e queimaram a cidade.

Promessa aos profanos

Ao procurar exterminar o judaísmo ele proibiu os judeus de seguir suas práticas religiosas (incluindo suas festas e circuncisão), e ordenou que cópias da Lei fossem queimadas.

Então ele estabeleceu a abominação que causa desolação.

Neste ato culminante ele erigiu em 16 de dezembro de 167 a.C. um altar a Zeus no altar de holocausto fora do templo, e tinha um porco oferecido no altar.

Os judeus eram obrigados a oferecer um porco no dia 25 de cada mês para comemorar o aniversário de Antíoco Epifânio.

Antíoco prometeu aos judeus apóstatas – aqueles que violaram a aliança – grande recompensa se eles deixassem de lado o Deus de Israel e adorassem Zeus, o deus da Grécia.

Muitos em Israel foram persuadidos por suas promessas e adoraram o falso deus. No entanto, um pequeno remanescente permaneceu fiel a Deus, recusando-se a se envolver nessas práticas abomináveis.

Antíoco IV morreu louco, na Pérsia em 163 a.C.

Daniel 11.33-35: “Cairão à espada”

33 “Aqueles que são sábios instruirão a muitos, mas por certo período cairão à espada e serão queimados, capturados e saqueados. 34 Quando caírem, receberão uma pequena ajuda, e muitos que não são sinceros se juntarão a eles. 35 Alguns dos sábios tropeçarão para que sejam refinados, purificados e alvejados até a época do fim, pois isso só acontecerá no tempo determinado. (Dn 11.33–35)

💡 Os judeus que se recusaram a se submeter ao falso sistema religioso de Antíoco foram perseguidos e martirizados por sua fé. A palavra “cairão”, que significa literalmente “tropeçar”, refere-se a sofrimento severo por parte de muitos e morte para outros.

Isso tem em vista o surgimento da revolta dos Macabeus.

Matatias, um sacerdote, era pai de cinco filhos. Um deles, Judas, tornou-se conhecido por reformar e restaurar o templo no final de 164 a.C.

Ele foi chamado de Judas Macabeu, “o Martelo”.

Em 166 a.C., Matatias recusou-se a se submeter a esse falso sistema religioso. Ele e seus filhos fugiram de Jerusalém para as montanhas e começaram a revolta dos Macabeus.

No início, apenas alguns judeus se juntaram a eles. Mas à medida que seu movimento se tornou popular, muitos se juntaram a eles, alguns por motivos sinceros e outros por motivos falsos.

O sofrimento que os fiéis suportaram serviu para refiná-los e purificá-los. Este tempo de perseguição foi de curta duração.

Já havia sido revelado a Daniel que o templo seria profanado por 1.150 dias, em Daniel 8:14,23–25. Aqui foi assegurado a Daniel que esta perseguição seguiria seu curso e então seria suspensa, pois seu fim ainda virá no tempo determinado.

Daniel 11.36-39: “Ele terá sucesso”

36 “O rei fará o que bem entender. Ele se exaltará e se engrandecerá acima de todos os deuses e dirá coisas jamais ouvidas contra o Deus dos deuses. Ele terá sucesso até que o tempo da ira se complete, pois o que foi decidido irá acontecer. 37 Ele não terá consideração pelos deuses dos seus antepassados nem pelo deus preferido das mulheres, nem por deus algum, mas se exaltará acima deles todos. 38 Em seu lugar adorará um deus das fortalezas; um deus desconhecido de seus antepassados ele honrará com ouro e prata, com pedras preciosas e presentes caros. 39 Atacará as fortalezas mais poderosas com a ajuda de um deus estrangeiro e dará grande honra àqueles que o reconhecerem. Ele os fará governantes sobre muitos e distribuirá a terra, mas a um preço elevado. (Dn 11.36–39)

Todos os eventos descritos até agora no capítulo 11 são passados. Os intrincados detalhes dos conflitos entre os selêucidas e os Ptolomeus foram cumpridos literalmente, exatamente como Daniel havia previsto.

Tão detalhados são os fatos que os céticos negam que o livro tenha sido escrito por Daniel no século VI a.C. Eles concluem que o livro deve ter sido escrito durante o tempo dos Macabeus (168-134 a.C.) depois que os eventos ocorreram.

No entanto, o Deus que conhece o fim desde o princípio, foi capaz de revelar detalhes da história futura a Daniel.

Nos versículos 36–45 é descrito um líder que é apresentado simplesmente como “o rei”. Alguns sugerem que este é Antíoco IV Epifânio e que os versos descrevem incursões adicionais dele em Israel.

💡 No entanto, os detalhes dados nesses versículos não foram cumpridos por Antíoco. É verdade que Antíoco era um prenúncio de um rei que viria. Mas os dois não são iguais. Um é passado e o outro é futuro.

O profano rei vindouro

O rei vindouro será o governante final no mundo romano. Sua ascensão à proeminência pelo poder satânico é descrita em Apocalipse 13:1-8, onde ele é chamado de “besta”.

De acordo com João em Apocalipse 17:12-13, ele ganhará autoridade não pela conquista militar, mas pelo consentimento dos 10 reis que se submeterão a ele.

Começando com Daniel 11:36, a profecia se move do “próximo” para o “longe”. Os eventos registrados nos versículos 36–45 ocorrerão durante os sete anos finais das 70 semanas.

Este rei vindouro será independente de qualquer autoridade além de si mesmo, ou seja, ele fará o que quiser.

No meio do seu reinado de sete anos, ele exercerá o poder político que lhe foi dado pelos 10 reis que o elegeram (ver Apocalipse 17:12-13).

Ele também tomará para si o poder absoluto no reino religioso, engrandecendo-se acima de todos os deuses e desafiando e falando blasfêmias contra o Deus dos deuses. “Ele se opõe e se exalta sobre tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, e até se estabelece no templo de Deus, proclamando-se Deus” (2Ts 2:4).

“Ele falará contra o Altíssimo” (Daniel 7:25)

O mundo será persuadido a adorá-lo como deus pelos milagres que o falso profeta realizará em seu nome (Apocalipse 13:11-15). Ele conseguirá espalhar sua influência pelo mundo, tanto política quanto religiosamente (Apocalipse 13:7-8).

A duração do governo deste rei foi determinada por Deus. Ele será bem sucedido como o governante mundial durante o tempo da ira, os três anos e meio da Grande Tribulação, mas no final desse período o julgamento determinado por Deus será aplicado a ele.

Por causa da referência aos deuses (ou Deus, ‘ělōhîm) de seus pais, alguns concluíram que este governante será um judeu, uma vez que o Antigo Testamento frequentemente usa a frase “o Deus de seus pais” para se referir ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó (ver Êxodo 3:15).

No entanto, visto que esse indivíduo será o governante final do mundo romano, o chifre pequeno do quarto animal (Daniel 7:8,24b), ele deve ser um gentio.

Sua falta de consideração pelos deuses de seus pais significa que, para obter poder absoluto no reino religioso, esse rei não terá respeito por sua herança religiosa.

Ele deixará de lado toda religião organizada e não considerará nenhum deus. Além disso, se estabelecerá como o único objeto de adoração. Em vez de depender de deuses, ele dependerá de seu próprio poder recebido de Satanás (ver Apocalipse 13.2) e por esse poder ele exigirá adoração a si mesmo.

O fato de não ter consideração pelos deuses preferidos pelas mulheres sugere que ele repudia a esperança messiânica de Israel. Talvez muitas mulheres israelitas tenham se perguntado ansiosamente quem delas se tornaria a mãe do Messias vindouro, o Salvador e Rei da nação.

Pelo poder de Satanás

O Anticristo honrará um deus das fortalezas, ou seja, promoverá a força militar. E por causa de seu poder político e religioso ele poderá acumular vastas riquezas.

O deus desconhecido de seus pais, que lhe dará força, pode ser Satanás. Embora este rei chegue ao poder oferecendo paz por meio de uma aliança com Israel, ele não hesitará em usar o poder militar para expandir seu domínio.

E ele será ajudado por um deus estrangeiro.

Aqueles que se submetem à sua autoridade serão colocados em posições de poder, e sua capacidade de dispensar favores lhe renderá muitos seguidores.

Daniel 11.40-43: A batalha no tempo do fim

40 “No tempo do fim o rei do sul se envolverá em combate, e o rei do norte o atacará com carros e cavaleiros e uma grande frota de navios. Ele invadirá muitos países e avançará por eles como uma inundação. 41 Também invadirá a Terra Magnífica. Muitos países cairão, mas Edom, Moabe e os líderes de Amom ficarão livres da sua mão. 42 Ele estenderá o seu poder sobre muitos países; o Egito não escapará, 43 pois esse rei terá o controle dos tesouros de ouro e de prata e de todas as riquezas do Egito; os líbios e os núbios a ele se submeterão. (Dn 11.40–43)

Os eventos nos versículos 40–45 acontecerão no tempo do fim, ou seja, ocorrerão na segunda metade das 70 “semanas” ou anos. Ele se refere ao rei apresentado no versículo 36.

Ele terá feito uma aliança com o povo de Israel, vinculando aquela nação como parte de seu domínio. Qualquer ataque, então, contra a terra de Israel será um ataque contra aquele com quem Israel se unirá por aliança.

O ataque do Sul a Israel

Alguns sugerem que isso ocorrerá na metade das 70 “semanas” (anos). Contudo, é mais provável que ocorra no final da segunda metade desse período de sete anos.

Visto que “o rei do Sul” em Daniel 11:5-35 se referia a um rei do Egito, parece não haver razão para relacionar este rei do Sul (v. 40) a alguma outra nação.

De fato, o Egito é mencionado duas vezes nos versículos 42–43.

Nesta invasão o Egito não virá sozinho, mas será acompanhado pelos líbios e núbios (v. 43). Essas nações, referidas em outros lugares como Pérsia e Cuxe, podem ser nações da África.

No entanto, é mais provável que Pérsia se refira a nações árabes na área do Sinai e Cuxe a nações na região do Golfo Pérsico.

Simultaneamente com a invasão de Israel pelo rei do Sul (Egito) haverá uma invasão pelo rei do Norte. Alguns estudiosos da Bíblia igualam essa invasão com a de Gogue e Magogue, pois Gogue “virá do extremo norte” (Ezequiel 38:15).

Outros dizem que a batalha de Gogue e Magogue ocorrerá na primeira metade da 70º “semana” e, portanto, antes desta invasão em duas frentes em Daniel 11:40.

Eles sugerem que a batalha de Gogue e Magogue ocorrerá quando Israel estiver em paz (ver Ezequiel 38:11, 14. De acordo com essa visão, é feita uma diferença entre Gogue que virá do “extremo norte” (ver Ezequiel 38:15) e uma invasão posterior que será chefiada pelo “rei do Norte” (Dan. 11:40).

De qualquer forma, o rei do Norte no versículo 40 certamente não é um dos reis selêucidas do Norte nos versículos 5-35. Essa invasão não tem correspondência com fatos históricos; ainda é futuro.

O rei do Sul e o rei do Norte lutarão contra o Anticristo.

Israel será ocupado e muitos judeus fugirão, buscando refúgio entre as nações gentias (ver Apocalipse 12:14–16).

Quando o Anticristo souber dessa invasão, ele moverá seu exército da Europa para o Oriente Médio, varrendo muitos países como uma inundação (v. 40).

Ele se moverá rapidamente para a terra de Israel, a Bela Terra. Seu primeiro ataque será contra o Egito, pois o Egito e seus aliados árabes são os que iniciarão a invasão a Israel.

Nesta ocasião o rei não conquistará o território de Edom, Moabe e Amom, agora incluído no atual reino do Jordão. Mas ele ganhará controle sobre “muitos países”.

Daniel 11.44,45: A derrota do Anticristo

44 Mas, informações provenientes do leste e do norte o deixarão alarmado, e irado partirá para destruir e aniquilar muito povo. 45 Armará suas tendas reais entre os mares, no belo e santo monte. No entanto, ele chegará ao seu fim, e ninguém o socorrerá. (Dn 11.44,45)

Então o Anticristo ouvirá relatos alarmantes do leste e do norte. Enfurecido, o Anticristo partirá para destruir muitos dos invasores. Então ele ocupará Israel e armará suas tendas reais entre os mares, isto é, entre o Mar Morto e o Mar Mediterrâneo, no belo monte santo, provavelmente Jerusalém.

Posando como Cristo, o Anticristo estabelecerá sua sede em Jerusalém, a mesma cidade da qual Cristo governará o mundo no Milênio (ver Zacarias 14:4, 17).

O Anticristo também se passará por Cristo ao introduzir um governo mundial com ele mesmo como governante e uma religião mundial na qual ele é adorado como deus.

Mas Deus destruirá o reino deste rei no aparecimento pessoal de Jesus Cristo a esta terra (ver Apocalipse 19:19-20).

Motivos de oração em Daniel 11

Oro para que:

  • Deus revele seu poder às nações;
  • Sejamos cada dia mais sensíveis a vontade de Deus;
  • Observemos os acontecimentos no mundo e possamos discernir o cumprimento das profecias.
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